sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O VÔO DA FÊNIX.






por Quatermass



Se, em Náufrago, Tom Hanks construiu uma embarcação, dotada de uma improvisada vela, que diria de construir um avião a partir dos destroços de outro? Esta é a ideia central de O Vôo da Fênix (The Flight of the Phoenix- 1965).


Durante uma viagem sobre deserto, um avião de transporte trazendo uma coleção de sujeitos irredutíveis cai em razão de uma tempestade de areia. Os sobreviventes têm diante de si um dilema: a divisão de liderança. 


Vários apresentam diferentes opções aos demais, mas que aos poucos vão caindo na real. Sobram duas alternativas: ficar e esperar ou construir um novo avião, juntando parte da asa e fuselagem com a outra asa.


Mas não é uma opção fácil! Há conflito entre dois dos protagonistas: o Capitão Frank Towns (James Stewart) e Heinrich Dorfmann (Hardy Kruger). São líderes natos, mas de convivência difícil e esta disputa perdura por todo o filme. O co-piloto, Lew Moran (Sir Richard Attenborough), é o intermediador entre os dois e destes com o grupo, representa o bom senso !


Em momentos de crise não bastam lideranças, deve haver clareza de ideias e determinação de alguns. E, por linhas tortas, é construído o avião. 













É um grande filme, baseado em conflito, conflito e mais conflito. O clímax: concluída a máquina voadora, é revelada a verdadeira profissão de Dorfmann e o tipo de aparelho que foi construído pelos sobreviventes, no qual depositaram todas as suas esperanças. 


Uma comparação é inevitável: se em náufrago a loucura da solidão instigou o protagonista a construir uma embarcação de troncos e vela metálica; em O Vôo da Fênix, a loucura decorrente do orgulho e não o calor inclemente do deserto foi o principal obstáculo.


A mensagem do filme de Robert Aldrich é clara: o homem é mais perigoso que o meio, pois ao mesmo tempo em que pode superar adversidades, pode também inviabilizar a própria sobrevivência. 


Chega-se a conclusão que, superando os prognósticos, foi Lew Moran quem realmente salvou o grupo. Mesmo aparentando inferioridade (em razão da bebida) ante os dois principais antagonistas, foi o único dotado da verdadeira lucidez durante a crise e o principal motivador do grupo. A superação começa assim: pelo autoconhecimento. 


 




Postado originalmente em 13.03.2008.


quinta-feira, 14 de julho de 2016

REINVENTAR-SE






Palavras interessantes do professor Clóvis de Barros Filho !

 

 

terça-feira, 19 de abril de 2016

A INCRÍVEL SAGA DOS ÍNDIOS TABAJARAS




por Thintosecco



Ao iniciar a leitura deste post, você deve pensar que estou de brincadeira, que quero fazer uma graça, ou até, quem sabe, alguma ironia.  Mas não é nada disso. Esse post contém, sim, uma crítica, mas sobretudo é uma homenagem.


Índios Tabajaras (ou Los Indios Tabajaras, como ficaram conhecidos no exterior) é o nome artístico de uma dupla de músicos de sucesso internacional, mais especialmente durante os anos 60, cuja trajetória é cheia de detalhes interessantes. Eles eram, de fato, índios; realmente da etnia tabajara e muitíssimo brasileiros.  


Ao conhecer a história dessa dupla, possivelmente te ocorrerá o seguinte pensamento: isso é demais para ser verdade !  Agora, se você pensa como eu - que creio que a realidade às vezes (muitas vezes) é mais impressionante que ficção - então está preparado para conhecê-la !









Para quem não conhece a fantástica história dos Índios Tabajaras ela poderá, à primeira vista, parecer inverídica. Principalmente considerando-se de onde vieram - são índios brasileiros autênticos, da raça tupi-tabajara, nascidos na remota e agreste serra de Ibiapaba, dentro do então isolado município cearense de Tianguá, na divisa com o Piauí - e tendo alcançando, no chamado mundo civilizado, o que alcançaram. 


Na língua tupi, receberam os nomes de Muçaperê e Erundi, que significam O Terceiro e O Quarto, pois estavam nessa ordem de nascimento dos filhos do cacique Ubajara, ou Senhor das Águas, ao todo trinta e quatro irmãos.

(Trecho extraído de artigo publicado no Portal Luís Nassif)




Em 1933, a família migrou a pé rumo ao Rio de Janeiro. A caminhada durou cerca de três anos nos quais a dupla entrou em contato com cantadores e violeiros das regiões pelas quais passaram.
 

Chegando ao Rio de Janeiro, por interferência do tenente Hildebrando Moreira Lima, registram-se com novos nomes, Antenor e Natalício. Em torno de 1945, fizeram uma primeira apresentação na Rádio Cruzeiro do Sul do Rio de Janeiro utilizando o nome de Índios Tabajaras.


(extraído do site Dicionário da MPB Cravo Albin)








Resumindo a história e pegando algo de outras fontes: Muçaperê e Erundi viviam em uma tribo isolada, no interior do Ceará. Após serem "descobertos" por uma expedição militar - ocasião em que lhes foi dito que cantavam bem - iniciaram uma jornada a pé até o Rio de Janeiro. No caminho, conheceram e aprenderam a tocar violão, instrumento que viriam a dominar.


Entretanto, passaram anos de dificuldades no Rio e assim que começaram a fazer algum sucesso, foram levados por um empresário a Buenos Aires.


Foi o inicio de uma trajetória de sucesso nos países de língua espanhola da  América Latina, interpretando músicas populares em belas versões instrumentais.  Ao longo de anos, gravaram muitos discos e realizaram inúmeras apresentações. Ignorados no Brasil, lá foram começavam a ganhar fama "Los Indios Tabajaras", como eram chamados.

Porém o mais impressionante estava por vir. Chegam à América do Norte, chegando a gravar um LP nos Estados Unidos, "Sweet and Savage", sem muita repercussão no início. E no México aparecem num programa apresentado pelo então jovam ator Ricardo Montalban, ocasião de um episódio que daria novo impulso em suas carreiras.


CuriosidadeO ator Ricardo Montalban - personagem importante na história dos Índios Tabajaras -  ficou muito conhecido no Brasil pelo papel de "Sr. Roarke" no seriado "A Ilha da Fantasia". Mas também foi o vilão Khan em Jornada nas Estrelas, série clássica, e no filme "A Ira de Khan".







O episódio: Querendo referir-se ao fato de que tocavam apenas "de ouvido", Montalban chamou-os de "analfabetos musicais", circunstância que os deixou incomodados e levou-os à decisão de estudarem música a fundo.


Durante alguns anos, dedicam-se ao estudo da música erudita, inclusive com a ajuda de maestros, e Natalício (Nato Lima) adapta seu violão para alcançar notas mais altas e, assim, poder tocar peças feitas para piano. Adaptam obras de  Villa-Lobos, Tchaikovsky, Sibelius, Tárrega, Chopin e outros.






Tornam-se músicos respeitados e apreciados no mundo todo. Além da América Latina, apresentam-se nos Estados Unidos, Europa, Japão e outros países asiáticos. Curiosidade: o single de seu maior sucesso, Maria Elena, vendeu nos EUA, no ano de 1963, mais cópias que o primeiro álbum de uma certa banda de rock, então novidade: os Beatles.


Nada mau para quem veio de tribo indígena, sequer sabendo falar o português. Nato Lima viveu seus últimos anos em Nova Iorque, sendo admirado e respeitado por  artistas do porte de um Carlos Santana, por exemplo. Porém, no Brasil, seu país natal, os Índios Tabajars são quase que desconhecidos.








Esse post é uma homenagem aos índios brasileiros, no dia que lhes foi designado. Índios brasileiros que, não raro, são menosprezados e esquecidos, infelizmente.





  

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