terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O DÓLAR FURADO

por Quatermass

Uma furada. De todos os Spaghetti Western, este é o mais famoso. Fama necessariamente não é sinônimo de qualidade. Um filme pode ser bom, ser além ou aquém da crítica, pode ser simpático ao público, ter um forte apelo ou ser repudiado por todo mundo. O Dólar Furado (Un Dollaro Bucato – 1965) passa despercebido, mas é famoso. A história: terminada a Guerra de Secessão, os soldados confederados Gary O'Hara (Giuliano Gemma) e seu irmão Phil (Nazzareno Zamperla) são libertados da prisão e partem em caminhos diferentes. Como o conflito destruiu o velho Sul, nosso herói, bom no gatilho, procura emprego. Contratado pelo maioral McCoy (Pierre Cressoy), lhe é incumbido provocar um desordeiro chamado Black Eye, e ao fazê-lo, depara-se nada mais nada menos com seu próprio irmão. Sem saber, Black Eye atira em Gary, dando o pretexto que os comparsas de McCoy esperavam para matá-lo. Considerados mortos é providenciado o sepultamento. Neste momento é constatado que Gary está vivo, graças a uma moeda de um dólar em sua camisa que, ao ser perfurada, amorteceu o impacto da bala. O mocinho, agora recuperado, parte então para a vingança.


Já vi e revirei do avesso esta obra do diretor Giorgio Ferroni e não há nada de mais, somente a presença de Giuliano Gemma, um ator italiano, com pinta de italiano, num faroeste italiano. E daí? Não é para ser assim? Não necessariamente! A obra ainda peca pelo excesso de convencionalismo; na verdade, mais parece tentar imitar o congênere americano. Taí o erro! Sabe-se que é um western italiano, mas finge não ser. A famosa trilha de abertura imita o estilo de Enio Morricone, com assobio e tudo mais. Na verdade, o Dólar Furado é como uísque paraguaio: a primeira tragada identifica a procedência. Não cria nem recria, não homenageia nada nem ninguém. O mocinho pode até despertar suspiros, mas até Will Smith como James West é menos canastrão e inexpressivo. Aí o atento internauta pergunta: mas não foste tu que algum tempo atrás comentou Três Homens em Conflito (The Good, the Bad and the Ugly/Il buono, il brutto, il cattivo – 1966) e o levou nas alturas? Também não é italiano? É italianíssimo! Esta é a diferença! Nunca houve nem haverá outro gringo que amou tanto a América como Sergio Leone. Seus filmes sempre homenagearam a terra do Tio Sam. Nunca fez questão de esconder. Seus westerns são sujos, com personagens ambíguos, as partituras compostas por Morricone são sempre inesquecíveis, seus roteiros são inteligentes e ágeis, dificilmente pega-se no sono. Mas, em momento algum seguiu o padrão “clean” dos westerns americanos. O Dólar Furado segue. Seguiu também o sucesso de Leone. Mas tudo bem! O importante é conhecer!


1 comentários:

Mestre Splinter disse...

Cara, sou obrigado a concordar contigo que esse filme em questão não é um dos melhores momentos da italianada...como tu mesmo esclareceste ali, trata-se de uma produção oportunista e que vingou, pois aparentemente acertou o alvo...

...mas há outros trabalhos posteriores, do próprio Giuliano Gemma, que são bem legais também...(mas eu, como zero à esquerda que sou em matéria de faroetste, não me lembro do nome de nenhum, hehehe)...





...só, claaaro, nada que se compare ao Sergio Leone, e seu chapa Morricone...

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