Mostrando postagens com marcador blog movies. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador blog movies. Mostrar todas as postagens

sábado, 5 de setembro de 2020

VELOZES E DIVERTIDOS.


  
 
#oplanetaehnosso12anos
 
Publicado originalmente em 12.04.2008.

 
O retorno de uma postagem repleta de saudosismo de maravilhosos desenhos animados que muito nos alegraram nos anos 70 e 80 !
 
 
 
por Quatermass
 
 
"Nestes dias, Thintosecco andou postando “a pedido”, Brasinhas do Espaço e Os Impossíveis. Não lembram nada ao caro internauta? Os saudosos tempos em que a Hanna-Barbera produzia desenhos de qualidade e nossos dubladores acompanhavam o padrão.
 
 
Empresas como AIC (Arte Industrial Cinematográfica São Paulo) e Cinecastro já desapareceram, mas seu legado ficou. Ouça de novo aqueles desenhos e irá perceber que não eram apenas dublados e sim interpretados. Não só estes como também Corrida Maluca, Os Apuros de Penélope, Máquinas Voadoras e outros tantos. 
 
 
 

 
 
 

 
 
 

 
 
 
Adrenalina em tempo integral: iam, batiam, capotavam e continuavam correndo. Que saudades do Dick Vigarista ! E que trauma também!
 
Há algum tempo retirei Corrida Maluca da locadora. Recém lançada a série em DVD, mostrei a minha filha como eram os desenhos de antigamente. Para quem gosta de Pokemon, A Mansão Foster para Amigos Imaginários e outros, sentiu a diferença e concordou com a qualidade daquelas vozes. Depois a Warner lançou as séries Máquinas Voadoras e Os Apuros de Penélope. Novamente retirei e veio o choque: redublaram os desenhos! 
 
 
Sempre que o assunto é dublagem e redublagem as respostas são as mais nebulosas, enigmáticas e misteriosas possíveis. Por quê? Qual a razão? Um conselho: nunca, mas nunca tente entender o motivo! Não que a resposta possa ser falsa, e sim, frustrante. 
 
 
Mas às vezes pode dar a sorte de nos depararmos com o antigo de novo. Em certos canais, desses menos badalados, seja a cabo ou de sinal aberto, passam velhos filmes e seriados com velhas dublagens só vistas recentemente com legendas nos Telecines e Cartoon Network.
 
 
Assim sendo, espero um dia voltar a ouvir a antiga dublagem dos anos sessenta de Jornada nas Estrelas, com Emerson Camargo, Dênis Carvalho e Astrogildo Filho dublando o Capitão Kirk , pois até hoje não acreditei nas versões apresentadas para terem redublado as três temporadas de novo – verdadeira lenda urbana!"
 
 
 
Para saber mais sobre a Corrida Maluca:
 
http://infantv.com.br/infantv/?p=1585
 
 
E aqui, a listagem dos dubladores brasileiros originais dos desenhos da Hanna-Barbera produzidos entre 1967 e 1971:
 
https://web.archive.org/web/20090220204633/http://retrotv.uol.com.br/dublagem/hannabarbera/index3.html
 
 
 

domingo, 16 de fevereiro de 2020

. O QUE É SER HOMEM ?






#oplanetaehnosso12anos

postado originalmente em 11.07.2008.





por Quatermass



Já falei sobre Charlton Heston, Sean Connery, Gregory Peck e alguns outros atores. Mas sempre tive uma certa admiração quanto a outro, cercado de mitos, verdades/inverdades e escracho. Este ator é ROCK HUDSON.







Em seus filmes transmitia virilidade, determinação, sensibilidade, caráter, senso de humor e ironia. Confesso que vi mais de seus filmes com Doris Day quando criança e me fixo mais nos de aventura, do tipo ESTAÇÃO POLAR ZEBRA (Ice Station Zebra - 1968).



Nele faz papel do comandante de um submarino nuclear encarregado de enviar um agente de sua Majestade ao pólo norte (ironicamente Patrick McGoohan, o mesmo de O Prisioneiro). O filme tem traições, escaramuças, reviravoltas, aventura, etc, bem ao estilo dos romances de Alistair MacLean (que além deste filme, também foi fonte inspiradora de Os Canhões de Navarone e O Desafio das Águias).
















Mas não é nisto que quero me basear e, sim, no ator-homem. Ao contrário de suas comédias / amenidades / besteiróis, como capitão James Ferraday demonstrava ali todas as qualidades do homem Rock Hudson: comedido, perseverante, sério, em busca da verdade e explanando com clareza a situação. Em troca, o respeito de aliados e inimigos.



Na vida real todo mundo achava que era um exemplo a ser seguido. Até 1985, quando pouco antes de sua morte anunciou ser gay e portador do vírus HIV. Foi o bastante para sua imagem ficar maculada para sempre. O castelo de cartas desabou !


Desabou ? Como também já disse antes, nunca é o ator, diretor, técnico, público ou até mesmo o crítico quem dá a palavra final. É a memória coletiva, é a soma de tudo o que um ser fez em sua vida, mesmo que fosse um único ato de bondade. Mesmo este vale pelo resto.


No caso de Rock Hudson se dá diferente: ostracismo, que às vezes é quebrado com uma dupla de cowboys de desenho animado – mau gosto, diga-se de passagem! 


Ainda assim, lembro-me quando seu anúncio foi apresentado num dos Jornais Nacionais dos anos 80, quando já debilitado. Puxa ! Nos anos 80 ! Quando, apesar de tudo que se diz, AIDS ainda era tabu ! Isto é coragem !






Poderia morrer misteriosamente, anonimamente, e posteriormente ser divulgada a verdadeira causa. Mas não Rock Hudson. Teve coragem em afirmar que era gay e coragem para divulgar sua doença. Morreu faz mais de vinte anos, mas ainda me lembro de seus simpáticos personagens ao lado de sua amiga e mais ainda daquele capitão de submarino. 


Pode parecer bobagem, mas sempre penso como uma inversão de valores: o capitão James Ferraday interpretando o ator Rock Hudson. Admiro a coragem.



sábado, 28 de abril de 2018

A FESTA DO MONSTRO MALUCO.




#oplanetaehnosso10anos

Publicado originalmente em 11.02.2008.



por Quatermass



Quem é quarentão conhece este filme de animação dos anos sessenta. A Festa do Monstro Maluco (Mad Monster Party – 1969) é um dos grandes filmes do gênero.


Começa com o barão Boris von Frankenstein terminando sua mais nova criação. Resolve fazer uma convenção e convida para seu castelo (numa ilha do Caribe) os mais divertidos monstros e aberrações, dentre deles seu inocente e desastrado sobrinho Felix. 

 

Ao receber o convite do titio, parte numa engraçadíssima viagem de navio, junto com Lobisomem, Dr. Jeckyl e outros. Ao chegar, apaixona-se pela assistente do doutor, Francesca. Dá-se a festa e os convidados passam a se interessar pela descoberta.














É uma joia da animação quadro-a-quadro, com uma excelente e inesquecível história. Presta também uma homenagem a Boris Karloff, grande intérprete de filmes de terror de antigamente, já que o Barão von Frankenstein é sua cara!














Agora, a parte saudosista: como era boa a televisão aberta durante a década de setenta ! Talvez fosse o período em que souberam dosar melhor a relação qualidade / quantidade.  


Lembro-me do chamado deste filme em 1976, pela Globo, num sábado, depois da novela das oito ! Curioso: um filme destes neste horário. Vê se hoje em dia vão passar alguma coisa assim! É um filme para adultos e crianças. Inesquecível, mesmo para marmanjos. 


REVISITANDO ESSA POSTAGEM, há uma boa notícia pra quem gosta de colecionar material oficial, porque finalmente essa animação foi lançada em DVD no Brasil - não sei bem se em 2016 ou 2017 - mas ainda se encontra à venda com facilidade.  

Para quem quiser conhecer, darei umas dicas nos comentários.

VALEU !


sexta-feira, 31 de março de 2017

GHOST IN THE SHELL.







Saudando o lançamento do filme (A Vigilante do Amanhã),
 lembramos o primeiro anime.
Postagem publicada originalmente em 12.11.2013




por Quatermass



O Fantasma do Futuro (Ghost in the Shell – 1995) é um anime pouco divulgado e que merece ser conhecido.


Meu primeiro contato se deu por acaso: no extinto blog Papaia Celestial, do Eudes Honorato. Esse cara é incrível: até hoje ainda não descobri como conseguia postar tantos filmes de qualidade e bem legendados diariamente. Na época (uns cinco anos atrás), ao ler a sinopse, bateu a curiosidade. Já vou adiantando que não é um desenho de fácil digestão. 




 

 


A abertura começa com a reconstrução de uma policial: o que restou de seu corpo foi embalado em uma armadura humana. Logo, para Motoko Kusanagi a questão da nudez e da feminilidade é puramente acadêmica: é como um espírito na concha), ela é líder de sua equipe e mais nada. Não há lugar para erotismo no filme; esqueça as personagens sensuais e extremamente erotizadas de Leiji Matsumoto. 







Filme feito a seis mãos – foi dirigido por Mamoru Oshii e escrito por Kazunori Itô e Masamune Shirow (criador do mangá) – é curto e grosso: um hacker chamado Mestre das Marionetes controla temporariamente suas vítimas. Elas agem como zumbis, sem se darem conta de seus atos. A Seção 9 investiga a atuação de outro grupo que possa estar atrás do controlador dos fantoches.










  



Mas o filme vai além: descobre-se que o suposto hacker nada mais é senão um programa extremamente sofisticado, para quem os humanos não passam de números. Dizem... repito, dizem... que sua abordagem cyberpunk influenciou a popular, insossa e pouco original trilogia Matrix, dos Irmãos Wachowski. Seu visual é deslumbrante, beirando delírio. 






Criticamente falando até achei que a história bem que poderia ter se desenvolvido mais, é daqueles filmes que terminam e o espectador ainda fica aguardando o desenlace final; o enredo prende a atenção, apesar da pouca duração e trama complexa, há questões mal resolvidas que prosseguem na continuação de 2002. Como ainda não assisti o segundo filme, fica para a próxima vez! Fui!


quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

NO TEMPO DAS VHS.


 



por Quatermass



Toda vez que comento com alguém como foi o início da locação de fitas VHS me sinto como um velho contador de histórias, um Pantaleão, ou alguém tentando passar uma conversa!


Mas é sério! Foi assim: “Era uma vez...” um sujeito que ganhou de aniversário um videocassete Sharp, o VC-8510, lá no longínquo ano de 1982.   Ganhei porque, de tão caro na época, só pedindo pro “papito”. 


E as fitas BASF, importadas da Alemanha, custavam 1/10 do valor do aparelho ! Coisa de pequeno burguês, vão pensar ! Aí penso eu: se gosto de filmes, nada mais justo tê-los.


Num primeiro momento, via TV – que, na época, a de sinal aberto ainda mantinha uma ótima programação. Depois, via locadora de vídeo. E é neste momento que a coisa parece fugir da realidade e ingressar no mundo da ficção ! 






Quando foi adquirido o desejado aparelho, de brinde acompanhava um técnico para instalá-lo: F-A-N-T-Á-S-T-I-C-O ! Incrível, né? Alguém para ligar o cabo na entrada da antena no videocassete e outro do aparelho para o televisor ! 


E esse cara já vinha com a dica de uma locadora para que a vítima lá se associasse. Além do cadastro, o bem intencionado locatário deveria deixar uma JÓIA em garantia (falei J-Ó-I-A) – óbvio: vá que alguém retirasse uma inestimável fita pirateada e não a devolvesse mais !!!

 
E por falar em pirataria, essa já era a regra. Se hoje dizem por aí que DVD pirata estraga o player, agora imagine uma fita vagabunda, com imagem sofrível, legenda medonha, mal traduzida, e de tão suja que toda hora tinham que ser limpos os cabeçotes. 






Não é mentira, até já contei essa pro Thintosecco !  Certa vez loquei Mad Max 2 com uma legenda peculiar: quando o fundo era claro, os caracteres eram pretos e se mudasse passava para o branco !!! Legendinha em amarelo? Luxo! A tradução era mais cômica que a dublagem mal feita do primeiro Jornada nas Estrelas. 


Cômicos também eram os estabelecimentos comerciais destinados à locação: uns tinham fichários com sinopses do filmes; em outros, as fitas eram simplesmente espalhadas pela loja sem critério algum – até pelo chão! Algumas cobravam adiantado, em outras pendurava-se.


Mas uma das coisas mais irritantes para o cliente ouvir e receita certa para a quebra deste tipo de negócio era quando o atendente dizia “o filme está na rua” – traduzindo: é lançamento, só há uma fita, já tem fila de espera e tu és o trouxa que ficará para o final!






Mas nos anos oitenta havia mais emoção em alguns aspectos, diferente do que é hoje. Se a quarta versão de Indiana Jones é anunciada para o dia 03 de outubro, todas as lojas passarão a comercializar a partir desta data. Os anos oitenta eram diferentes não apenas pelo reinado da pirataria. Havia uma baderna quanto aos lançamentos: as locadoras publicavam anúncios nos classificados de jornais noticiando a chegada deste ou aquele filme. 


Em suma: o acervo de uma locadora era completamente distinto da outra, pois os fornecedores vinham de toda parte. Dificilmente existiam dois filmes pirateados iguais: podia-se encontrar qualquer versão do Dr. Quatermass numa ou um clássico esquecido em outra, mas nunca os dois.



Em 1988, com a imposição da fita legalizada e o recolhimento das copias, houve um aumento significativo de qualidade do produto, mas representou também o fechamento de muitos estabelecimentos que ganhavam dinheiro rápido e fácil gastando pouco.







Algumas locadoras permanecem ainda funcionando desde os anos oitenta – eu, por exemplo, sou associado de uma no bairro Bom Fim há 21 anos. Surgida em dezembro de 1986, em janeiro de 1987 ela anunciou o recebimento de Aliens - O Resgate. Resultado: fui lá e em associei. Hoje é uma das grandes sem pertencer às Blockbusters, mas que soube se adaptar e crescer frente às mudanças e novidades tecnológicas. 


Mesmo que hoje em dia ainda prefira o disco em vinil ao CD, um dia aposentarei definitivamente o videocassete, mas será muito antes do meu toca discos!  


Postado originalmente em 06.10.2008.

 

 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O VÔO DA FÊNIX.






por Quatermass



Se, em Náufrago, Tom Hanks construiu uma embarcação, dotada de uma improvisada vela, que diria de construir um avião a partir dos destroços de outro? Esta é a ideia central de O Vôo da Fênix (The Flight of the Phoenix- 1965).


Durante uma viagem sobre deserto, um avião de transporte trazendo uma coleção de sujeitos irredutíveis cai em razão de uma tempestade de areia. Os sobreviventes têm diante de si um dilema: a divisão de liderança. 


Vários apresentam diferentes opções aos demais, mas que aos poucos vão caindo na real. Sobram duas alternativas: ficar e esperar ou construir um novo avião, juntando parte da asa e fuselagem com a outra asa.


Mas não é uma opção fácil! Há conflito entre dois dos protagonistas: o Capitão Frank Towns (James Stewart) e Heinrich Dorfmann (Hardy Kruger). São líderes natos, mas de convivência difícil e esta disputa perdura por todo o filme. O co-piloto, Lew Moran (Sir Richard Attenborough), é o intermediador entre os dois e destes com o grupo, representa o bom senso !


Em momentos de crise não bastam lideranças, deve haver clareza de ideias e determinação de alguns. E, por linhas tortas, é construído o avião. 













É um grande filme, baseado em conflito, conflito e mais conflito. O clímax: concluída a máquina voadora, é revelada a verdadeira profissão de Dorfmann e o tipo de aparelho que foi construído pelos sobreviventes, no qual depositaram todas as suas esperanças. 


Uma comparação é inevitável: se em náufrago a loucura da solidão instigou o protagonista a construir uma embarcação de troncos e vela metálica; em O Vôo da Fênix, a loucura decorrente do orgulho e não o calor inclemente do deserto foi o principal obstáculo.


A mensagem do filme de Robert Aldrich é clara: o homem é mais perigoso que o meio, pois ao mesmo tempo em que pode superar adversidades, pode também inviabilizar a própria sobrevivência. 


Chega-se a conclusão que, superando os prognósticos, foi Lew Moran quem realmente salvou o grupo. Mesmo aparentando inferioridade (em razão da bebida) ante os dois principais antagonistas, foi o único dotado da verdadeira lucidez durante a crise e o principal motivador do grupo. A superação começa assim: pelo autoconhecimento. 


 




Postado originalmente em 13.03.2008.


domingo, 22 de fevereiro de 2015

OS DIAMANTES DO DIABO






 por Quatermass



Os Diamantes do Diabo (A Twist of Sand - 1968) é um filme de aventuras B reprisado várias pela Rede Tupy nos anos setenta. Mas como cheguei até este filme? Através de exercício de memória, perseverança e uma surpresa final. Passados mais de trinta anos, algumas imagens ainda permanecem: a Costa do Esqueleto, um tesouro no deserto e um submarino alemão. 


Desde que conheci Thintosecco compartilhamos diversos filmes raros. Das acaloradas discussões sempre fui reticente a este filme inglês em especial, pois já cometi diversas confusões a respeito. 


Pra começar a Costa do Esqueleto: região litorânea da Namíbia, que coleciona mais de duzentas carcaças de navios encalhados. Se de um lado realmente existe um local com este nome, por outro, ao pesquisar na Internet, sempre acabava no filme alemão A Costa do Esqueleto (The Skeleton Coast – 1964), um filme policial fraquinho. E aí? Daí que seguia adiante e voltava para o alemão.


Mas eram tantas as discrepâncias, que não podia ser o mesmo filme. Cansado do IMDb, parti para o Wikipedia para saber mais sobre a Costa do Esqueleto. Neste momento, num lampejo de inteligência, desci a página até as sempre presentes referências no rodapé.


E voilá !  Lá está a menção de A Twist of Sand com uma mini sinopse.  E o nobre internauta perguntará: que diabos este cara vai atrás de um filme de 1968, se agora estão passando no cinema joias como O Jogo da Imitação e Birdman ? Quem sabe se daqui a 46 anos estes dois filmes não ficarão na lembrança de algum cinquentão, que estará fazendo o mesmo garimpo?  







 


Os Diamantes do Diabo tem um nome pomposo de um filme mediano. Talvez em razão de seu irregular diretor, Don Chaffey: em seu histórico dirigiu o ótimo Jasão e o Vêlo de Ouro (1963), o mediano Mil Séculos Antes de Cristo (1966) e a goiaba Criaturas que o Mundo Esqueceu (1971).







A história: sabedor da existência de diamantes escondidos em meio aos destroços de um galeão na Costa do Esqueleto um ex-oficial da marinha britânica arregimenta uma tripulação suspeita e sai atrás das pedras. Será necessária habilidade para adentrar pela costa sem naufragar. E ainda há um tripulante de submarino alemão que agora está sob o comando de seu algoz inglês. 






A história é melhor que o filme, que não faz feio. O  valor sentimental é muito maior que a obra em si. E a surpresa: aonde encontrar? Não saia por aí procurando DVD ou Blue Ray que não vai achar. Também não consta em catálogo de qualquer grande livraria ou locadora de vídeo. Não irás encontrar em sites ou blogs de downloads duvidosos, que pedem número de celular, seu endereço eletrônico ou uma conta no Google. Não acharás nos camelôs em meio a DVDs pirateados. 





Então, a revelação: está em domínio público ! Um filme de 1968 ! É só entrar no archive.org ou YouTube e baixar com um clique ! Apesar de tudo que falei antes, recomendo e muito. Aliás, recomendo as duas coisas: o garimpo e o filme. Por uma única razão: também vi Birdman e O Jogo da Imitação, e os achei ótimos, mas são novos e ainda não sabem como envelhecer.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

SOB A PELE






 por Quatermass



Sob a Pele (Under the Skin – 2014) é único dentro do gênero ficção científica.  Até então nunca havia visto um filme tão discreto. Sem grandes badalações, diz a que veio. Melhor falando, não diz nada, não é autoexplicativo.


Após 46 anos, surge um filme contundente. Gosto muito de usar paradigmas, tais como 2001 (1968) e Solaris (1972), e diante destas duas obras, no entanto, Sob a Pele não possui divagações complexas. Pela maneira como a história se desenrola, é que o diretor Jonathan Glazer se aproxima de Kubrick e Tarkovski. 


Do primeiro ao último minuto não há uma grama sequer de pena do pobre cinéfilo. Por isto fiquei de boca aberta. É como se o filme fosse uma carreta correndo a 150 km/h, e o expectador fosse o motorista de um fusca 1200 correndo atrás. 


A história começa quando uma alien utiliza-se das vestes de uma mulher morta. Daí começa a peregrinação em busca de homens solitários e sem família. Até que seu contato físico excessivo leva a anti-heroína a desenvolver novos sentidos, perturbando-a. 











Por não conter explicações fáceis não significa que esteja ludibriando; pelo contrário, o filme é uma feliz releitura de obras de sessenta anos atrás, associada com paisagens pouco usuais da Escócia e uma lindíssima atriz (Scarlett Johansson). Sobre esta última, até nua em pelo ela aparece, mas tão sinistra e perturbadora são as cenas, que sua nudez torna-se secundária. 


A comparação mais próxima seria da policial ciborg de Ghost in the Shell (1995). A pele é uma casca que tem uma única função: caçar, atrair a vítima. Neste caso, Scarlett Johansson é a predadora que, em parceria com seu colega ET, atrai suas vítimas masculinas e depois as mata. Não existe sensualidade, apenas o propósito. 












Está em permanente modo de caça. Num primeiro momento a predadora atrai, posteriormente utiliza-se inteligentemente da solidão humana e da fragilidade emocional para consolidar a conquista.


A fêmea e seu comparsa não possuem nomes (assim como todo o elenco), a trilha sonora generosamente substitui conversações supérfluas, a ponto de inexistir diálogos entre os dois. No filme não há explicações dos motivos, da maneira pelas quais mata, somente narra friamente o ‘modus operandi’. 






Finalmente, digo que não há discos voadores, raios laser, ets gosmentos e mocinhos bodosos; ao contrário, há somente uma fera voraz que de repente, deixa de ser a caçadora para ser a caça.



Related Posts with Thumbnails