sábado, 27 de outubro de 2007

"Star Trekos" - parte 2


por Quatermass


Plagiando Euclides da Cunha, “o trekker é antes de tudo, um forte”. Tem paciência e estômago de aço. Acredita que as quatro franquias (Nova Geração, Deep Space Nine, Voyager e Enterprise) mantém o espírito da série original. Persevera em seu culto mesmo diante de condições adversas. Um exemplo, o meu. LOCAL: Porto Alegre. TEMPO: fins dos anos oitenta, início dos noventa. OBJETIVO: procura de material sobre Star Trek. CONCLUSÃO: foi dureza. Foi mesmo. Terminada a exibição de Jornada nas Estrelas pela Bandeirantes no início de 1983, a série desapareceu. As revistas da época eram a Cinemin (ótima), Video News e a Set (que surgia na metade de 1987). Todas estavam voltadas para cinema e vídeo, mas não especificamente para ficção. Algumas revistas de editoras pequenas estreavam e desapareciam. Surgiam boatos, um deles, sobre a devolução dos episódios da série clássica para os USA e a destruição das cópias dubladas. Vivia-se um clima de desinformação. Ciente de que nos USA passavam as primeiras temporadas da Nova Geração, fui à luta em busca de revistas, vídeo e o que viesse. Nesta bela capital de província, existiam duas opções: os livros importados de cinema e ficção da saudosa Livraria Sulina e uma comic store no Centro. Como livro importado depende de importação (óbvio) as novidades eram poucas; restava a comic store. Hoje em dia, com o advento da Internet, pode-se consultar de tudo – é, provavelmente, o meio mais acessível e eficiente de propagação da informação já criado. Mas naquela época, tudo era difícil. E aí começa a provação.

Peregrinei dezenas de vezes à comic store em busca de alguma coisa. Encontrei alguns fanzines e até kits plásticos para montagem da Enterprise, do cruzador de batalha Klingon, do X-Wing, etc, mas vídeos/revistas? Nada. Como sabia que uma comunidade trekker freqüentava a loja, deixei meu telefone para contato meia dúzia de vezes, sem retorno. Me questionava o motivo, que na época não entendia. Hoje, com a sabedoria de quem passou dos quarenta, descobri o porquê: um sujeito de óculos com pasta estava mais para nerd do que para o General Chang. Não usava as orelhas do Spock, nem o uniforme da Federação, muito menos o dicionário de klingonês a tiracolo. Era um não iniciado, um pária. Prossegui então assistindo os vídeos em VHS que a CIC distribuía irregularmente, gravava a primeira temporada da NG e os 52 dos 79 episódios da série clássica que a Manchete comprou e redublou. Posteriormente, me mudei para o canal USA, gravando as demais temporadas, bem como DS9 e Voyager. No canal AXN gravei também outra franquia, Enterprise e uma concepção de Roddenberry muito superior, Andromeda. Voltando para o presente, o resultado: tanto a Sulina como a comic store fecharam as portas; e mais da metade dos meus VHS gravados mofaram, mas com a possibilidade de adquirir os box das temporadas em DVD, não tô nem aí. A luta valeu: continuo assistindo e metendo pau nas franquias que, como filhos bastardos, guardam o DNA da série clássica. Quem precisa de fã clube? VIVA A INTERNET!!!

Pra fechar, fica um clipe postado tempos atrás pelo blog Vintage69, White Rabbit, do Jeferson Airplane, com imagens curiosas da série clássica. Bom domingo!

2 comentários:

Anônimo disse...

Hehe, valeu! Não sou tão fanático assim, mas Star Trek é único, não tem palavras...persongens eternos...quem não conhece o Capitão Kirk, ou o Doutor Spock?...

...mas se bem que aquela nova geração é meio brabo, né...? Hehehe, descurpa aí...

thintosecco disse...

Na verdade, a franquia foi descendo a ladeira. Se a série original foi incrível na época, a Nova Geração foi, com muito boa vontade nossa, "meia-boca". Depois disso, nem comento. Mas a lembrança de Kirk, Spock, Maccoy e cia. vai ficar por gerações!

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