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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

AVANTE, SR. SCOTT !






por Thintosecco

 

Data estelar: 2017. No início de um novo ano, as coisas permanecem mais ou menos as mesmas no país conhecido como Brasil. Mudam as moscas, mas a m... continua a mesma. Não há provas de que algo tenha efetivamente melhorado ou piorado com o atual governo. "E não me venham com chorumelas" !


E assim vamos em frente. Não sabemos se o "motor de dobra vai engatar", mas o certo é que nos desdobramos para resolver nossas broncas, nossos trabalhos, nossas contar para pagar. Nos viramos.


Busco uma analogia com Jornada nas Estrelas. Poderia fazer o mesmo com "Guerra" (Star Wars). Isto porque as duas franquias prediletas da maioria dos fãs de ficção científica ganharam novo fôlego em 2016, com dois bons filmes: "Sem Fronteiras" e "Rogue One". Já falei algo sobre Guerra nas Estrelas em posts recentes e, por isso - e porque não me manifestei na época do lançamento do último longa -, foco agora em Star Trek.


Vale lembrar que no ano que findou, a franquia completou 50 anos de existência. Isso contando-se da exibição do primeiro episódio na tevê americana, em 08.09.1966.

Na verdade, a história começa um pouco antes, com a produção do episódio piloto  "The Cage", em 1964. Naquela primeira versão, ainda em preto e branco, a Enterprise ainda não era comandada por James T. Kirk, porém pelo Capitão Pike. Mas, adivinhe, quem já estava na ponte de comando ? O sr. Spock, claro !


O visionário criado de Star Trek, Gene Roddenberry, divulgou inicialmente a ideia de a que série consistia em uma espécie de "faroeste no espo". No entanto, sempre pretendeu fazer muito mais do que isso. 


Consta que, inspirado em "As Viagens de Gulliver", de Jonathan Swift, pretendia contar histórias que se passassem em dois níveis: narrativas de suspense e aventura num primeiro plano, com um conteúdo moral ao fundo. Esta é, efetivamente, uma das características principais de Jornada nas Estrelas. 






A série foi produzida pela Desilu Productions, de propriedade da comediante Lucille Ball e seu marido Desi Arnaz, por insistência da própria Lucy. Ocorre que o episódio piloto, já mencionado, causou certa polêmica entre os produtores. Causou estranheza ao trazer na ponte de comando uma mulher como primeira oficial, a "Número Um" - interpretada pela esposa de Roddenberry, Majel Barrett - e, ainda, um alienígena de orelhas pontudas ! 


Roddenberry aceitou algumas mudanças, mas nem tantas. Substituiu a "Number One" pela oficial de comunicações Uhura e, quanto a Spock - interpretado por Leonard Nimoy - realizou mudanças mínimas em seu visual. E assim, foi aprovado o segundo piloto, que foi ao ar pela rede NBC em 08.09.1966, já em cores.


Bem, o resto é uma história bem conhecida. Já são seis séries produzidas para a televisão e vem aí a sétima, Star Trek: Discovery. Há também a série animada, produzida nos anos 70. Aliás, se alguém não percebeu, toda a produção de Jornada nas Estrelas para a tv está atualmente disponível na Netflix !


Sobre o último longa, foi uma surpresa positiva. É bom e digno da tradição de Jornada nas Estrelas. Na comparação com os outros filmes produzidos pelo J. J. Abrahms, digo que é melhor do que Star Trek (2009) e imensamente superior a Star Trek: Além da Escuridão (2012). Emociona em diversos momentos e o ponto mais positivo talvez seja a construção das personagens, que agora apresentam características mais fiéis aos da série clássica.


Diferente de algum tempo atrás, hoje acredito no futuro dessas duas franquias sci-fi clássicas - talvez com Star Wars num status de blockbuster e mantendo-se Star Trek mais cult e teremos diversão com conteúdo. 


Ainda a propósito de Jornada, observo que há gente que critica seu teor "utópico". Penso que, sob uma aparente ingenuidade, Star Trek nos propõe uma corajosa abordagem do futuro,  instigando-nos a sonhar com um mundo melhor, apesar de tudo. Não basta criticar, é preciso acreditar e fazer, assim "audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve".


Bom 2017 para todos !

       

 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A saudação vulcana e a benção de Shekhina








Neste último sábado, 26/03, Leonard Nimoy completou 80 anos de vida longa e próspera.
William Shatner também tornou-se octogenário no dia 22 passado. Parabéns aos dois!

Mas
com todo o respeito e carinho que devemos ao nosso Capitão Kirk, a verdade é que o Sr. Spock (do Nimoy) é, e sempre será, o nosso personagem mais querido do universo Star Trek.


No vídeo a seguir, o Nimoy fala de seu trabalho como fotógrafo e ainda explica a origem da famosa saudação vulcana: uma criação dele a partir de uma experiência religiosa na infância. Vale conferir (melhor visualizar em tela inteira).

Importante registrar que a Fê, do blog Vintage69, já havia dado um toque sobre esse assunto tempos atrás. Valeu.




Links recomendados:

Entrevista de Nimoy para a Revista Veja, em 2003.

Matéria no site TREK BRASILIS.

SPOCK - Matéria no blog Capacitor Fantástico.

domingo, 3 de novembro de 2013

WILLIAM SHATNER: PONDER THE MYSTERY





Acreditem: William Shatner lançou um álbum de rock progressivo!

Sim, o velho Capitão Kirk (octogenário, aliás) recrutou músicos de bandas clássicas do progressivo, que musicaram poemas de sua autoria, que ele mesmo interpretou no álbum PONDER THE MISTERY, que tive oportunidade de ouvir hoje. Bem interessante!

Penso que talvez o velho "Jim" tenha se inspirado noutro veterano, Christopher Lee, que não faz muito tempo lançou um álbum de heavy metal. É, alguns desses tios não querem mesmo parar!

Não é brincadeira, podem conferir! A faixa Do You See? tem participação do Edgar Froese, do Tangerine Dream.

Obrigado à Fê pela dica.



quarta-feira, 29 de maio de 2013

ALÉM DA ESCURIDÃO






por Quatermass



A série Jornada nas Estrelas realmente padece de uma maldição! Reconheço os méritos da série clássica (1966-1969), três temporadas cujo episódio mais fraco ainda ganha de 10 a 0 em cima de qualquer das franquias ou dos longas no cinema. Mas desconheço os motivos da incapacidade de Hollywood em produzir uma série ou longa à altura do original.


 O único diretor que chegou perto foi Nicholas Meyer, que além de dirigir também sabe roteirizar. Se em Jornada nas Estrelas II – A Ira de Khan fez bonito, em Jornada nas Estrelas VI – A Terra Desconhecida quase chegou lá, graças também ao seu vilão (o general Chang). 







O elenco original envelheceu, Deforest Kelley e James Doohan já morreram. Havia a necessidade de uma reciclagem e assim o fizeram, mas regada de equívocos. O novo elenco é empático, principalmente os novos Spock e Mcoy; até Kirk está mais convincente como velho William Shatner mulherengo. Mas de novo vem a questão do roteiro e do diretor. 


Após assistir a série clássica, mais A Nova Geração, Deep Space Nine, Voyager e Enterprise, cheguei a conclusão que um dos tantos méritos de Andromeda (também criação de Gene Roddenberry) deve-se a presença de ótimos roteiros, coisa que Brannon Braga nunca viu, não vê, nem saberá um dia o que seja!











(atenção: contém spoilers)



O que aconteceu com J.  J.  Abrams? Bateu com a cabeça? Tanto o seu primeiro Star Trek (2009) quanto este último são inconclusivos, com atores mal aproveitados, com direito à ponta de Leonard Nimoy para matar a saudade dos fãs, roteiros exageradamente rápidos e estressantes e com visual muito mais poluído que a última trilogia de George Lucas! Parece que injetou Michael Bay nas veias e de repente, o trekkie deixa de ouvir as saudosas baboseiras estelares e passa a assistir gritos, discussões inúteis e explosões em dose tripla!












Os roteiros dos dois filmes (de 2009 e 2013) são aparente confusos devido à interminável sequência histérica, mas se analisados friamente chega-se a seguinte conclusão: de que Rômulus não existe mais; Vulcano também não; que o velho Spock trava uma cruzada solitária; que o capitão e toda a tripulação de Enterprise já conheciam Khan, ao contrário do episódio Sementes do Espaço, de 1967; esqueça o episódio piloto original (The Cage), assim como os episódios The Menagerie partes 1 e 2, uma vez que o capitão Pike é morto por Khan neste filme; que os romulanos e Klingons sofreram mutação genética entre estes filmes e a temporada clássica; e que Kirk depois de 1969 havia sofrido de andropausa ou impotência sexual.






O que dizer da história desta última obra prima de J. J. Abrams?  Prepare-se então quando for ao cinema: Khan é um agente, uma arma de destruição em massa que passa a castigar toda a frota estelar. No seu encalço estão James Tiberius Kirk e o Almirante Marcus, pai de Carol Marcus e futura mãe de David (filho de Kirk). Só de pensar já dá dor de cabeça; é como se o trekkie tivesse que deletar de vez a série clássica diante do excesso de asneiras que o roteiro nos conduz.






A Enterprise mais parece um navio cargueiro dos anos trinta de tanta tubulação: é quase impossível transitar dentro dela; cadê o visual clean das séries?  Tem mais lixo no espaço sideral do que os que orbitam a Terra. Se no episódio de 1967 e no filme de 1982 Khan era de origem indiana (Khan Noonien Singh), agora segundo J. J., ele é um ariano de olhos azuis, indestrutível! Qualé pô! J. J. errou em ressuscitar antigos personagens e jogá-los numa mixórdia espacial sem pé nem cabeça.




Para encerrar há uma cena que, acreditem se quiserem, Kirk entra no compartimento do reator da nave e salva a Enterprise, porém, está fadado a morrer pela radiação. Só que agora quem fica do lado de fora é Spock, eles se despedem com todas aquelas declarações de amizade ditas em Jornada II. O lado bom é que Kirk se recupera, não necessitando de um Projeto Genesis para renascer, nem de uma tenente Saavik de plantão. 


Mas inverter o roteiro mais que manjado das Jornadas II e III e dizer que com isto é um filme novo atenta à inteligência de qualquer um. No IMDb a nota atribuída foi 8,3. Já que vou ser o único a criticar este filme do J. J. e como trekker frustrado, porém não surpreendido, dou nota inversa: 3,8. Tá mais que bom! Até a próxima novela, nobre internauta! 







terça-feira, 17 de novembro de 2009

"Q"


por Quatermass



Taí o melhor personagem da Nova Geração de Jornada nas Estrelas. ‘Q’ (John de Lancie) detinha todos os atributos que poderiam ter permeado as sete temporadas desta franquia Star Trek.


Foi o melhor vilão, anti-herói, personagem cômico e mocinho até! Entidade do Continuun: uma dimensão criada pelos roteiristas, até o momento de difícil definição físico-metafísica, entenderam??? Adotava a forma humana para interagir com suas cobaias.


Também funcionou como mestre de cerimônias, ao apresentar os Borgs aos tripulantes da Enterprise. Tal episódio, Q-Who?, foi com certeza o melhor da segunda temporada (1988-1989) e um dos melhores de toda a série, pois, ironicamente, trouxe um pouco de brutal realidade à alienada e faceira tripulação da Enterprise.



Com suas tiradas irônicas e inteligentes, quebrava a mesmice, ingenuidade e o irritante palavrório pseudo-técnico-científico criado por Brannon Braga & cia. É uma pena que não tenha sido aceito como tripulante de Picard no referido episódio, apesar de seus insistentes pedidos. Mas seria um risco para o elenco, uma vez que ele basta por si. Com ‘Q’, quem precisa de tripulação?



domingo, 8 de junho de 2008

TO BE OR NOT TO BE


por Quatermass


“To be or not to be, that is the question!” Imortal frase shakesperiana lida e relida várias vezes, seja em livro, seja em teatro, seja por Hollywood. Desculpem Kenneth Branagh e Sir Lawrence Olivier, não é de seus filmes que passo a analisar, mas do universo Star Trek.


O diretor/roteirista Nicholas Meyer sempre enriqueceu o desgastado mundo de Gene Roddenberry. Se Jornada nas Estrelas tivesse se restringido à série clássica (1966-1969) e alguns longas sua contribuição teria sido meramente a título de curiosidade, supérflua até. Mas a partir dos anos setenta resolveram ganhar mais uma graninha em cima e bolaram quatro seriados baseados no original (Nova Geração, Deep Space Nine, Voyager e Enterprise) e dez filmes de longa metragem (Jornadas I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX e X). Haja fôlego! Mas também haja paciência, haja engov, haja compreensão dos fãs diante de tanta ladainha vazia e efeitos cansativos. Em Star Trek qualidade e quantidade são palavras acima de tudo antagônicas, inversamente proporcionais.



Desses resquícios de criatividade, sobressaem os longas. O primeiro, Jornada nas Estrelas – O Filme é uma space opera muito inspirada de Jerry Goldsmith, cuja história atribulada dos bastidores seria suficiente para um filme próprio de como não fazer cinema. Mas ainda assim, deve ser visto em separado dos demais nove, pois tirando o roteiro confuso (uma das causas das brigas) e orçamento/prazo estourados, a direção, efeitos especiais e, novamente, a esplêndida trilha sonora compensam e muito.


O segundo, A Ira de Khan, foi o resultado dos excessos do primeiro: orçamento controlado, prioridades para roteiro e personagens. Aí entra Nicholas Meyer. De tudo o que foi produzido nestes quase trinta anos, foi a única criatura lúcida capaz de compreender e criar ou ressuscitar idéias/conceitos novos, personagens/vilões novos e histórias interessantes. A relação de amor e ódio entre Kirk/Khan, a questão da idade-jovem/velho-novo/arcaico, a interação mais íntima entre os personagens, as cenas de ação, tudo de maneira racional e enxuta.



Daí vem o terceiro (1984), quarto (1986) e o terrível quinto Star Trek (1989), quando se torrou dinheiro, tempo e idéias, associadas a um diretor amador (o próprio Willian Shatner) e um produtor que já devia ter caído fora há muito tempo (Harve Bennett). Novamente volta o bombeiro Nicholas Meyer para apagar o incêndio e fazer o rescaldo.


E aí? Aí vem Jornada nas Estrelas VI – A Terra Desconhecida (1991), de novo com orçamento apertado e de idéias novas. O filme é inferior ao segundo, principalmente devido ao clima pós-guerra fria no mundo real – acompanhando a tendência, os Klingons já não são o Império do Mal. Será? Pois é nesse momento de transição, de apaziguamento, que surge um dos melhores vilões já bolados neste universo sci-fi: o General Chang.



Muitas vezes um filme é lembrado somente pelo herói, pelo monstro, pelo romance, pelo suspense, pelo diretor. Em Star Trek VI a figura lendária é o personagem de Christopher Plummer. Se Nicholas Meyer bolou o tipo, o ator deu o arremate que faltava. Chang era perverso, inteligente, sarcástico, irônico, cínico, empático, de presença marcante e, acima de tudo, apaixonado por Shakespiere! Para desgosto de Kirk, vivia recitando o dramaturgo inglês, conferindo momentos de raro humor espontâneo e charme, somente visto no seriado dos anos sessenta.


Este personagem também conferiu uma sobrevida à irregular série de longas metragens, inclusive, sendo personagem em jogos de computador, como Klingon Academy. Uma curiosidade: nos anos sessenta, apesar da guerra fria envolver oficialmente Estados Unidos e União Soviética, na ponte da Enterprise estava o navegador Checov, russo. Até aí tudo bem. Mas os Klingons tinham feições por demais asiáticas, tendendo para o chinês ou o mongol. Ou seja, Roddenberry puxou a Rússia como aliada contra a China de Mao Tse Tung, e se prestarem atenção no episódio The Omega Glory fica ainda mais evidente, onde mesmo não contando com os Klingons, o inimigo lembrava o Exército Popular da China.


Quando filmaram o primeiro longa, mudaram as feições dos Klingons, tornando-os mais aliens e menos humanos. Mas Chang é diferente: lembra Gengis Khan – é só reparar. Por que será que aconteceu este breve retrocesso? Shakespiere explica?


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