sábado, 12 de abril de 2014

ROBOCOP (2014)






por Quatermass



Não foi desta vez que Hollywood nos brinda com uma sequência à altura de Robocop (1987). O Robocop (2014) do brasileiro José Padilha não passou de uma releitura estranha e fútil do ciborg de Paul Verhoeven. O filme é no mínimo estranho. Ao contrário de Tropa de Elite, o diretor José Padilha se sentiu numa ‘terra incognita’. Pior: não seguiu os passos do diretor holandês e assim cometeu uma série de equívocos.


Paul Verhoeven sempre soube dosar violência com uma história bem contada. Os excessos sempre são maquiados graças à dinâmica narrativa. Em Robocop presenteou-nos com uma mídia informativa envolvente, boba, engraçada, com ares de seriedade, tal qual o Jornal Nacional. Em Starship Troopers (1997), a propaganda de guerra quebrava a monótona rotina militar e suas batalhas sem fim. Com isto inteligentemente quebrava, por vezes, a inércia ou excesso de testosterona, impondo em seguida um ritmo diferente. Como resultado prendia a atenção do espectador até o previsível fim.








O primeiro Robocop era um filme extremamente equilibrado: por vezes assistíamos noticiários, o ritual de passagem de Alex Murphy, os tiroteios e os vilões. O mix continuo gerava a fórmula de sucesso. A questão familiar foi inteligentemente reduzida, para não comprometer a dosagem. Infelizmente os sucessores não entenderam seu ‘modus operandi’ e assim passaram a dar tiros ao léu.







O Robocop 2 (1990) de Irwin Kerschner imitou o noticiário anterior sem brilho; colocou o herói deslocado ao lado de um delinquente infanto-juvenil, que no meio da película é executado pelo malfeitor Cain, que por sua vez, tem seus miolos esmagados, num close absurdamente desnecessário (para falar a verdade, mais parecia a intenção do diretor em fazer o mesmo com o cérebro do cinéfilo). Resumindo: por demais apelativo, de mau gosto e sem graça. 


O terceiro filme (1993) teve a distinção de dar asas ao policial Murphy, voando em meio ao nada, de forma tão espontânea, patética e original quanto uma mula pintada de zebra num circo de periferia. E depois vieram as tentativas de ressuscitar o moribundo através de seriados que não colaram e por fim o tão esperado filme de José Padilha. Toda a vez que se gera uma expectativa dá nisso: decepção!







Mudar das favelas do Rio de Janeiro para Detroit exige uma necessária aclimatação. Padilha esqueceu disso: a polícia americana não é o BOPE.  Da esperta dosagem entre ação, drama e ficção, José Padilha também esqueceu. Mais que isso, fez o oposto de Verhoeven: acresceu o drama familiar, tornando o filme insuportavelmente arrastado. Por vezes o cinéfilo pergunta: isso é tudo? Não há mais nada? Como se não bastasse, reduziu desnecessariamente a bela trilha de Basil Poledouris numa marchinha besta no início e enfiou goela abaixo uma trilha sem sentido até o final.







Por instantes, a ótima atuação de Gary Oldman até nos faz esquecer que estamos assistindo um filme medíocre, mas sozinho não dá conta do resto! Agora, o ‘gran finale’: o tratamento da mídia. Padilha se superou: nunca vi Samuel Jackson tão afetado, ridículo e inconsequente como o apresentador Pat Kovac. A abertura trata da invasão de Teerã pelos Estados Unidos na ‘Operation Tehran Freedom’!!!!!!! E o resto do país? Provavelmente com os persas! 







Ao final xinga histericamente os políticos  e posa ao lado de uma bandeira americana. Só a descrição já bastaria para ser Caesar Flickerman, o chefe de cerimônias de Jogos Vorazes. Em suma José Padilha errou feio: não diz a que veio e o porquê da palhaçada. Achou que faria igual ou melhor que Paul Verhoeven sem ao menos entendê-lo. Como também não entendeu Robocop


Disso tudo só restou a seguinte interpretação: na verdade não fez o filme pensando no homônimo dos anos oitenta, mas no dos anos noventa. Já pensou? Um brasileiro homenageando os saudosos ‘Mamonas Assassinas’ e seu Robocop? Segue a letra abaixo e veja se não há semelhança!  


Robocop Gay 


Um tanto quanto másculo

Ai, com M maiúsculo

Vejam só os meus músculos
Que com amor cultivei


Minha pistola é de plástico

Em formato cilíndrico

Sempre me chamam de cínico
Mas o porquê eu não sei


O meu bumbum era flácido

Mas esse assunto é tão místico

Devido a um ato cirúrgico
Hoje eu me transformei


O meu andar é erótico

Com movimentos atômicos

Sou um amante robótico 
Com direito a replay


Um ser humano fantástico

Com poderes titânicos

Foi um moreno simpático
Por quem me apaixonei


E hoje estou tão eufórico 

Com mil pedaços biônicos 

Ontem eu era católico 
Ai, hoje eu sou um Gay!


Abra sua mente

Gay também é gente

Baiano fala "oxente"
E come vatapá


Você pode ser gótico

Ser punk ou skinhead

Tem gay que é Mohamed
Tentando camuflar
Alá, meu bom Alá


Faça bem a barba

Arranque seu bigode

Gaúcho também pode
Não tem que disfarçar


Faça uma plástica

Aí entre na ginástica

Boneca cibernética
Um robocop gay


Um robocop gay

Um robocop gay

Ai, eu sei, eu sei
Meu robocop gay


Ai como dói!






sábado, 22 de março de 2014

SPACE PIRATE CAPTAIN HARLOCK (2013)






por Quatermass


O filme de animação Space Pirate Captain Harlock (2013), se não satisfez a maioria, agradou um bocado aos fãs! Mais, resultou ser uma adaptação para a tela grande muito superior ao ‘live action’ Space Battleship Yamato (2010)


Por que motivo? Por uma série de razões. Tanto Capitão Harlock quanto Uchuu Senkan Yamato/Star Blazers/Patrulha Estelar são frutos das mãos e mente de um homem: Leiji Matsumoto.  Corrigindo, Yamato é filho de dois pais: Matsumoto e do produtor Yoshinobu Nishizaki. Disto resultou discrepâncias entre Yamato e as demais obras de Matsumoto. Em Yamato,  as histórias giram em torno dos seguinte valores: honra, bravura e auto-sacrifício; já em Capitão Harlock; a liberdade, amizade e lealdade se sobressaem. 








A questão da sexualidade também entra na roda: em Yamato a única mulher é  Yuki Mori, casta, assexuada e eterna namorada de Kodai; em Harlock, há duas mulheres: a alienígena beberrona La Mime e a sensual Kei Yuki (o jogo de nomes é proposital). Em Yamato não há lugar para amizades duradouras, já que volta e meia a tripulação é exterminada; enquanto que em Capitão Harlock o amigo do capitão, Tochiro, permanece em voga, mesmo quando em outro plano (que diga a temporada de 1978, Harlock SSX (1982), Gun Frontier (2002) e Endless Odissey (2002)









E daí, dirá o cinéfilo? Daí que quando transposto para os longas, esta diferença de paternidades torna-se evidente. Até hoje não entendo a obsessão de Matsumoto em matar Kodai e liquidar com o Yamato, já que por três vezes assistimos este triste final, inclusive no ’live action’.


Por sua vez o Arcadia é virtualmente indestrutível e nosso herói, imortal, muito semelhante à obra prima de Gerry Anderson, Capitão Escarlate (1967). A mensagem de Yamato é triste, beirando a melancolia: o sempre ‘último sacrifício para salvar a humanidade’. Em Harlock, nosso herói é o último baluarte em defesa do planeta Terra (e nem tanto pelos que nela habitam). Esta última mensagem fica muito forte em Space Pirate Captain Harlock.









Não há lugar para remorsos ou ‘mea culpa’: Harlock é pirata porque luta contra o governo corrupto da Terra, logo, passa por renegado.  Capitão Harlock possui a fleuma de um shogun, é impassível. Para nosso herói a liberdade é tudo e a razão de sua luta. Vale frisar que dois aspectos ressaltam aos olhos dos fâs: os roteiristas resgataram as longas batalhas espaciais e com elas o infindável arsenal de trapizongas, bem ao gosto de Matsumoto; e uma vez que Kei já era sex simbol, recauchutaram La Mime, erotizando-a até a nona potência (nada mal)! 


Mas vamos à história, um mix de Endless Odissey, Captain Harlock SSX e mais alguma coisa: no futuro o homem abandona a Terra. No ano de 2297 a raça humana se espalhou pela galáxia. Desejosos de retornar 500 bilhões de seres humanos travam inúmeras batalhas, conhecidas como Guerras de Retorno ao Lar. Só que o planeta agora está de quarentena e é brutalmente mantido pela Federação Gaia. Durante a guerra Harlock torna-se, como já disse, um renegado e tenta de todas as maneiras revelar o segredos que a corrupta federação tentou esconder por 100 anos.











Apesar de possuir um visual sensacional, a obra peca em dois aspectos: primeiro, a presença de Tochiro é por demais sucinta (o fã da série sente a falta do ‘amigo’), sendo substituído pelo imediato Yattaran; e, segundo, a trilha sonora mediana. Para quem já assistiu a temporada de 1978 e Endless Odissey, a falta de uma excelente trilha sonora se faz sentir. Mas não muito: a história é boa, ainda que para os padrões americanos seja muito complexa. 








Taí outra coisa que nunca entendi! E mais! Tô largando de vez o IMDb: atribui notas elevadas para Gravidade e Star Trek - Além da Escuridão sem grandes explicações. Obras por demais singelas se comparadas às tramas criadas por Matsumoto (que por sinal não assina o roteiro desta animação). Mas tudo bem: a mera presença do impávido Capitão Harlock, acompanhada de uma leve pitada de sarcasmo, desperta a imediata vontade de integrar sua tripulação!







segunda-feira, 3 de março de 2014

A MÚSICA DO ULTRASEVEN





por Thintosecco



Como sabem os mais antigos, Ultraseven foi um seriado japonês produzido em 1967-68, em sequência ao sucesso de seu "irmão mais velho", o Ultraman. Ambos foram criados por Eiji Tsuburaya e são referências no gênero de ficão que hoje sabemos chamar-se Tokusatu. Aqui no Brasil foram um verdadeiro vício da gurizada dos anos 70, tal como os animes de hoje.










Muito embora o Ultraman original seja mais lembrado, há quem diga que Ultraseven foi a obra-prima de Tsuburaya. O personagem tem uma grande legião de fãs e um dos detalhes que mais deixou saudade foi sua trilha sonora, de autoria de Toru Fuyuki, muito provavelmente a melhor de toda a franquia Ultra, que continua até hoje no Japão, com força.

Vou lembrar aqui a música do Ultraseven numa execução muito especial, realizada em 13 de março de 2009 no Tokyo Opera City Concert Hall, pela Orquestra Sinfônica de Tóquio, conduzida pelo próprio Toru Fuyuki e acompanhada por coral de crianças. E com um convidado de honra no palco.

Segue um trecho do concerto. Muito bom!   




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