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domingo, 24 de março de 2013

MAJOR TOM







por Thintosecco



Major Tom, do cantor e compositor alemão Peter Shilling. Esta é a música do comercial da grife Lança Perfume que está passando nos intervalos da tevê Globo. Editada, claro.

Viajaram 30 anos no tempo para buscar essa! Originalmente lançada em alemão, em 1982, ganhou o mundo no ano seguinte, na versão em inglês.

Seu título seria uma homenagem a uma outra música: Space Oddity, do David Bowie. Mas, como tocava nas rádios na época do surgimento do vídeo game Atari no Brasil, é dele que lembro quando a escuto.  Não deveria dizer isso, mas... essa é do meu tempo!

Para saber mais, sugiro uma visita ao blog MUSICOPEIA.

Segue o clipe. 

Four, three, two, one...  Valeu!




quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

MICRO SISTEMAS



por Thintosecco



Os anos 80 foram um tempo de experiências, descobrimentos e amizades. Meus primeiros contatos com a informática foram lá pelos idos de 1983, ocasião em que tive a oportunidade de conhecer um “magnífico” TK-82C.



Magnífica na verdade precisava ser a paciência do usuário. Aquela máquina dispunha de ínfimos 2Kb de memória RAM e o carregamento dos programas no sistema era extraordinariamente lento: ou estavam gravados em fitas cassete que levavam de cinco a dez minutos para leitura, ou pior: deveriam ser digitados, comando por comando, diretamente pelo usuário.


Mesmo assim, quando um saudoso amigo - o Roger - me emprestou uma dessas máquinas por alguns dias, foi simplesmente o máximo que um jovem nerd da época poderia desejar.




A seguir vieram os vídeo-games (Atari e Odissey) e “dei um tempo” para os computadores. Mas retornei alguns anos depois, já com objetivos profissionais. Começando de baixo, ingressei num curso de digitação da – até então - respeitada escola Data Control, em Porto Alegre.


O mais importante daquele curso foi a início de uma grande amizade, já que foi então que conheci o Luciano, que os leitores deste blog conhecem como MrOx. Desde logo descobrimos uma afinidade: os games, é claro.




Criamos uma rotina: nossas aulas na Data Control sempre terminavam com uma ida a um fliperama. Dá-lhe jogar Cabal! E Elevator Action, Galaga e outras fissuras da época. Mas naquela nossa "terapia", discutíamos sobre tudo: computadores, carros, filmes, gatas e projetos para o futuro.


É verdade que o tempo demostrou a inviabilidade de alguns sonhos. Mas também é verídico que vários desejos, com trabalho e dedicação, amadureceram e chegaram à realidade. Que o diga meu colega, hoje formado em ciências da computação, e gerenciando seu próprio negócio.

Quanto a mim, segui outra área, mas consegui o empreso estável que procurava, uso computador direto no trabalho, e, quando possível, toco O Planeta é Nosso!




Sabem, naqueles tempos eu sempre carregava na pasta uma revista chamada Micro Sistemas, que foi a primeira e - por bastante tempo - a melhor publicação na área de informática no Brasil. A motivação deste post foi recentemente ter encontrado na rede vários números da velha e saudosa Micro Sistemas, que vocês podem conferir no site Datacassete.


É curioso voltar a folhear aquelas páginas hoje em dia.
Também dá o que pensar como a microinformática, que já foi verdadeiramente “micro”, pode ser hoje globalmente gigantesca.


E quase não parece verdade, mas houve um tempo em que os micros não precisavam de um sistema operacional! Os comandos essenciais para o funcionamento da máquina já constavam na memória ROM (ou seja, estavam gravados nos chips) e eram próprios de cada fabricante.


Não se imaginava que uma empresa viesse a deter o monopólio (ou quase) sobre isso. Ou, pelo menos, não antes que o "titio" Bill Gates pronunciasse a palavra mágica "D.O.S." numa reunião histórica - e picareta - com executivos da IBM (se você não entendeu, procure assistir ao filme "Piratas da Informática", que descreve esse episódio em detalhes).


Ainda sobre a informática dos 80s... Que dizer dos programadores da época? Muito mais criativos, até em razão das limitações do hardware. Guardei na memória o nome de
alguns criadores de jogos, como Alexey Pajitnov (criador do Tetris), Jordan Mechner (Karateka e Prince of Persia), Sid Meyer (Civilization), entre outros gênios.



MICRO SISTEMAS ON LINE. E TRON.


Por fim, há quem diga que nada ocorre por acaso. Enquanto preparava este post, descobri que a Micro Sistemas está voltando, em versão virtual, que pode ser conferida neste link.





E não é que lá encontrei a melhor matéria que li até agora sobre os filmes Tron (1982) e Tron, o Legado (2010)? AQUI.



Curiosamente, lá nas páginas da velha Micro Sistemas estão chaves para entender o universo de Tron.


No início dos anos 80 os raros usuários de microcomputadores eram verdadeiros "iniciados": conheciam as máquinas, criavam e alteravam programas - talvez hoje quem trabalha com sistemas Linux esteja mais próximo daquela realidade - e então faz sentido quando, no filme, os usuários são tidos como divindades - criadores - no mundo virtual.


Outro aspecto é a importância dos jogos. Ainda hoje os games servem de parâmetro para avaliar a capacidade de um computador: será que essa máquina roda a última versão do Need for Speed sem uma placa aceleradora? - é o tipo de pergunta que muitos se fazem quando compram um micro. Naqueles tempos era assim e muito mais, especialmente pelo perfil nerd dos usuários dos anos 80.


Pois é, Tron e Micro Sistemas, de volta quase 30 anos depois. Se coincidência não existe, como dizem alguns, será que algo ficou esquecido lá atrás? Enquanto não encontro uma resposta, deixo
um abraço aos amigos, em especial ao meu velho parceiro de games e filosofias. E boa sorte à nova Micro Sistemas.

No vídeo: uma cena antológica de Tron (1982).


sábado, 14 de agosto de 2010

JOURNEY



Thintosecco



É, me descupem, mas neste fim-de-semana o saudosismo dos anos 80 tomou conta do blog. Mas em breve os velhos filmes, a ficção científica e assuntos afins retornarão ao planeta, não se preocupem.

Mas esses dias fui surpreendido por minha mana com a seguinte notícia: "Sabe qual é a banda antiga que voltou? O Journey." Fiquei intrigado. E me deu uma certa saudade. Vocês conhecem a expressão "cuspir no prato que comeu". Pois me dei conta que fiz isso com essa banda e outras da mesma época.



Explicando, vou voltar um pouco na história do rock, até a segunda metade dos anos 1970, quando o rock mais elaborado e experimentalista, que recebeu o rótulo de Progressivo, começou a perder espaço (e qualidade, admito...).

Foi então que diversos grupos migraram daquela vertente em direção ao pop/rock. No geral, esses grupos produziram músicas marcadas pelo instrumental mais ou menos rico e ligeriamente pesado, alidado a letras simples e românticas. Em seguida surgiu na crítica o rótulo
Rock Arena, do qual nunca ouvi uma definição clara, mas que pode servir para indicar esse pop/rock com pitadas de progressivo e heavy metal.



Estou falando sobre bandas como o Kansas (os autores de Dust In The Wind), Asia (formado por respeitáveis ex-membros de bandas progressivas como Yes e Emerson Lake & Palmer ) Toto (de Rosana e Africa, acho que pode ser incluído), Survivor (todo mundo gosta de Eye Of The Tiger...) e, entre outros, o Journey.



Essas bandas tinham outros detalhes em comum, especialmente aqui no Brasil. Suas músicas serviam de trilha para aqueles velhos comerciais do cigarro Hollywood, com imagens de esportes radicais e gente bonita na praia. Sabem, eu era adolescente e curtia aqueles comercias (e nem por isso me tornei fumante) e passei a curtir também as respectivas bandas, antes de passar a ouvir o rock "de responsa", tipo Pink Floyd ou Led Zeppelin.


De certa forma, ouvir bandas como o Journey e cia. serviu como uma ponte para depois ouvir os grandes dinossauros do rock. Só que passei a renegar tais bandas como comerciais, vendidas. Injusto, no caso.


E quanto ao retorno do Journey? Bem, eu não ouvia falar nessa banda desde o final dos anos 80, depois da saída do vocalista Steve Perry. Começou então o entra-e-sai-da-banda, que não emplacou mais. Parece que o Steve Perry tentou voltar, já nos anos 2000, mas a saúde não ajudou.




Foi então que o improvável aconteceu. Sem jamais desistir de encontrar outro bom singer para a banda, em 2008 o guitarrista Neal Schon resolver arriscar a sorte na internet.

Durante vários dias, passou horas navegando no You Tube. E descobriu a existência de uma banda cover em Hong Kong, cujo vocalista pareceu-lhe até "cantar bem demais para ser verdade", mas entrou em contato pelo próprio You Tube. Do outro lado do mundo, o até então desconhecido vocalista filipino Arnel Pineda a princípio não acreditou no contato, mas por insistência de um amigo, que lhe advertiu que poderia estar disperdiçando a chance de sua vida, acabou respondendo o convite. Era verdade.





Com Pineda, o Journey lançou o álbum Revelation e, em pleno 2010, quase 30 anos depois de seu auge, parece de volta aos tempos dos comerciais do Hollywood! Podem conferir nos vídeos aí. Uma história surpreendente e que curiosamente remete ao título do maior sucesso da banda: "Don't Stop Believing".


A verdade é que o Journey não é uma banda de primeira, porém não pode ser chamado de descartável. Provou o contrário.

Postagem em parceria com o blog Vintage69 com agradecimento especial à Fê. Valeu!








Link:

http://dontstopbelievinblog.blogspot.com/


sábado, 24 de abril de 2010

A REVANCHE DOS PIXELS

Seguem dois vídeos com manifestações explícitas de saudosismo pelos vídeo-games dos anos 80. Menos realismo e mais diversão, acreditem! Quanto ao segundo vídeo, será que alguém se lembrou do velho Karateka, dos tempos do Apple II?



domingo, 25 de outubro de 2009

ACREDITE SE QUISER...


Thintosecco



A propósito dos mistérios postados aqui há alguns dias pelo Luciano, lembrei do programa Acredite Se Quiser. No caso, do programa exibido pela Rede Manchete nos anos 80, apresentado pelo ator Jack Palance e com dublagem (boa) da Herbert Richers. Aquele programa era uma salada mista de coisas ou fatos curiosos ou até bizarros, cuja abordagem variava desde o puro sensacionalismo até reportagens mais ou menos sérias. Nunca vi a versão mais moderna, mas tenho saudade do velho programa, que tinha também um ótimo tema de abertura, composto por (ele de novo!) Henry Mancini.






Esse programa tem uma origem interessante, sendo derivado de uma coluna de jornal, criada pelo cartunista Robert Ripley no distante ano de 1918. Ele recolheu informações de curiosidades, durante anos, que foi relacionando em sua coluna, que foi publicada durante muito tempo em diversos jornais do mundo. Se não me engano, até aqui no Rio Grande, no tempo do Correio do Povo em formato antigo (o "correião"), existia a coluna "Acredite Se Quiser".



No último vídeo, um bom momento do programa, com uma matéria sobre Thomas Edison e Henry Ford. No mais, mistérios sempre haverão de "pintar por aí". E aqui no blog também.


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Sexta à noite em San Francisco. E aqui também!



Gosto de colocar um som no blog nas noites de sexta-feira. Hoje trago um som acústico que me surpreendeu e abriu os ouvidos (ao menos um pouco...) para música de qualidade, ainda em meados dos anos 80. Graças às aulas de música no Colégio Piratini. E ao colega que levou esse disco à aula!


No vídeo abaixo, a mesma música, Mediterraean Sundance, com as feras Paco de Lucia e Al Di Meola mostrando sua arte!


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

PIRATAS DA INFORMÁTICA

por Quatermass


Quem é que gosta do titio Bill Gates?

Dizem as más línguas que é gênio, mas que nunca criou nada; um aproveitador de idéias alheias, principalmente de Steve Jobs; um espertalhão que blefou diante dos executivos da IBM, dizendo possuir um sistema operacional chamados DOS (e que na verdade só tinha o nome na cabeça, mais nada), permitindo surrupiar da empresa o que ela havia criado de melhor: uma interface gráfica posteriormente chamada de Windows, o mouse, e outras coisas inúteis hoje em dia. Piratas da informática (Pirates of Silicon Valley – 1999) não é daqueles semi-documentários maçantes, que para cada cena consta legenda com local, data e hora; ao contrário, a narrativa é bem dinâmica e por demais sarcástica. Basicamente, conta a história paralela de Steve Jobs e Bill Gates. No fundo, dois gênios: o primeiro, visionário; o segundo, que conseguiu transformar em dinheiro juntando um punhado de idéias alheias.


Mas sejamos francos, há méritos nisto tudo porque se dependêssemos da IBM, sua interface gráfica e o ratinho ficariam esquecidos e empoeirados para todo o sempre. Aliás, no início dos anos oitenta, quem acreditaria na popularização do computador pessoal se não fossem estes dois caras? De que adiantaria software livre, Linux & cia sem microcomputador ou uma Microsoft para apedrejar? Que vivam por muito tempo estes dois doidos. Mas veja o filme para ver como tudo realmente começou.





sábado, 27 de junho de 2009

A TERCEIRA TEMPORADA DE STAR BLAZERS



Uma lembrança do que era exibido pela Rede Manchete nas tardes de 1983/1984.

sábado, 30 de maio de 2009

ANOS 80 + ANOS 50 + SCI-FI = CLÁSSICO!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

99 BALÕES VERMELHOS



Sempre houveram boas bandas na Alemanha: Triumvirat, Scorpions, Kraftwerk...

Mas nos anos 80, especialmente, foram muitos os artistas de lá que ganharam alguma projeção internacional. Só que a maioria teve sucesso restrito a um ou dois hits. Mesmo assim, marcaram sua época e merecem ser lembrados. Só que eu tinha esquecido da Nena e seus 99 balões vermelhos! Agradecimentos ao Rodrigo, que trouxe a lembrança!

Sobre a Neue Deutsche Welle (NDW), como a crítica chamou esse movimento pop alemão, encontrei uma boa matéria aqui. Valeu.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

PATRULHA ESTELAR parte 2



Quatermass




Este comentário não estava programado tão cedo. Mas achei que ainda ficou faltando abordar alguns aspectos, principalmente sobre aqueles que não são comumente analisados. Patrulha Estelar não apenas é um ótimo seriado por ser cult. Afinal, o que distingue Uchuu senkan Yamato/ Star Blazers/ Patrulha Estelar dos demais cults?






Primeiro: por ser violento e politicamente incorreto não representa novidade; o que realmente contribui é a forte carga dramática e trágica associadas. Não são sinônimos: dramático = comovente; trágico = funesto, fatal, que anuncia ou precede a morte. Excetuando a abertura, narrando a partida do Yamato/Star Blazers, a maioria das demais músicas incidentais são elegias. Elegia = música triste. Mas são belas elegias! O seriado aborda sempre a questão da sobrevivência da raça humana, o auto-sacrifício, a coragem, a superação de valores e a perseverança; porém, permeado por músicas eminentemente tristes.



Segundo: o Líder Desslok. Desslok de Gamilon lembra a figura de um César romano, mais evidente na primeira temporada – Viagem à Iskandar (1974). É um personagem fascinante e complexo. Por que? Porque, assim como os filmes, personagens dúbios chamam nossa atenção por sua imprevisibilidade, resultando em imediata empatia.



Terceiro: a versão japonesa & versão americana. O encouraçado Yamato realmente existiu. Foi o mais poderoso navio de sua classe já construído. Um gigantesco encouraçado dotado com os canhões de maior calibre já embarcados. Com seu navio-irmão Musashi nunca foram devidamente empregados, não destruíram navio algum, sempre neutralizados pela marinha americana.



O Yamato foi atacado e destruído por aviões em 1945, antes que pudesse se aproximar da gigantesca frota americana em Okinawa.


Por ironia, resgatado do leito seco de um oceano inexistente (resultado dos ataques de Gamilon), agora navega pelo espaço sideral, defendendo a Terra. A versão americana retira/edita detalhes originais do desenho e altera o nome do antigo navio inimigo (de Yamato para Argo), substituindo o Japão do foco central.





De início sempre achei discrepante um encouraçado viajar pelo espaço. Mas a maneira romântica como nos é contada, atenua tal disparidade; mesmo porque se alguém já assistiu ao Capitão Harlock não causará nenhuma estranheza! Taí o principal segredo de Uchuu senkam Yamato (Encouraçado Espacial Yamato)/Star Blazers/Patrulha Estelar: histórias trágicas, contadas romanticamente, sobre personagens fascinantes e de feitos heróicos.






sábado, 18 de abril de 2009

MEU SOM DE SEXTA À NOITE NO BLOG

NEI LISBOA, das antigas:
"Pra Viajar no Cosmos não Precisa Gasolina".
Só para ouvir.




Eu visito estrelas
Lendas, profecias
Procurando um verso
Que dissesse tudo
A verdade da galáxia
Se algum dia o sol vai derreter
E o povo passa fome
O povo quer comer


Eu solto tudo aqui de cima
Jogo tudo pro céu
Desarmo com carinho as armadilhas
Que entravam meu caminho
A uma vida natural
Mas sempre tem um grilo
Cri-cri-cricando meu prazer
O povo passa fome
O povo quer comer

Barões, fragatas, plutônios,
Neurônios explosivos
Não impedirão
Que o ciclo evolutivo do planeta
Cumpra o seu dever
Mas dando no que der
Já sei que um dia vou morrer
E o povo...
Ah, o povo...




Saiba mais.

sábado, 4 de abril de 2009

PATRULHA ESTELAR



por Quatermass



O ano de 1983 não inovou somente com o surgimento da Rádio Ipanema FM aqui em POA. Estreou também a TV Manchete, com o Clube da Criança e a apresentadora Xuxa e, dentro da programação, Patrulha Estelar.




Só que, mais uma vez, verificou-se uma anor- malidade que é comum na TV brasileira: a inadequação do programa transmitido com o horário e o público a que se destina. Patrulha Estelar é desenho animado, mas não para crianças: está voltado para a faixa de público infanto-juvenil/adulto.





Patrulha Estelar/ Star Blazer/ Uchuu senkan Yamato é extremamente violento/ trágico/ politicamente incorreto/ dramático, ou seja, um ótimo desenho, desprovido das hipocrisias hoje em voga nas TVs aberta e à cabo. Seria como multiplicar por mil a violência de Príncipe Planeta e Super Homem do Espaço.




Constituído de cinco longas e três temporadas (Viagem à Iskandar – 1974, Cometa Império – 1979 e Crise Solar – 1981) somente foram exibidas as duas últimas. Conta a lenda que a TV Manchete transmitiu a primeira temporada somente para o Estado do Rio de Janeiro antes de oficialmente entrar no ar. Destes, Cometa Império é realmente a melhor das melhores, levando em conta que a qualidade de todas é indiscutível.




A história: um império que viaja em um cometa dirige-se ao planeta Terra para fins de conquistá-la. Inimigo declarado da Terra desde a temporada anterior, Desslok alia-se ao imperador Zordar, para infernizar ainda mais nossos heróis. Também em conseqüência da temperada anterior, Derek Wildstar assume o comando da Argo/Yamato, em razão da morte do Capitão Avatar, e parte novamente para salvar a Terra.




No tocante à violência, podem parecer repetitivas as temporadas, mas cada uma é especial, tanto no gosto dos fãs (que no Brasil acredito que não haja muitos, tendo em vista que somente foi ao ar em 1983/1984) como pela crítica (lá fora, claro). Mais um detalhe: a empresa dubladora de Patrulha Estelar no Brasil foi a Herbert Richers, que chegou a lançar em 1987 uma única fita VHS com 2 ou 3 episódios do Cometa Império. Uma pena que tenha ficado somente nesta tentativa, já que há tantos seriados desconhecidos saindo um DVD, ao menos poderiam distribuir este clássico!









Agora, uma boa notícia. O Fórum Seizu Animes tem a série completa, com legendas em português para download por arquivo torrent. RECOMENDADO. Cadastre-se e siga este link aqui! Obrigado! (Thintosecco)

sábado, 28 de março de 2009

A AVENTURA NO RÁDIO


Tioguara



No início dos anos 80, a programação das rádios FM de Porto Alegre era um saco! As rádios Cidade e Atlântida dominavam, mas suas programações eram quase idênticas. E muito previsíveis, já que repetiam cerca de dez vezes por dia a mesma lista de umas vinte e poucas músicas! Fora disso, havia a Guaíba FM - com suas músicas de sala de espera - e umas duas ou três outras emissoras menos lembradas, como a Capital e a Bandeirantes, que passavam quase despercebidas. Para quem queria ouvir um som diferente, a solução estava nos velhos discos de vinil, muitas vezes emprestados pelos amigos ou copiados em fitas cassetes de qualidade sofrível. Era um estado de coisas que precisava mudar.


É nesse ponto que começa a história de uma dupla de jovens nerds - Tioguara e Gordo - que então tiveram a idéia de uma plano infalível. Uso essa expressão não porque a idéia fosse brilhante, mas porque estava mais para os "planos infalíveis" das histórias da Turma da Mônica, ou seja, tinha tudo para dar errado. O plano era "apenas" o seguinte: usando nossos rudimentares conhecimentos de eletrônica (que se resumiam à alguma leitura de revistas e montagem de alguns kits) eu e meu amigo Henrique colocaríamos no ar uma Rádio Pirata! E nesta rádio tocaríamos as músicas que muita gente gostava, mas que nunca tocavam no rádio, tipo o Pink Floyd, Led Zeppelin, Jethro Tull... E artistas ótimos , mas menos conhecidos, como o Mike Oldfield, que jamais tocariam nas rádios comuns! E, pra completar, colocaríamos a "boca no trombone" contra o sistema opressor, que queria determinar até o nosso gosto musical!



A idéia então era muito ousada, senão maluca. Na época rádios piratas não proliferavam como hoje – nem a música famosa do RPM tinha estourado ainda – e ainda estávamos sob o regime militar, embora em seus últimos momentos. Antes de colocar em prática a rádio, já sabíamos quem seria o nosso arqui-inimigo: o DENTEL (Departamento Nacional de Telecomunicações, eu acho), que era o órgão que fiscalizava a atuação das rádios e TVs naquele tempo.


Não tínhamos material nem dinheiro. Só a vontade e aquele "fio" de experiência, com os kits das revistas. Mas acreditem: meu amigo conseguiu montar um pequeno transmissor de FM. Só que o alcance dele era de apenas alguns metros... Daí que a rádio até poderia ser uma rádio comunitária, desde que a comunidade fosse limitada à casa do próprio radialista! Serviu como brinquedo.


Mas não desistimos. Continuamos com a pesquisa por um transmissor mais potente. Mas, enquanto nosso projeto “subversivo” era sucessivamente adiado - fosse pelo preço ou pela dificuldade em encontrar as peças necessárias - algo diferente surgia no dial do três-em-um da sala.


Como já contamos outras vezes aqui no blog, um fato que marcou a geração dos anos 80 em POA foi o surgimento da Ipanema FM, uma rádio com uma proposta diferente das demais na época: raramente tocava os sucessos do momento, mas dava prioridade aos alternativos e às bandas que a galera pedia, novas ou antigas. O locutor Mauro Borba conta os detalhes dessa história no seu livro Prezados Ouvintes.





Resumindo, em meados de 1983, a gurizada ganhou uma opção diferenciada de rádio, apesar de muitos terem demorado um bom tempo para perceber.



A programação abrangia uma diversidade que ia desde a MPB até o heavy metal, passando pelo classic rock, progressivo, new wave, reagge, tecno, punk... quase qualquer coisa. Na Ipanema de então era mais fácil ouvir o Lou Reed ou o Egberto Gismonti do que o Michael Jackson ou a Madonna. Claro que havia certa variação, dependendo do horário e do apresentador. Nessa época, meus programas favoritos eram o Hora do Rush, no final da tarde, com o Mauro Borba, e o Central Rock, com o Ricardo Barão (quando rolava o som pesado e as bandas clássicas, chamadas “as véias”), que inicialmente era restrito às noites de sábado.



Já fazia algum tempo que a Ipanema estava no ar e a rádio inclusive já apresentava novos locutores. Entre estes, havia uma radialista que se destacava pela voz bonita e pela criatividade: a Katia Suman. A Katia trouxe para a Ipanema, entre outras novidades, uma que era extraordinária: um programa chamado Clube do Ouvinte.


A proposta desse programa era tão democrática que era até difícil de acreditar que fosse mesmo verdade. Nas noites de terça-feira, a rádio cedia, gratuitamente, um espaço de duas horas (repito, duas horas!) para que um ouvinte (ou uma dupla) contasse a história e tocasse as principais músicas do músico ou banda favoritos. Isso numa rádio de alcance e audiência consideráveis, na capital do Estado! E o intrépido ouvinte assumia mesmo o microfone da emissora, com ou sem formação pra isso, "na raça"!


Esse programa foi incrível: ali ouvimos muita música boa e conhecemos bandas e artistas interessantes, histórias curiosas também.Agora, o mais fantástico - pelo menos pra mim, já que essa aventura faz parte da minha história pessoal - é que alguns meses depois, por incrível que pareça, Tioguara e Gordo estariam no ar com aquele programa!


Essa parte da história fica para daqui a alguns dias. Por enquanto, deixo dois clipes que representam diferentes tribos, sendo que todas se encontravam e faziam a festa naqueles 94.9 do rádio!

Continua.






quinta-feira, 12 de março de 2009

OS MOTIVOS PARA ASSISTIR WATCHMEN





Thintosecco




Antigamente era comum a gente encontrar nas bancas de revistas a
versão em quadrinhos do mais recente sucesso de Hollywood. Seria interessante, não fosse a costumeira baixa qualidade do argumento e desenhos daquelas adaptações. Mas hoje em dia ocorre algo curioso: é o cinema que exibe versões de obras originalmente produzidas em quadrinhos. Entretanto, assim como não botávamos fé nos quadrinhos baseados em filmes, desconfiamos dos filmes baseados nos quadrinhos. E se a HQ era muito boa, então aí mesmo que não se acredita no filme!

Mas afinal por quê? Nos anos 80 não sonhávamos em ver em forma de filme as nossas histórias favoritas? Aquelas que os mais velhos e a sociedade em geral considerava meros gibis, mas nós sabíamos que eram muito, muito boas? Histórias de um Frank Miller, Neil Gaiman ou Alan Moore (pra ficar nos mais consagrados)? A tecnologia dos efeitos especiais evoluiu até o ponto das mais fantásticas aventuras dos super-heróis parecerem reais, então não é esta a questão.

O problema é que a indústria, via de regra, procura agradar a um chamado "público médio", ao qual procuram agradar com doses previamente calculadas de ação, humor, romance, etc., buscando produzir um " filme ideal" para o mercado. Obviamente, a tal fórmula ideal é uma ficção e obras produzidas dessa maneira resultam num "arroz sem sal", quando não chegam ao ponto do ridículo ou absurdo. Por exemplo: numa entrevista algum tempo atrás o Neil Gaiman contou que lhe propuseram realizar um filme do Sandman, com o qual a princípio concordou, só que os produtores tinham algumas "pequenas exigências" em relação ao roteiro, entre as quais que o Sandman deveria ter uma namorada e também um arqui-inimigo, que em certo momento da história deveria sequestrar a namorada do Sandman... É por essas e outras que desconfiamos dessas adaptações e não é sem razão que o próprio Alan Moore rejeita as versões de suas obra e por isso seu nome nem aparece nos créditos de Watchmen.


Então tenho receio de assistir Watchmen no cinema. Me pego pensando: "Vou perder tempo e jogar dinheiro fora". Só que há certos momentos em que o cara tem que ser otimista. E há alguns motivos pra isso. O filme está sendo bem recomendado (com alguns pequenos senões, é verdade), por gente que conhece a obra original. Segundo, o diretor Zack Snyder já tem experiência nesse tipo de trabalho, foi o realizador de 300, e dizem ser um nerd de carteirinha. Terceiro, e mais importante: a obra original merece esse tributo!


Mas sobre a genial minissérie em quadrinhos, peço licença para transcrever trechos extraído do artigo sobre o Alan Moore na Wikipedia, especialmente para quem eventualmente ainda não a leu:

"O título é inspirado na frase retirada da Sátira VI do filósofo Juvenal (60-127 AC), quis custodiet ipsos custodes ( “Quem vigia os vigilantes?” ), transpondo a crítica da sociedade romana para um universo no qual combatentes do crime despertam a ira e desconfiança da própria população civil que almejam proteger. (...)

'O enredo se inicia com o mundo à beira de uma guerra nuclear, tendo como pano de fundo o ápice da guerra fria. No universo engendrado por Moore, graças ao super ser conhecido como Dr. Manhatan ( semi-deus fruto de um acidente nuclear e único personagem com poderes sobre humanos, utilizado como arma militar pelo governo americano), os Estados Unidos venceram a Guerra do Vietnã e Richard Nixon sobreviveu ao escândalo Watergate, modificando a Constituição e sendo reeleito duas vezes. A série se estende da década de 30, início do advento dos “combatentes do crime”, ao ano de 1985, no qual a história é inicialmente situada. (...)




'Watchmen expõe ao leitor galeria bizarra e demasiado humana de combatentes do crime, em sua maioria detentores de distúrbios mentais e sexuais, solitários, confusos e aterrorizados quanto à impotência de suas ações frente ao iminente holocausto nuclear. Moore caracteriza seus personagens de forma tão realista e implacável que é praticamente impossível, após a conclusão da série, levar o conceito de "super-herói” novamente a sério.

'A série ganhou vários prêmios Eisner e o mais cultuado prêmio de ficção científica da época, Hugo, até então limitado exclusivamente à literatura. Ao abordar temas habitualmente alheios ao terreno das HQs (...) Moore expandiu os limites da mídia a confins inimagináveis anteriormente, abrindo precedente para os méritos e aberrações ocorridos nos quadrinhos nas décadas seguintes.
(...) Transcendendo mero tributo ao gênero, Watchmen se mostra, mesmo após duas décadas, não apenas o assassinato definitivo dos “super-heróis”, mas talvez a mais complexa e bem sucedida autópsia do cadáver já realizada.

O "Trailerzinho" básico, legendado. Vale conferir!


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