domingo, 24 de fevereiro de 2008

NÁUFRAGO

por Quatermass

Destino. Será este o cerne do filme de Robert Zemeckis? Destino está ligado à fatalidade, a irreversibilidade, a imutabilidade, a resignação. Diga-se de passagem, que esta não é a mensagem de Náufrago (Cast Away – 2000). Tanto o início como o final do filme mostram uma encruzilhada. Encruzilhada significa um ponto onde atravessam diferentes caminhos, rumos, mas também destinos se quiserem. O diretor muito sutilmente expõe a coisa da seguinte maneira: não existem situações irreversíveis, sempre há uma segunda oportunidade, um segundo caminho, uma alternativa. Cabe a nós saber distingui-la. Recém noivo, Chuck Noland (Tom Hanks) parte para mais um compromisso pela FEDEX. Tragicamente, o seu avião cai em alguma parte do imenso Oceano Pacífico, próximo a uma ilhota isolada do resto do mundo. Como único sobrevivente e extremamente organizado (ou auto-controlado), passa a pôr-se a par de sua real situação. Conclusão obtida: nada boa – a maré dificulta a saída de embarcação para mar aberto. Então, passa a esperar por uma oportunidade, o momento certo. E o momento passa, passa, e vai passando. Até que um dia vê chegar à praia um objeto metálico com o qual poderá servir como vela em sua embarcação. Com entusiasmo renovado, traça novos planos. Finalmente escapa por mar e é resgatado dias depois. No entanto, transcorrido tanto tempo, sua noiva o deu por morto e tratou de seguir sua vida.

Talvez o ponto alto do filme não seja o início e o meio, reconhecidamente excelentes, mas o final, que consegue ser ainda melhor. Ao constatar que após passar por tanto sofrimento, algo o preservava vivo, uma força interior o estimulava a viver dia após dia, e esta forma de instinto deveria ser mantido mesmo após resgatado. Se antes, o objetivo era a espera de uma vela trazida pela maré, agora seria continuar perseverando pela vinda de outra dádiva e com ela o significado de sua provação. Que mensagem nos passa! Verdadeira aula de auto-superação, muitas vezes, é a mais pura verdade: todos nós temos uma força interior que nos instiga. A nota triste é que às vezes muitos nascem, padecem e morrem sem saber o dom que carregam!

Que tal dar uma praticada no espanhol?



A trilha desse filme também é algo, como se pode conferir na palhinha do vídeo abaixo.


2 comentários:

Bianca disse...

Olá Quatermass!!!
Excelente postagem,este filme eu gostei muito e até assisti duas vezes(raridade eu ver o mesmo filme mais de uma vez).
Uma coisa que me emocionou muito no filme foi o fato do personagem ter criado um amigo imaginário,a bola de vôlei virou o único e melhor amigo de Chuck e aquele momento em que ele briga com Wilson,jogando a bola longe e depois desesperado corre para achar o suposto amigo.
Pesquisei mais sobre o filme e achei um comentário muito bom,o qual copiei:
“Nós vivemos e morremos segundo o relógio”

Essa afirmação nos é imposta por Chuck Noland (Tom Hanks), um funcionário da FEDEX; uma das maiores empresas de entregado mundo e reconhecida por sua rapidez e eficiência. Uma afirmação que poderia ser ignorada ou considerada irrelevante se não fosse tão tristemente verdadeira. O relógio é uma parte tão intrínseca de nossa vida que posso confirmar que é impossível viver longe de sua ditadura. E, diante dessa armadilha em que criamos para nós mesmos, vamos deixando o tempo passar, esquecendo que o mais importante na vida não é viver de acordo com o horário, mas aproveitar o tempo que temos para sermos felizes.
"Parece absurdo? Parece inviável?
Tem alguma obrigação que você pode deixar para amanhã sem grandes problemas? Então deixe e no lugar dela faça alguma coisa genuinamente prazerosa. Infelizmente não podemos desfrutar todos os minutos do dia, mas a mensagem que ‘Naufrago’ carrega é um SOS, um alerta aos escravos do dever e que vive como se estivesse no ‘piloto automático’.
Partindo de uma comprovação e desmistificação da afirmação de Noland é que os pilares da produção são construídos. Por incrível que pareça o filme não perde a qualidade de narração no segundo ato, onde o personagem de Hanks’ divide’ a cena apenas com seu amigo imaginário Wilson; materializado em uma bola de vôlei; muito pelo contrário, seu problema está exatamente no início e na parte final da trama. Aliás ‘Naufrago’ é um exemplo concreto de que não existe fórmula para um bom roteiro; primeiro porque consegue inserir o problema central nos primeiros 30 minutos de filme, mas em detrimento de uma filmagem acelerada no primeiro ato, fazendo com que a vida de Noland pareça um inferno e quase nos faz acreditar que se ele não fosse parar naquela ilha, provavelmente, teria um enfarte. O único problema é que a ilha em si é extremamente inóspita e essa hostilidade do ambiente é que nos envolve para torcer para que Noland volte para a ‘civilização’. Ou seja, o começo turbulento comprometeu completamente a primeira parte e como se não bastasse William Broyles Jr. opta por um desfecho convencional, pouco criativo e decepcionante. A grande compensação está na parte central do filme que é excelente. A interpretação de Tom Hanks (Prenda-me se for Capaz) é um show e o ator consegue cativar a atenção do espectador com facilidade. Durante o desenrolar das desventuras de Noland, vemos um homem regido ao extremo pelo doutrina de ‘tempos e movimentos’, preso em uma ilha, absolutamente impotente em relação aos compromissos, em um local esquecido pelo cronômetro. O elo entre Noland e a hora marcada, passa a ser simbolizado pelo relógio de bolso, presente de sua namorada (Helen Hunt), mas que teve a sua importância transferida dos ponteiros para a capa do mostrador, onde se encontra o retrato da moça. E nesta transição da atenção é que Noland percebe o que era realmente importante e o relógio passa a ser nada mais do que um porta-retrato. Simplesmente uma moldura para que ele admire o rosto de Kelly.
Vivendo uma situação tão adversa, Noland projeta seu amigo imaginário na bola de vôlei Wilson, um ‘personagem’ inventado para ser a ‘válvula de escape’ dos pensamentos do protagonista e desta maneira dispensando não só a locução em off como o narrador (o que foi uma ótima percepção do roteirista). No entanto o talento de Hanks (Forrest Gump) extrapolou a si próprio e não só deu vida para Wilson, como fez com que o público, despercebidamente, estabelece uma afinidade com o ‘objeto’".
http://www.movieguide.com.br/filme.view.php?id_filme=331

Mestre Splinter disse...

...Bueno, vou ter de ver esse filme, entonces...

...mas agora, se dublagem em português já é buxa, em español então é p'ra matar!...




...y esto no es ''preconceito'' mio, como bien ves...hehehe...

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