quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

FELIZ 2015 !






por Thintosecco  



Adeus ano velho, feliz ano novo ! Que seja como diz a antiga e sábia canção. Bom ou mau, 2014 está indo embora, que 2015 traga felicidade para todos.

Pessoalmente, o ano que se encerra foi marcado por reencontros e reconciliações. Com velhos amigos, com familiares distantes... Inclusive com a Igreja Católica, da qual estava afastado há décadas. Aliás, a Bíblia dá especial relevância a três sentimentos que têm muito a ver com esses reencontros: a esperança, a fé e o amor.

Tenho estado menos saudosista e mais situado no presente. Talvez por isso tenha postado menos.

Permaneço longe, porém, de concordar com o status quo, especialmente em relação à internet, porque tenho saudade de uma época mais romântica e idealista da web. Acho mais importante falar de cultura, ainda que anonimamente, do que compartilhar selfies nas ditas redes sociais. Por isso, e porque gosto de postar, o blog prosseguirá. E saudamos os blogueiros que persistem no mesmo ideal. 

Convenhamos que 2014 não foi tão ruim e agradeço a Deus por isso. 

Mas creio que o novo ano será bem melhor !


FELIZ  2015  !



sábado, 29 de novembro de 2014

INTERSTELLAR







por Quatermass




“Não lamente a boa noite apenas com ternura. A velhice queima e clama ao cair do dia. Fúria, fúria, contra a morte da luz (do dia).”  




Interstellar (2014) é uma grande obra de Christopher Nolan, mas ainda bem aquém de 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968) e do soviético Solaris (1971)


Os dois últimos filmes são obras primas da ficção científica por excelência, serão sempre referências: detém considerável domínio técnico e não são autoexplicativos; seus diretores questionam sem emoções a evolução e a existência humana, respectivamente; não estão nem aí para continuações, pois seus filmes são o início, meio e fim.


E Interstellar? É um dos melhores filmes de ficção científica já realizados, mas está 40 anos atrás de Kubrick e Tarkovski. Por que? Porque Nolan carrega a obra com emoções e sentimentos, porque às vezes para a locomotiva para explicar ao cinéfilo questões astronômicas complexas, porque quis brindar com um ótimo filme e conseguiu! Agora explico eu: Interstellar é daqueles filmes, que ao contrário de 2001 e Solaris, pode ser visto semanalmente sem cansar. 











Mescla várias referências o tempo todo: a música de Hans Zimmer relembra as space operas 2001 e Star Trek – The Motion Picture (1979); os dois robôs TARS e CASE lembram figuras geométricas bem ao gosto de Kurt Newman, diretor alemão de Kronos (1957); as mensagens de carinho, saudade, felicidade, fortemente unidas entre pai e filha, bem ao gosto spielbergniano;  mesma explicação sobre o fenômeno chamado “buraco de verme” antes vista em Enigma do Horizonte (Event Horizon - 1997); ao final, a filha já idosa e à beira da morte na cama relembra 2001; e a minha passagem favorita: os versos do poeta galês Dylan Thomas (1914-1953), recitados por Michael Caine, Matt Damon e Matthew McConaughey.  


Com tanta gente falando sobre relações de Interstellar com 2001, por que diabos falo de um poeta que inominável maioria dos brasileiros nunca ouviu falar ? Porque o filme é uma releitura de DO NOT GO GENTLE INTO THAT GOOD NIGHT.











Adoro divagar, mas após assistir o filme no GNC Iguatemi e dentro de um cinema russo com dublagem porcamente gravada em português na Internet, passei a perceber a beleza da mensagem que o poema e o filme expressam: mesmo diante do inexorável avanço do tempo isolando o homem pelas incríveis distâncias do universo, ainda persiste o inseparável elo entre pai e filha. 


Desta ideia cria-se uma Terra sem futuro, inóspita ao homem, a ponto de ter de abandoná-la. Para onde? Em outra galáxia. Como? Através de uma anomalia próxima à Saturno, uma ponte entre duas distâncias inimagináveis, cujo custo é longo período de viagem, pois segundo a Lei da Relatividade, o tempo flui mais lento quando na velocidade da luz. Logo, se a viagem for longa demais, o ser humano não mais existirá e nosso herói, Cooper (Matthew McConaughey) não irá mais ver sua filha Murph ou, na melhor das hipóteses, em idade avançada.  










Aliás, como em A Origem (Inception - 2010) o roteiro sempre avança na direção da inevitável, inescapável e infalível dor de cabeça: o sonho dentro do sonho dentro do sonho; aqui, visto através das diversas janelas da 5ª dimensão, do “buraco de verme” (ou “buraco de minhoca” mencionado no filme) ou do “buraco negro” (carinhosamente chamado de “Gargantua”). 


O ideal é assistir a versão dublada sempre para poder dar conta das explicações astronômicas em tempo real, coisa sem sentido em 2001 e Solaris 





Do not go gentle into that good night


Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.



From The Poems of Dylan Thomas






sábado, 4 de outubro de 2014

SETE ANOS


   


Postar em um blog é como lançar mensagens no mar. Para a maioria, os posts são garrafas que ficam por aí na rede e eventualmente são encontrados através de uma busca no Google. Em geral quem os encontra não está à procura de mensagem alguma, mas de algum "tesouro", um nome antigo para o que hoje conhecemos como "download". 


Não conheço ninguém que pague suas contas com downloads, mas muitos os tratam como ouro. É verdade que às vezes temos a felicidade de baixar na rede algumas obras (filmes, música, quadrinhos, etc.), que são verdadeiras preciosidades e isso é muito legal. Não sou contra os downloads, portanto. Mas o que acho mais interessante nos blogs não é a possibilidade de me tornar um "Tio Patinhas digital", empilhando HDs com infinitos gigabytes de arquivos, coisa que não é difícil de conseguir. Existe (ainda) algo de mais interessante nos blogs: vida inteligente.


Os blogs são feitos e lidos por pessoas que pensam, opinam, escolhem, com verdade e independência. Isto, sim, é ouro, meus amigos ! Isso não se encontra sentado em frente à tevê, nem no rádio, nem nas revistas - salvo as raras exceções eventualmente encontradas nessas mídias tradicionais.


O detalhe é que as pessoas inteligentes em geral falam pouco, preferem a informação. E daí porque os comentários são escassos nos blogs. Em todos os blogs, se considerarmos a proporção dos acessos. Tempos atrás, a proporção era de aproximadamente um comentário para cada mil acessos. Hoje, parece que os comentaristas se tornaram ainda mais raros e comedidos. Mas, fazer o quê ? Parece que essa situação é mesmo da natureza dos blogs, principalmente daqueles que "não tem nada para baixar". Seguimos, então, mesmo não sendo náufragos, lançando mensagens nas garrafas. 


Dizem que sete é uma conta de mentiroso. Aqui, não. O Planeta É Nosso ! está mesmo completando sete anos de existência. Num ritmo lento nos últimos dois ou três, é fato. Mas interessa é que ainda existe - enquanto tantos se foram - e mantém a proposta de divulgar conteúdos alternativos - porque pouco conhecidos ou porque esquecidos pela mídia - em termos de filmes, música, livros ou o que a gente ache interessante. Continuo acreditando que esses conteúdos podem, hoje ou amanhã, fazer alguma diferença para alguém, embora não saiba quando ou onde. 


Esse blog já foi acessado de todos os continentes, só não foi visto ainda na Antártida. Desde seu início, já recebeu mais de 1.185.000 visitas (sim, o contador "azulzinho" ao lado, já chegou a um milhão, zerou e começou de novo). Números que nos impressionam, mas que são pequenos perto dos acessos que têm outros colegas blogueiros e diante do que é o potencial da grande rede. 


A postagem campeã é "O Pequeno Príncipe e o Dragão de Oito Cabeças", com 47.150 visualizações até agora. Mas são muitas as formas pelas quais um post pode se destacar, não só pelo número de acessos. Uma postagem por vezes conta uma história, mas há postagens que se tornam, ela próprias, protagonistas de histórias que só os próprios blogueiros podem contar. Em outra oportunidade, quem sabe ? Há muitas garrafas, muitos bilhetes, muitas águas para navegar.


Um abraço especial aos nossos seguidores silenciosos, sabemos que vocês estão por aí.


VALEU !
    

domingo, 31 de agosto de 2014

THE WAR OF THE WORLDS... IN CONCERT




por Thintosecco


Os grandes livros tendem a ganhar adaptações para outras formas de mídia, sendo as mais frequentes o cinema e a televisão. Esses clássicos ressurgem também em quadrinhos, em vídeo games e, às vezes, na música.

A Guerra dos Mundos de H. G. Wells ganhou uma adaptação musical em 1978, numa audaciosa empreitada do maestro Jeff Wayne, até então desconhecido no universo pop-rock.

Wayne tinha uma larga experiência na produção de jingles e temas para a tv, mas sonhava com algo mais: produzir um álbum conceitual (aquele tipo de álbum em que todas as músicas têm conexão, formando um todo que conta uma história ou explora uma certa ideia). Ele foi atrás do sonho e conseguiu !





A versão musical de Guerra dos Mundos pode ser considerada um álbum de rock progressivo, muito embora o pessoal do prog, na época, tenha implicado com uma certa "batida pop" contida no álbum. Sugiro que escutem e deixem de lado a "batida pop", porque se trata de um baita disco (posso chamar de disco porque foi lançado originalmente em LP duplo). 


A produção contou com excelentes e conhecidos músicos do mundo do rock, como o Justin Hayward (The Moody Blues), o Phil Lynnot  (Thin Lizzy) e Chris Thompson (Manfred Mann). Outra participação, importantíssima, foi a do ator Richard Burton, nas narrações.   





Esse álbum, pouco falado no Brasil, lá no Reino Unido foi reproduzido em shows e ganhou versão em vídeo game. E The War of the Worlds não só foi um grande disco, como está vivíssimo em shows que, porém, não saem da Europa. Shows que têm uma produção muito legal e participação em holograma do ator Liam Neeson. O poster no início dessa postagem indica as datas dos próximos shows, em novembro e dezembro desse ano.
 
Aqui, fica uma amostra !

Valeu !

Para mais informações, recomendo uma visita ao blog Vintage 69 que comentou sobre esse musical, ainda no ano de 2007, AQUI.

Outra boa postagem sobre o assunto está no blog RAYOS C (em espanhol).

PS: Dedico esse post à minha amiga e mana que, mais uma vez, me apresentou um "achado" mais do que digno de ser postado neste blog. Obrigado !



sábado, 7 de junho de 2014

TECHNIK MUSEUM




por Thintosecco




Os museus tecnológicos de Sinsheim e Speyer, situados no sul da Alemanha (distam 40Km um do outro), oferecem doses cavalares de informação e diversão para quem é apaixonado por máquinas !

Isto, sim, é diversão !

Não falarei mais nada. Veja as fotos e assista aos vídeos !

Para saber mais: http://www.technik-museum.de/


 

















  





domingo, 4 de maio de 2014

SER GAÚCHO É SER SUPER-MEGA-MASTER




por Quatermass



Convenhamos... é muito chato para um gaúcho ter que reconhecer que fora da Província, o brasileiro é mais legal! 


Sou porto-alegrense, nasci aqui, mas a cada ano perco um pouco mais de paciência. Por que motorista gaúcho adora fechar e não dá passagem quando alguém sinaliza? Por que o gaúcho arrota valentia e soberba, porém, quando está na fila do buffet ou do caixa eletrônico é o rei dos afetados?


O arquétipo serviria inclusive para um filme do Woody Allen: atrás do(a) dito(a) cujo(a), assistindo colocar com toda delicadeza a porcaria da azeitona, ervilha ou grão de feijão ao lado do arroz (e não em cima); ou então, no banco 24 horas, quando, após longa espera, o(a) sujeito(a), olha para trás, vislumbra a fila que formou e volta a fazer suas operaçõezinhas no terminal com irritante calma. E o pior: o cara seguinte faz a mesma coisa! Se paulista tem fama de ser fechado e mal educado, o gaúcho tri-legal informa errado! 






De onde surgiu o mito do gaúcho? Aquele que vem em seguida depois de Deus? Que se acha o tal? Se Simões Lopes Neto quis promover alguma coisa, o tiro saiu pela culatra! 


Digo eu então que Gaúcho é canguinha: chora em dispender R$ 1,00 em rifa ou  caridade, porém não sabe porque está endividado! Se acha o tal, que o Estado deveria se separar do Brasil, que o Nordeste é sangria de divisas, porém lá e no resto do país, a visão do gaúcho é a do ser sério, trabalhador e simpático. Até que ponto? 


Tudo que pipoca no Rio e São Paulo, logo “estoura” aqui! A pobreza de idéias de nossos noticiários é tanta, que o bagual não se toca que há quarenta anos assiste o mesmo produto, sem modificações. Quando um conterrâneo é reconhecido lá fora, prontamente vem a mídia gaudéria alardear bobagens por dias, senão semanas. 


Nossa dependência da manifestação “estrangeira” é tanta que quando não há notícia, recauchutam uma. Uma delas são as ciclovias, que há anos estão sendo implantadas em POA: debates, discussões, perda de tempo. A moral é a seguinte: motorista gaúcho não respeita ciclista, o ciclista gaúcho não respeita pedestre, e este último tem tendências suicidas (se duvidas, tenta atravessar de carro a Av. Siqueira Campos defronte a prefeitura às 18:00 horas). 






O atendimento gaudério nas lojas é tão sutil e delicado quanto o bigode do gaúcho do Alegrete. E falo isto porque já fiz viagens para fora da província e testemunhei que lá as pessoas são mais “light” e não precisam carregar no falso sotaque gauchês. 


O brasileiro causa espanto porque, se não sabe, aparenta saber viver. Ao contrário, o gaúcho é como aquele sujeito que joga uma casca de banana no chão e fica escondido atrás da árvore para ver um incauto cair; se bate saudades é para saber se o outro está pior ou melhor que antes. Volto a dizer: passam-se os anos e me canso cada vez mais das mesmices gaudérias; aqui não há perspectiva de futuro, não há otimismo. 






Vive-se o hoje, com rescaldo de glorias passadas: o suicídio de Getúlio Vargas, a deposição e exílio de João Goulart e a resistência de Leonel Brizola, bem como o discurso caquético de resistência à ditadura por alguns dinossauros políticos. No Rio Grande a política se tornou exaltação dos gloriosos feitos de outrora. No mundo exterior os políticos, mesmo os “coronéis do nordeste” se modernizaram, se adequaram às constantes mudanças de cenário.


Esta cultura política estagnada está associada à ausência de uma verdadeira tradição gaúcha, não aquela forjada pelos CTGs nos anos 30 e 40, mas uma original como a existente na Argentina e Uruguai. Dessa falta de sintonia e autenticidade é que resultam coisas que chocariam um “de fora”. É por isso que as mesquinharias permanecem no Rio Grande: um triste Estado sem perspectivas!  




quinta-feira, 1 de maio de 2014

KRISHNAMURTI: "PRIMEIRO VOCÊ TEM QUE COLOCAR ORDEM NA CASA."

Compartilho com os amigos esta entrevista do mestre Jiddu Krishnamurti, mais uma brilhante contribuição do parceiro MrOx.

Vamos abrir os olhos, os ouvidos e a mente. 



sábado, 12 de abril de 2014

ROBOCOP (2014)






por Quatermass



Não foi desta vez que Hollywood nos brinda com uma sequência à altura de Robocop (1987). O Robocop (2014) do brasileiro José Padilha não passou de uma releitura estranha e fútil do ciborg de Paul Verhoeven. O filme é no mínimo estranho. Ao contrário de Tropa de Elite, o diretor José Padilha se sentiu numa ‘terra incognita’. Pior: não seguiu os passos do diretor holandês e assim cometeu uma série de equívocos.


Paul Verhoeven sempre soube dosar violência com uma história bem contada. Os excessos sempre são maquiados graças à dinâmica narrativa. Em Robocop presenteou-nos com uma mídia informativa envolvente, boba, engraçada, com ares de seriedade, tal qual o Jornal Nacional. Em Starship Troopers (1997), a propaganda de guerra quebrava a monótona rotina militar e suas batalhas sem fim. Com isto inteligentemente quebrava, por vezes, a inércia ou excesso de testosterona, impondo em seguida um ritmo diferente. Como resultado prendia a atenção do espectador até o previsível fim.








O primeiro Robocop era um filme extremamente equilibrado: por vezes assistíamos noticiários, o ritual de passagem de Alex Murphy, os tiroteios e os vilões. O mix continuo gerava a fórmula de sucesso. A questão familiar foi inteligentemente reduzida, para não comprometer a dosagem. Infelizmente os sucessores não entenderam seu ‘modus operandi’ e assim passaram a dar tiros ao léu.







O Robocop 2 (1990) de Irwin Kerschner imitou o noticiário anterior sem brilho; colocou o herói deslocado ao lado de um delinquente infanto-juvenil, que no meio da película é executado pelo malfeitor Cain, que por sua vez, tem seus miolos esmagados, num close absurdamente desnecessário (para falar a verdade, mais parecia a intenção do diretor em fazer o mesmo com o cérebro do cinéfilo). Resumindo: por demais apelativo, de mau gosto e sem graça. 


O terceiro filme (1993) teve a distinção de dar asas ao policial Murphy, voando em meio ao nada, de forma tão espontânea, patética e original quanto uma mula pintada de zebra num circo de periferia. E depois vieram as tentativas de ressuscitar o moribundo através de seriados que não colaram e por fim o tão esperado filme de José Padilha. Toda a vez que se gera uma expectativa dá nisso: decepção!







Mudar das favelas do Rio de Janeiro para Detroit exige uma necessária aclimatação. Padilha esqueceu disso: a polícia americana não é o BOPE.  Da esperta dosagem entre ação, drama e ficção, José Padilha também esqueceu. Mais que isso, fez o oposto de Verhoeven: acresceu o drama familiar, tornando o filme insuportavelmente arrastado. Por vezes o cinéfilo pergunta: isso é tudo? Não há mais nada? Como se não bastasse, reduziu desnecessariamente a bela trilha de Basil Poledouris numa marchinha besta no início e enfiou goela abaixo uma trilha sem sentido até o final.







Por instantes, a ótima atuação de Gary Oldman até nos faz esquecer que estamos assistindo um filme medíocre, mas sozinho não dá conta do resto! Agora, o ‘gran finale’: o tratamento da mídia. Padilha se superou: nunca vi Samuel Jackson tão afetado, ridículo e inconsequente como o apresentador Pat Kovac. A abertura trata da invasão de Teerã pelos Estados Unidos na ‘Operation Tehran Freedom’!!!!!!! E o resto do país? Provavelmente com os persas! 







Ao final xinga histericamente os políticos  e posa ao lado de uma bandeira americana. Só a descrição já bastaria para ser Caesar Flickerman, o chefe de cerimônias de Jogos Vorazes. Em suma José Padilha errou feio: não diz a que veio e o porquê da palhaçada. Achou que faria igual ou melhor que Paul Verhoeven sem ao menos entendê-lo. Como também não entendeu Robocop


Disso tudo só restou a seguinte interpretação: na verdade não fez o filme pensando no homônimo dos anos oitenta, mas no dos anos noventa. Já pensou? Um brasileiro homenageando os saudosos ‘Mamonas Assassinas’ e seu Robocop? Segue a letra abaixo e veja se não há semelhança!  


Robocop Gay 


Um tanto quanto másculo

Ai, com M maiúsculo

Vejam só os meus músculos
Que com amor cultivei


Minha pistola é de plástico

Em formato cilíndrico

Sempre me chamam de cínico
Mas o porquê eu não sei


O meu bumbum era flácido

Mas esse assunto é tão místico

Devido a um ato cirúrgico
Hoje eu me transformei


O meu andar é erótico

Com movimentos atômicos

Sou um amante robótico 
Com direito a replay


Um ser humano fantástico

Com poderes titânicos

Foi um moreno simpático
Por quem me apaixonei


E hoje estou tão eufórico 

Com mil pedaços biônicos 

Ontem eu era católico 
Ai, hoje eu sou um Gay!


Abra sua mente

Gay também é gente

Baiano fala "oxente"
E come vatapá


Você pode ser gótico

Ser punk ou skinhead

Tem gay que é Mohamed
Tentando camuflar
Alá, meu bom Alá


Faça bem a barba

Arranque seu bigode

Gaúcho também pode
Não tem que disfarçar


Faça uma plástica

Aí entre na ginástica

Boneca cibernética
Um robocop gay


Um robocop gay

Um robocop gay

Ai, eu sei, eu sei
Meu robocop gay


Ai como dói!






sábado, 22 de março de 2014

SPACE PIRATE CAPTAIN HARLOCK (2013)






por Quatermass


O filme de animação Space Pirate Captain Harlock (2013), se não satisfez a maioria, agradou um bocado aos fãs! Mais, resultou ser uma adaptação para a tela grande muito superior ao ‘live action’ Space Battleship Yamato (2010)


Por que motivo? Por uma série de razões. Tanto Capitão Harlock quanto Uchuu Senkan Yamato/Star Blazers/Patrulha Estelar são frutos das mãos e mente de um homem: Leiji Matsumoto.  Corrigindo, Yamato é filho de dois pais: Matsumoto e do produtor Yoshinobu Nishizaki. Disto resultou discrepâncias entre Yamato e as demais obras de Matsumoto. Em Yamato,  as histórias giram em torno dos seguinte valores: honra, bravura e auto-sacrifício; já em Capitão Harlock; a liberdade, amizade e lealdade se sobressaem. 








A questão da sexualidade também entra na roda: em Yamato a única mulher é  Yuki Mori, casta, assexuada e eterna namorada de Kodai; em Harlock, há duas mulheres: a alienígena beberrona La Mime e a sensual Kei Yuki (o jogo de nomes é proposital). Em Yamato não há lugar para amizades duradouras, já que volta e meia a tripulação é exterminada; enquanto que em Capitão Harlock o amigo do capitão, Tochiro, permanece em voga, mesmo quando em outro plano (que diga a temporada de 1978, Harlock SSX (1982), Gun Frontier (2002) e Endless Odissey (2002)









E daí, dirá o cinéfilo? Daí que quando transposto para os longas, esta diferença de paternidades torna-se evidente. Até hoje não entendo a obsessão de Matsumoto em matar Kodai e liquidar com o Yamato, já que por três vezes assistimos este triste final, inclusive no ’live action’.


Por sua vez o Arcadia é virtualmente indestrutível e nosso herói, imortal, muito semelhante à obra prima de Gerry Anderson, Capitão Escarlate (1967). A mensagem de Yamato é triste, beirando a melancolia: o sempre ‘último sacrifício para salvar a humanidade’. Em Harlock, nosso herói é o último baluarte em defesa do planeta Terra (e nem tanto pelos que nela habitam). Esta última mensagem fica muito forte em Space Pirate Captain Harlock.









Não há lugar para remorsos ou ‘mea culpa’: Harlock é pirata porque luta contra o governo corrupto da Terra, logo, passa por renegado.  Capitão Harlock possui a fleuma de um shogun, é impassível. Para nosso herói a liberdade é tudo e a razão de sua luta. Vale frisar que dois aspectos ressaltam aos olhos dos fâs: os roteiristas resgataram as longas batalhas espaciais e com elas o infindável arsenal de trapizongas, bem ao gosto de Matsumoto; e uma vez que Kei já era sex simbol, recauchutaram La Mime, erotizando-a até a nona potência (nada mal)! 


Mas vamos à história, um mix de Endless Odissey, Captain Harlock SSX e mais alguma coisa: no futuro o homem abandona a Terra. No ano de 2297 a raça humana se espalhou pela galáxia. Desejosos de retornar 500 bilhões de seres humanos travam inúmeras batalhas, conhecidas como Guerras de Retorno ao Lar. Só que o planeta agora está de quarentena e é brutalmente mantido pela Federação Gaia. Durante a guerra Harlock torna-se, como já disse, um renegado e tenta de todas as maneiras revelar o segredos que a corrupta federação tentou esconder por 100 anos.











Apesar de possuir um visual sensacional, a obra peca em dois aspectos: primeiro, a presença de Tochiro é por demais sucinta (o fã da série sente a falta do ‘amigo’), sendo substituído pelo imediato Yattaran; e, segundo, a trilha sonora mediana. Para quem já assistiu a temporada de 1978 e Endless Odissey, a falta de uma excelente trilha sonora se faz sentir. Mas não muito: a história é boa, ainda que para os padrões americanos seja muito complexa. 








Taí outra coisa que nunca entendi! E mais! Tô largando de vez o IMDb: atribui notas elevadas para Gravidade e Star Trek - Além da Escuridão sem grandes explicações. Obras por demais singelas se comparadas às tramas criadas por Matsumoto (que por sinal não assina o roteiro desta animação). Mas tudo bem: a mera presença do impávido Capitão Harlock, acompanhada de uma leve pitada de sarcasmo, desperta a imediata vontade de integrar sua tripulação!







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