quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

APOCALYPSE NOW

por Quatermass

Apocalypse Now é o melhor filme de guerra já realizado. Esqueça Platoon & cia, não há comparações. Francis Ford Coppola é O DIRETOR. Oliver Stone é... Oliver Stone: tenta criar polêmica e de estar no meio desta e só. Se lutou no Vietnã, dele não tirou nenhuma lição! Só faz clichê. Voltando a Apocalypse, o filme é uma releitura do livro O Coração das Trevas do polonês Joseph Conrad, e atrevo-me a dizer que melhor. A viagem pelo interior da África é substituída pela do Sudeste Asiático. Nosso herói, Capitão Willard, interpretado por Martin Sheen tem ordens de eliminar um oficial americano de alta patente, o Coronel Kurtz (Marlon Brando), que pirou, criou um exército próprio e se escondeu na fronteira com o Camboja. Deve navegar por via fluvial até seu destino e é pelo rio que o diretor nos apresenta o Vietnã.


Por que digo que é o melhor filme de guerra? Porque é um filme de guerra sem hipocrisias: sem lado bom ou lado ruim, ou os dois. A viagem de Willard é uma viagem pela loucura das guerras, sua mensagem é universal: pode-se identificar qualquer conflito neste filme, com pequenas modificações. A abertura do filme é antológica, aliás, todas as suas cenas são antológicas. O Comandante da 1ª Divisão de Cavalaria Aerotransportada, Coronel Kilgore, interpretado por Robert Duval, que adora sentir cheiro de napalm pela manhã e que está mais preocupado com o tamanho das ondas para prática do surfe é impagável.


O que o filme faz é apresentar um desfile de sandices. Mas não é escracho! É o real, a verdadeira face da guerra. Que as guerras são conduzidas pelos insanos que mandam e pelos que empunham armas – constatação do próprio Willard. Mas que também é preciso coragem para tanto – que é afirmado por Kurtz. E isto, a maioria dos filmes não mostra; ao contrário, tentam impor conceitos como resignação, sacrifício, atos de bravura – mera propaganda. Questões éticas, morais, o nazismo, o fascismo, o comunismo, a democracia, liberdade, religião, etnia, que importa? Não é a questão central do filme. A guerra não é causa nem conseqüência. A guerra é loucura. É uma lógica mal explicada; melhor dizendo, uma ilógica bem explicada, imposta, manipulada. Encontrar nexos ou fundamentos para ideologias? Sempre haverão motivos torpes que, se já não existem, com certeza serão criados para justificarem bestialidades.


Esta é a mensagem de Apocalypse Now. Enquanto Oliver Stone tenta mostrar sabe-se lá o quê em Platoon, Nascido em 4 de Julho, JFK e outros, exorcizando, justificando, martirizando ou procurando culpados, Coppola nos ensina através dos EUA, que qualquer conflito só desencadeia um percepção: o horror.



1 comentários:

Mestre Splinter disse...

Esse filme é foda, à altura dele só mesmo este post...!

...aquela cena do sacrifício tem o prturbador costume de me voltar à cabeça de vez em qüando...

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