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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

NEIL GAIMAN: "FAÇA BOA ARTE!"





por Thintosecco e MrOx





No final dos anos 80 achei que não me surpreenderia com mais nada em termos de quadrinhos. Mas ainda faltava ler Sandman.


Havia uns cinco anos que eu voltara a ler gibis Isto porque dois amigos insistiram para que eu conhecesse umas histórias "novas" da Marvel (do Homem-Aranha e do Demolidor) escritas e desenhadas por um certo Frank Miller. Ao mesmo tempo conheci os X-MEN, na fase Claremont e Byrne, e logo em seguida A Espada Selvagem de Conan, que quebrou o paradigma dos formatinhos coloridos, saindo em charmoso preto e branco, em raro "formatão". 


Mas os quadrinhos da DC não ficaram para trás: Camelot 3000, Esquadrão Atari, os Novos Titãs do George Perez e, logo, depois, o Monstro do Pântano na fase do Alan Moore, também surpreendiam. Surgiram depois as graphic novels, que eram edições especiais impressas em papéis especiais e com colorido nunca visto antes em quadrinhos. E com este luxo tive a honra de ler obras como O Cavaleiro das Trevas, Watchmen, Ronin, V de Vingança... Que show!    






O que faltava ser feito em quadrinhos? Uma revista mensal com padrão de graphic novel. Ah, mas nenhuma editora vai lançar uma revista assim - era o que eu pensava. Mas estava enganado - que bom! Um belo dia encontrei nas bancas o número 1 de Sandman, lançado pela Editora Globo. Nossa, era praticamente uma graphic novel mensal!  E com que capas! Eram incríveis lustrações de Dave McKean, feitas especialmente para a revista. 



Quero destacar a coragem da Editora Globo, que lançou Sandman no Brasil em seu formato original, numa época muito complicada economicamente. Se o preço do primeiro número foi NCz$ 16,00, na quinta edição já custava NCz$ 65,00 (e foi com grande esforço que consegui manter minha coleção). Pensando bem, valentes éramos nós que comprávamos quadrinhos naquele tempo... Aliás, levei anos para completar V de Vingança,, lançada na mesma época, já que algumas vezes não deu para levar as duas revistas juntas! Depois de cancelada pela Globo, Sandman passou a ser publicada e distribuída no Brasil pela Devir, somente sendo encontrada em revistarias especializadas (e daí porque me dirigia à Comic Store Planeta Proibido, em Porto Alegre, ao menos uma vez por mês para, no mínimo, comprar a última edição do Mestre dos Sonhos).



Não vou me estender sobre Sandman - quem não conhece deve ir atrás "para ontem" -  mas quero chegar ao seu criador: Neil Gaiman. Esse genial roteirista inglês, após a carreira exitosa nos quadrinhos, tornou-se um bem-sucedido escritor de livros e já teve algumas incursões no cinema: Beowulf e Coraline são criações dele. Roteirizou para a tevê alguns episódios de Babylon 5 (colaborando com o amigo J. Michael Straczynski) e Doctor Who. Já foi agraciado com os prêmios Hugo e Nebula, e recebeu 13 Prêmios Eisner. 


Em 2012 Neil Gaiman discursou na Universidade de Artes da Filadélfia, ocasião em que falou um pouco de sua história e deixou pelo menos um recado, sobre o qual vale a pensa pensar: "faça boa arte"! Vale conferir no vídeo que segue (ative as legendas).



Para quem quiser ler o texto desse discurso, uma boa opção é o blog Trabalho Sujo.




 

sábado, 17 de agosto de 2013

O ELMO DE OURO






 por Quatermass



Esta postagem presta uma homenagem ao Che Guavira, do blog homônimo; ao Luiz Dias, do Chutinosaco; ao Bartolomeu, do Bartolomeu 777; ao Chesco 36, do Gibis Clássicos; do Gizmo, do Tralhas Várias; ao Eudes Honorato, do Rapadura Açucarada; aos blogs Quadradinhos Patópolis e Esquilo Scans; e tantos outros que buscam resgatar e compartilhar quadrinhos esquecidos.  Quero também homenagear aquele que talvez tenha sido o maior gênio da Disney e um dos maiores gênios dos quadrinhos de todos os tempos: Carl Barks.  





Barks não foi tão prolífico quanto Tony Strobl ou Paul Murry: desenhou e roteirizou pouco mais de quinhentas histórias. Seu traço confundível: é econômico, nervoso e sempre transmite ação; seria como um pintor que com meia dúzia de pinceladas cria toda a obra. Alguns tentam imitá-lo, mas de forma equivocada: carregam a história com traços inúteis, tal qual a releitura digital de Guerra nas Estrelas.  Barks não só roteirizava, também aceitava roteiros de terceiros, entre as quais uma de suas filhas, a qual recompensava com parte do dinheiro que recebia da Western.


Apesar de desenhar desde os anos 40, somente viajou para o estrangeiro nos anos noventa. Utilizava-se de National Geographic para visualizar os cenários de suas histórias épicas. Morreu com 99 anos (1901-2000). Era um sujeito simples, que economizava o pouco que seus patrões pagavam e viveu no anonimato até o início dos anos sessenta, quando um de seus fãs o conheceu (quase no final da carreira). Aposentou-se em 1966, apesar de continuar a criar roteiros e nos anos setenta passou a pintar telas daquelas que foram suas maiores epopeias. 



  




  

Pelos quadros foi processado pela Disney (@#?!$%!!!*#@$#$), por uso sem autorização dos personagens e histórias – que ele criou! A Editora Abril somente começou a creditar os desenhistas no final dos anos oitenta. PS: não só os de lá de fora, a própria Abril manteve no anonimato Renato Canini (Zé Carioca) e Carlos Edgard Herrero (Tio Patinhas, Donald, Peninha, os Irmãos Metralha, etc) entre outros. 


Barks era o típico caipira americano. Era xenófobo, a ponto de criar uma visão caricata dos países do sudeste asiático, época em que os Estados Unidos estavam atolados no Vietnã, Laos e Camboja (numa das histórias, o país asiático atrasado chamava-se Vietnunca).


Mas também fazia caricaturas do ‘way of life’ americano, através das aspirações de grandeza do Pato Donald, da necessidade de guardar o rico dinheirinho numa caixa-forte (Tio Patinhas), dos sobrinhos que nunca tinham pais (e dos quais os tios assumiam a função), do espírito empreendedor e das mancadas que daí advinham. 






Algumas vezes reescrevia a mesma história com outras nuances. Escreveu épicos, histórias curtas de 10, 15 páginas e vinhetas. Mas seus clássicos foram as histórias longas, as épicas publicadas principalmente nas revistas Mickey e Tio Patinhas (já que as revistas Pato Donald e Zé Carioca continham não mais que 30 páginas). O Rei do Rio de Ouro, O Grande Operador, Volta ao Klondike, Perdidos nos Andes, As Minas do Rei Salomão, e tantas outras foram originalmente escritas em sua fase de ouro do (1950-1960) e uma delas sempre me vem à memória: O Elmo de Ouro






Originalmente escrita em 1952 (Four Color Comics # 408) foi de todas as histórias longas a menos republicada pela Editora Abril. A provável causa talvez seja de que no início da história ocorre um aspecto desconcertante e politicamente incorreto: uma visão caricata do homossexualismo. Donald, um guarda do museu, atende de maneira pouco amistosa um visitante dotado de trejeitos, fruto da visão americana dos anos cinquenta, quando sexo era tabu. 


   




Passada esta análise, voltamos para a história: Donald encontra um pergaminho dentro de uma antiga embarcação viking. O documento fora escrito por Olaf Blue narrando sua descoberta da América séculos antes de Cristovão Colombo. Depois aparece Azure Blue, representado por seu advogado Sharky, que se diz descendente do viking Olaf e que por direito a ele caberiam as terras desbravadas por seu antepassado na América. 




 

Um mapa leva Donald e sobrinhos à região do Labrador, no Canadá, onde supostamente Olaf teria escondido o elmo e é encontrado. Ao detentor do lendário Elmo de Ouro também será conferido o título de verdadeiro detentor das terras americanas. E então começa a disputa com Azure Blue. 
 

É uma obra típica de Carl Barks: envolve conhecimentos históricos e geográficos, aparentemente banal, mas dotada da complexidade transmitida em traços curtos e nervosos. E difícil de ser encontrada: publicada no Brasil pelas revistas Pato Donald e Mickey entre 1955 e 1957, somente foi republicada no século 21 (quase cinquenta anos depois) na série O Melhor da Disney – As Obras Completas de Carl Barks. 
 



Antes disso, porém, adquiri na saudosa Livraria Sulina no ano de 1988 uma edição especial de Barks com a história original em inglês e sem cortes. O Elmo de Ouro é uma obra grandiosa, fruto de um grande artista, que sintetiza todos os demais trabalhos: é uma fábula dotada do espírito de aventura, e que indaga a questão moral, a ambição desmedida e o castigo. 


Falar sobre Carl Barks dificilmente caberia nesta postagem ou mesmo em algum livro defenestrando sua obra (Para Ler o Pato Donald). Barks era genial porque desenhava e escrevia de maneira simples, dotada de mensagens subliminares (como sua aversão à advogados) e de conotação moral. Era completo, beirando a perfeição, mas como perfeição não existe, mesmo que involuntariamente, passou para a eternidade como aquele que quase chegou lá!



segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A AFETIVIDADE NÃO TEM CUSTO-BENEFÍCIO






por Quatermass




Sorte a minha que resido em província contígua ao Uruguai. Sorte a minha que não tenho como me aproximar dos centros culturais de Rio e São Paulo. Sorte a minha que nunca conheci, sequer obtive qualquer contato com artistas ou autores de qualquer gênero. Sorte a minha que a gauchada aqui pensa que é superior ao resto do Brasil e que a cultura gaudéria deve ser preservada. Sorte a minha que com o surgimento da Internet pude vislumbrar produção cultural em escala até então intangível e inimaginável, que antes estavam em posse de poucos energúmenos.


Cultura é conhecimento, não pode ser privatizada; não pode ficar a mercê da vontade de poucos, seja por aqueles que mandam, seja por quem faz cultura. Cultura é uma universalidade de valores e por dizer tal redundância, desprezo quem de alguma forma tenta restringi-la. Cultura se transmite em filmes, livros, artigos, música, tradição oral, mídia. A mídia hoje é uma incongruência: possui um potencial incrível, porém, em nome de criações jurídicas abstratas, produz-se concepções legais que desembocam em aberrações.


Tomemos por exemplo a revista em quadrinhos: o autor cria, a editora publica, distribuidora vende e o comprador permanece refém do primeiro, pois mesmo tendo despendido dinheiro, não lhe é permitido livre dispor da mercadoria. O quadrinho para o autor é seu meio de vida, seu sustento, cujo produto acabado será motivo de pagamento. Não caberá a ele escolher a quem vender a revista; muito menos lhe interessa saber. Seu dom em desenhar e criar histórias é seu ganha-pão. 







Ao editor cabe escolher o que publicar, que tipo de mercadoria disponibilizará e qual o publico visado. A distribuidora colocará ao alcance do comprador. Agora, o comprador: quem é que gosta de quadrinhos? Há três faixas etárias: a criança, o jovem e o adulto. A criança, quando a “revistinha” é a extensão dos livros infantis. O jovem, quando a identificação recai nos personagens e nos temas abordados. O adulto identifica-se principalmente com editora, tema e autoria; quase sempre fecha o ciclo iniciado quando criança. 


O adulto busca voltar no tempo através dos quadrinhos, revisitar trabalhos geniais, relembrar momentos prazerosos e inevitavelmente, muitas vezes continua a colecionar. E os quadrinhos antigos o que mudou? Àqueles colecionadores que detém exclusividade sobre edições muito antigas, nada. Antes da Internet, os que não possuíam gibis o destino era o “sebo”; com o século XXI, mais precisamente, no final da primeira década, através de downloads de quem coleciona (porque pagou) quadrinhos.


Agora a questão moral é a seguinte: fulano desenhou, beltrano pagou e quis compartilhar com quem não tinha. Diga-se de passagem que, durante os últimos trinta anos somente encontrei  revistas na Internet que nunca havia encontrado em sebos, porque não existiam mais. O triste destino das revistinhas é o lixo. Se o autor de histórias em quadrinhos ainda não sabe, fique pois sabendo que o famigerado “dia da faxina” contribui de sobremaneira para destruição de seu produto final. Por isso é que respeito tanto quem desenha, roteiriza, como aqueles que abrem mão de sua exclusiva coleção para compartilhar com terceiros, sem retribuição pecuniária, sem ameaças jurídicas e sem o devido reconhecimento.


Afinal, quantos números existem ainda de um Pato Donald dos anos cinquenta, sessenta ou setenta? Se a faxina, o mofo e as traças/brocas/cupins não destruírem o papel, os direitos autorais destruirão todo o acervo virtual resgatado. Se é para ir para o lixo, então pensemos da seguinte maneira: se o destino de um Big Mac é a privada; o de uma revista em quadrinhos é o lixão! 


O mais triste é que certos autores tentam convencer o público em geral que sua obra literária deve ter mesmo destino da gastronomia!




terça-feira, 27 de setembro de 2011

A PRIMAVERA





A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la...


(trecho de um poema de Cecília Meireles)








Um dos maiores espetáculos da natureza é, com certeza, a chegada da primavera. Com muita frequência impressiona artistas de todas as áreas, seja na poesia, na música...

Até mesmo nos quadrinhos! Reparem nesse trecho da história "Aventura Humana", do personagem Ken Parker (meu western preferido).





Boa semana!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

FLASH GORDON, UM HERÓI DE GERAÇÕES.


Flash Gordon foi criado por Alex Raymond é o segundo herói espacial das histórias em quadrinhos (o primeiro foi Buck Rogers). Foi publicado pela primeira vez em uma prancha dominical de 7 de janeiro de 1934.


Em 1933 , a King Features Syndicate abriu um concurso para descobrir personagens de qua- drinhos que rivalizassem com Buck Rogers e Tarzan de sua concorrente, a Pulitzer Syndicate. Alex Raymond se inscreveu e ganhou, passando a desenhar Flash Gordon e Jim das Selvas (que completava a página) para o New York American Journal. Poucas semanas depois, Raymond passaria também a desenhar o Agente Secreto X-9, outra encomenda da King Features para contrabalançar o sucesso de Dick Tracy, da Pulitzer.

No Brasil, o primeiro capítulo (ou "prancha dominical") de Flash Gordon no Planeta Mongo foi publicado no nº 3 do Suplemento Infantil do jornal A Nação, do Rio de Janeiro, em 28 de março de 1934.
(extraído da Wikipedia)


São gerações de fãs de Flash Gordon e de seu criador Alex Raymond. Alguns lembram mais do Flash dos anos 70/80, nem tanto pelo filme, mais pela trilha da banda Queen e pelos desenhos da Filmation. Outros, mais antigos, curtiram os velhos seriados produzidos para o cinema, dos anos 30/40. Para as duas tribos, seguem os vídeos abaixo.





domingo, 17 de outubro de 2010

A JUKEBOX DO "V"


Aproveitando uma postagem recente do ótimo blog Quadrinhos Antigos, acerca da excelente minisssérie "V de Vingança" do Alan Moore, pensei que seria interessante ouvir alguns dos sons que rolavam na "Galeria Sombria" do V. Uma dose de Soul Music, então. Muito bom.







sábado, 24 de julho de 2010

RENATO CANINI



Passou hoje, no Jornal do Almoço da RBS TV de Porto Alegre, uma matéria sobre o cartunista Renato Canini, o grande recriador do Zé Carioca nos anos 70. Que gibis bons aqueles!




"Mais de 30 anos depois, a passagem de Canini pelas histórias em quadrinhos do Zé Carioca é considerada a fase áurea do personagem. (...) Canini desenhou mais de cem estórias do Zé Carioca, fora as do Pateta e do Urtigão. Revolucionou a imagem do personagem. Tirou-lhe a casaca, a gravata borboleta e o chapéu panamá. Vestiu-lhe uma camiseta e deu-lhe amigos negrinhos. Zé Carioca foi morar na favela, em casebres caindo e cheios de remendos."

"Em 1976, disseram que ele estava se afastando do padrão da Disney. Canini não aceitou que o Zé saísse da favela e (...) que voltasse a vestir o casaco e a gravata borboleta. Foi demitido."



Até hoje, quando entro numa loja que trabalha com gibis antigos "estico o olho " para ver se não tem alguma daquelas velhas revistinhas do Zé Carioca da época do Canini. As histórias eram mesmo muito diferentes do "padrão Disney". Mas eram também ótimas.

Uma das que mais lembro foi "Zé Carioca no Reino da Pindaíba", ocasião em que o Zé entra num bueiro e vai parar num mundo subterrâneo, habitado somente por mendigos, onde vem a ser aclamado rei!

E uma outra aventura engraçadíssima se passa num dia de sol escaldante em que o Zé usa diversas artimanhas para tentar tomar um banho de piscina. O quadrinho inicial já era hilário, com uma dona-de-casa fritando um ovo na careca do marido!


Curiosamente, o recriador do Zé Carioca nunca esteve no Rio, trabalhava em Porto Alegre e enviava seus trabalhos para São Paulo!
Hoje aposentado, Canini reside em Pelotas/RS. Mas continua morando no coração e memória de quem leu aqueles gibis.




Segue o vídeo apresentado no JA, que começa com uma uma matéria sobre a rainha da Oktoberfest. A reportagem com o Canini inicia aos 1m30s. Na sequência, um vídeo que encontrei no You Tube, com o quadrinhista contando sua história na FIQ 2009.












O Canini também trabalhou na antiga revista Recreio.
Lembram dela?


Para saber mais sobre a trajetória do artista, recomendo os dois links abaixo, dos quais retirei o texto no início deste post.


http://www.amigosdepelotas.com/2009/09/canini-o-inventor-do-ze-carioca_26.html

http://oglobo.globo.com/blogs/Gibizada/posts/2009/10/03/a-alma-gaucha-do-ze-carioca-hq-perfis-3-229004.asp


Valeu!
(post atualizado em 28.07.2010)


sábado, 22 de maio de 2010

PARA LEMBRAR FRANK FRAZETTA







Considerado o "Mestre da Ilustração Fantástica", Frazetta faleceu no último dia 10 de maio.




Este post é apenas para recomendar alguns links para conhecer a obra deste ilustrador, presente em muitas capas de livros, HQs, discos e posteres de filmes, que deixou muitos seguidores e admiradores.





LINKS:

Artigo de Sérgio Codespoti para o site Universo HQ

Artigo de Márcio Baraldi e Mário Latino para o site Bigorna

http://frankfrazetta.org/ (imagens)

Galeria no Universo HQ




quinta-feira, 4 de março de 2010

QUADRINHOS CLÁSSICOS


Thintosecco


Era uma vez um tempo em que os grandes heróis dos quadrinhos chegavam às mãos dos leitores quase de graça. Vinham em "tirinhas" nos jornais, diários ou semanais, que eram também a principal fonte de informação daquela época.




Bons tempos aqueles de nossos pais ou avós, em que talvez houvesse menos informação, mas havia mais interesse pela cultura. E obras de grandes artistas do traço, com um Burne Hogarth ou um Alex Raymond, chegavam à casa das pessoas até de forma casual - podiam até, quem sabe, estar no papel de embrulho da mercadoria comprada no armazém da esquina.


É verdade que os mais antigos não viam valor algum nas historinhas de personagens como Tarzan, Fantasma, Príncipe Valente, Flash Gordon, etc. e mandavam a meninada da época deixar de vadiagem e abrir os livros do colégio - senão o chinelo ou a cinta pegava! Era o tempo de uma outra educação, bem diferente da atual - em que muitos universitários mal sabem escrever a própria língua. Então, no que hoje se entende por "ensino fundamental", já se estudava, por exemplo, o latim.



Hoje temos conforto e tecnologia. E como vivemos, por vários meios eletrônicos, uma overdose de informação, o pessoal acha dispensável a leitura. Não só dos livros, mas até dos gibis que - com exceção dos mangás e de uma ou oubra publicação infantil - vão se elitizando, tornando-se cada vez mais caros e restritos às (poucas) livrarias.


Mas, se você observar com atenção, toda moeda tem dois lados. E a internet, que também é vilã nessa triste história, também está na outra face, resgatando a riqueza da arte sequencial - irmã da literatura e prima do cinema - que é tão querida por nós. E é aí que entram duas importantes ferramentas: o scanner e os blogs (e também fóruns) que disponibilizam as HQs digitalizadas, as quais passamos a chamar simplesmente de SCANS.



E não é que há blogs especializados em quadrinhos antigos? Tenho acompanhado dois deles, os quais recomendo especialmente: o Quadrinhos Antigos e o HQ Point, onde se pode encontrar histórias daqueles personagens clássicos que influenciaram gerações. A propósito, as imagens que ilustram este post são referentes a scans encontrados naqueles blogs, onde também se encontram aqueles gibis dos nossos tempos de criança (aqueles da Ebal, Bloch, RGE...) que, na maioria dos casos, guardamos apenas na lembrança e que ali estão a apenas alguns cliques de ressurgirem na tela do PC.


A propósito, lembrando que há na rede muitos blogs/sites de scans, sugiro que dêem uma conferida na lista de links existente no blog Rapadura Açucarada. E, mais especialmente, registrem-se no fórum F.A.R.R.A., onde, aliás, (fazendo o meu mea culpa) estou devendo participar de forma mais ativa e civilizadamente, sem ficar só no "bem-bom" do download. Mas pelo menos registro o meu agradecimento pelo trabalho que realiza o pessoal ali.


E ficam dois toques para quem não está acostumado com leitura de scans: 1 - os arquivos estão hospedados em serviços tipo rapishare, de onde precisam ser baixados; 2 - os scans estão compactados em arquivos .cbr ou .cbz, para leitura com programas como o CDisplay.




No mais, divirtam-se.





PS: É impressionante como as histórias do Tarzan, de qualquer época, são sempre muito boas! Valeu!

sábado, 16 de janeiro de 2010

KEN PARKER


Thintosecco




Certa vez, nos tempos da saudosa revistaria Planeta Proibido, ouvi nosso amigo César - hoje conhecido no meio dos trash movies como Coffin Souza - comentar que só iria comprar alguns itens de colecionador (miniaturas de personagens, naves ou algo assim) no dia em que enlouquecesse e viesse a vender sua coleção de quadrinhos do Ken Parker.



Aquilo chamou minha atenção. As histórias do "tal" Ken Parker deveriam ser mesmo boas. E eram mesmo. É até hoje um dos meus personagens favoritos nos quadrinhos.


Ken Parker foi criado pelos italianos Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo, em 1974, inspirados num filme de Sidney Pollack, estrelado por Robert Redford: Jeremiah Johnson, de 1972. Assim como os quadrinhos, o filme também é muito bom. Os dois podem ser conferidos no vídeo que segue.

No mais, fica a sugestão para visitarem o Ken Parker Blog, do Lucas Pimenta, que nos visitou recentemente. Abraços!



sábado, 3 de outubro de 2009

A COLEÇÃO DO TEX




Foi no dia 30 de setembro de 1948 que surgiu a primeira história de Tex. Chamava-se 'Il Totem Misterioso". Com o balão "Por todos os diabos, será que ainda estão nas minhas costas?", começava a saga de um dos mais famosos cowboys dos quadrinhos.



No começo, o personagem
criado pela dupla Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Gallepini cavalgava sozinho, seu cavalo Dinamite nem tinha nome e ele era fora-da-lei. Aas histórias eram publicadas no formato de tiras com no máximo 3 quadrinhos. Cada semana saía um gibi com 32 páginas (32 tiras) e uma aventura levava várias semanas para chegar ao fim. (fonte: Wikipedia)

No Brasil sua revista estreou em fevereiro de 1971 pela editora Vecchi, que publicou o personagem até a edição #164, em agosto de 1983. Num fato raro no Brasil, sua revista mudou várias vezes de editora sem ter a numeração zerada. Assim, em setembro de 1983, Tex começou a ser publicado pela RGE, período que durou até dezembro de 1986 com a edição #206. Em janeiro de 1987 o personagem estreou na Editora Globo, onde prosseguiu até a edição #350 em dezembro de 1998. Em janeiro de 1999 Tex chegou à Editora Mythos. (fonte: HQmaniacs)

Tex ocupa um espaço especial no universo dos quadrinhos. Tem muita gente que não lê nada mais de quadrinhos, a não ser o Tex. Possivelmente Tex Willer seja a mais perfeita encarnação do mito do cowboy. O ranger beira a perfeição: uma espécie de John Wayne sem barriga ou um homem-de-marlboro que não fuma. Sendo fiel a um mito, ganha a eternidade. Publicado há 60 anos, segue firme no mercado e com muito fôlego. Há muitos méritos nos quadrinhos de Tex: as histórias são baseadas em pesquisas históricas e bem construídas. E o personagem ainda cumpre um importante papel na história dos quadrinhos: propiciou o desenvolvimento da indústria dos fumetti, os quadrinhos produzidos na Itália que deram origem a outros personagens cults, como Ken Parker, Dylan Dog, Mágico Vento, etc. O Tex também já apareceu no cinema, nos anos 80, interpretado por Giuliano Gemma. Para saber mais sobre o Tex, recomendo o site do Tex no Brasil: http://www.texbr.com.

Faço agora o meu comercial. Temos um amigo que está se desfazendo de sua coleção, que vai desde o n° 01 até além do n° 200 - são edições das editoras Vecchi (a maioria da 2ª edição, mas inclui vários números da 1ª) , RGE e Globo, cujo estado varia entre o regular e o ótimo. Aceita ofertas. Quem estiver a fim, pode entrar em contato pelo e-mail do blog: o planetaehnosso@gmail.com.


sábado, 13 de junho de 2009

THE SOUND OF SILENCE



Thintosecco



Quem assistiu ao filme Watchmen com certeza reparou na importância que tem a música em alguns momentos da história, o que já se nota na abertura, ao som de Bob Dylan. Outro momento de destaque é na sequência do enterro do Comediante, quando, pela força da música, parece que o filme se materializa em 3D.



A canção que toca é The Sound Of Silence, da dupla de folk rock Simon & Garfunkel. Composta há quarenta e cinco anos, segue eterna como clássico que é. Paul Simon e Art Garfunkel produziram nos anos 60 algumas canções de qualidade comparável às dos Beatles. The Boxer, Bridge Over Troubled Water e outras. E por isso sugiro ao pessoal mais jovem que talvez não saiba quem são, que procure conhecer o trabalho deles "para ontem".


Como o You Tube às vezes nos proporciona boas surpresas, encontrei um ótimo clipe de The Sound Of Silence, com legendas em português, que deixo para vocês conferirem. Trata-se de uma clássica apresentação da dupla no Festival de Monterey, em 1967. Aliás, aquele festival é considerado o auge do movimento "Flower Power". Essa performance é um caso de grandeza na simplicidade: duas vozes, um violão e só. Realmente não precisava mais nada.





Em fevereiro deste ano o Garfunkel apareceu num show do Paul Simon e juntos cantaram três músicas, incluindo The Sound. Foi o que bastou para surgirem boatos sobre os dois veteranos voltarem a fazer shows juntos, ainda em 2009. Quanto
à sugestão para conhecerem, ou para quem ouvir de novo o trabalho de Simon & Garfunkel, deixo um link interessante para vocês, com uma boa coletânea deles, AQUI.


Obrigado à mana, que insistiu para que eu assistisse Watchmen (filme que muito embora não seja perfeito, vale a pena ser conferido). E com isso trouxe a vontade de ouvir de novo esses clássicos de S & G. No mais, um bom domingo!

quinta-feira, 12 de março de 2009

OS MOTIVOS PARA ASSISTIR WATCHMEN





Thintosecco




Antigamente era comum a gente encontrar nas bancas de revistas a
versão em quadrinhos do mais recente sucesso de Hollywood. Seria interessante, não fosse a costumeira baixa qualidade do argumento e desenhos daquelas adaptações. Mas hoje em dia ocorre algo curioso: é o cinema que exibe versões de obras originalmente produzidas em quadrinhos. Entretanto, assim como não botávamos fé nos quadrinhos baseados em filmes, desconfiamos dos filmes baseados nos quadrinhos. E se a HQ era muito boa, então aí mesmo que não se acredita no filme!

Mas afinal por quê? Nos anos 80 não sonhávamos em ver em forma de filme as nossas histórias favoritas? Aquelas que os mais velhos e a sociedade em geral considerava meros gibis, mas nós sabíamos que eram muito, muito boas? Histórias de um Frank Miller, Neil Gaiman ou Alan Moore (pra ficar nos mais consagrados)? A tecnologia dos efeitos especiais evoluiu até o ponto das mais fantásticas aventuras dos super-heróis parecerem reais, então não é esta a questão.

O problema é que a indústria, via de regra, procura agradar a um chamado "público médio", ao qual procuram agradar com doses previamente calculadas de ação, humor, romance, etc., buscando produzir um " filme ideal" para o mercado. Obviamente, a tal fórmula ideal é uma ficção e obras produzidas dessa maneira resultam num "arroz sem sal", quando não chegam ao ponto do ridículo ou absurdo. Por exemplo: numa entrevista algum tempo atrás o Neil Gaiman contou que lhe propuseram realizar um filme do Sandman, com o qual a princípio concordou, só que os produtores tinham algumas "pequenas exigências" em relação ao roteiro, entre as quais que o Sandman deveria ter uma namorada e também um arqui-inimigo, que em certo momento da história deveria sequestrar a namorada do Sandman... É por essas e outras que desconfiamos dessas adaptações e não é sem razão que o próprio Alan Moore rejeita as versões de suas obra e por isso seu nome nem aparece nos créditos de Watchmen.


Então tenho receio de assistir Watchmen no cinema. Me pego pensando: "Vou perder tempo e jogar dinheiro fora". Só que há certos momentos em que o cara tem que ser otimista. E há alguns motivos pra isso. O filme está sendo bem recomendado (com alguns pequenos senões, é verdade), por gente que conhece a obra original. Segundo, o diretor Zack Snyder já tem experiência nesse tipo de trabalho, foi o realizador de 300, e dizem ser um nerd de carteirinha. Terceiro, e mais importante: a obra original merece esse tributo!


Mas sobre a genial minissérie em quadrinhos, peço licença para transcrever trechos extraído do artigo sobre o Alan Moore na Wikipedia, especialmente para quem eventualmente ainda não a leu:

"O título é inspirado na frase retirada da Sátira VI do filósofo Juvenal (60-127 AC), quis custodiet ipsos custodes ( “Quem vigia os vigilantes?” ), transpondo a crítica da sociedade romana para um universo no qual combatentes do crime despertam a ira e desconfiança da própria população civil que almejam proteger. (...)

'O enredo se inicia com o mundo à beira de uma guerra nuclear, tendo como pano de fundo o ápice da guerra fria. No universo engendrado por Moore, graças ao super ser conhecido como Dr. Manhatan ( semi-deus fruto de um acidente nuclear e único personagem com poderes sobre humanos, utilizado como arma militar pelo governo americano), os Estados Unidos venceram a Guerra do Vietnã e Richard Nixon sobreviveu ao escândalo Watergate, modificando a Constituição e sendo reeleito duas vezes. A série se estende da década de 30, início do advento dos “combatentes do crime”, ao ano de 1985, no qual a história é inicialmente situada. (...)




'Watchmen expõe ao leitor galeria bizarra e demasiado humana de combatentes do crime, em sua maioria detentores de distúrbios mentais e sexuais, solitários, confusos e aterrorizados quanto à impotência de suas ações frente ao iminente holocausto nuclear. Moore caracteriza seus personagens de forma tão realista e implacável que é praticamente impossível, após a conclusão da série, levar o conceito de "super-herói” novamente a sério.

'A série ganhou vários prêmios Eisner e o mais cultuado prêmio de ficção científica da época, Hugo, até então limitado exclusivamente à literatura. Ao abordar temas habitualmente alheios ao terreno das HQs (...) Moore expandiu os limites da mídia a confins inimagináveis anteriormente, abrindo precedente para os méritos e aberrações ocorridos nos quadrinhos nas décadas seguintes.
(...) Transcendendo mero tributo ao gênero, Watchmen se mostra, mesmo após duas décadas, não apenas o assassinato definitivo dos “super-heróis”, mas talvez a mais complexa e bem sucedida autópsia do cadáver já realizada.

O "Trailerzinho" básico, legendado. Vale conferir!


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