segunda-feira, 3 de março de 2008

LIVRO VELHO




por Quatermass



Não é surpresa que gosto de filmes velhos, antigos, preto-e-branco, de atores e diretores esquecidos. Mas novamente brindo o internauta com mais uma novidade: também gosto de livros velhos, bolorentos, visitados por traças, cupins e brocas.


Por que esta mania? Porque não deixa de ser um complemento ao tipo de conhecimento que desejo obter: a busca pelo diferente, pelo raro, pelo que em algum momento deixou de ser valorizado. Um livro antigo traz consigo tanta história quanto seu conteúdo. Muitas vezes ao pegar um livro, lembro-me onde foi comprado, com quem, a dificuldade de obtê-lo e alegria de adquiri-lo.


Por exemplo: o número de livros nacionais já publicados sobre história naval dá para ser contado pelos dedos de uma mão. Ainda assim, sobra dedo. Se me dirigir a uma livraria tipo Saraiva, Siciliano ou Cultura, nestas encontrarei livros novos, importados, lançamentos, sucessos editoriais e acabou. Num sebo é diferente: não sei o que irei encontrar - é um misto de garimpo e sorte.


Há vinte e oito anos freqüento sebos e posso dizer com certeza, se ainda viver outros tantos, também não saberei até onde irá parar meu acervo. Sei exatamente que tipo de livro procuro: em geral de história, mesmo assim, às vezes, me surpreendo pela variedade. Meu amigo dentista/psicólogo disse certa vez que gosto de colecionar livros (esta é daquelas sinceridades que a gente hipocritamente diz que prefere ouvir).


Na verdade sempre leio, nunca na ordem de entrada, às vezes escolho outro já lido e parto para nova viagem. Meu prazer é o de saber que o tenho e que será lido sem pressa. Aqui em POA comecei freqüentando a Livraria Aurora, do saudoso Sétimo Luizelli. Com o passar do tempo proliferaram novos pontos.


Pode parecer anacrônico escrever sobre livros velhos em plena época de Internet, E-Books e mega-livrarias, mas como disse antes, procuro o raro e não o lugar-comum.


3 comentários:

furyanimal disse...

Encontrar um livro velho num sebo é como achar um lançamento, um ''best seller''. Recentemente adquirir um exemplar de "Viagens de Gulliver" de Jonathan Swift uma edição de setembro de 1971, o tradutor Octavio Mendes Cajado mantém a tradição do linguajar de portugal. Para mim sua leitura foi gratificante e em suas páginas voltei as leituras dos bons livros do passado, quando comprava aqueles "westerns" daquelas editoras antigas. Você tem uma mania que não é só sua como também de poucas pessoas no nosso Brasil, já que esta cultura com a velocidade de informações da internet está ficando para trás. Hoje em dia o jovem não le muito como os deantigamente. Belo blog, que tal colocar um livro antigo em capítulos como fez Victor Hugo com a edição dos "Miseráveis" na França. Seus leitores dos jornais da época acompanharam seus personagens como as donas de casas acompanham as novelas atualmente. Vai a sugestão deste seu admirador.

Rodrigo Finardi disse...

Tenhjo que dar a mão à palmatória!Há um tempo comprei na antiga Papirus, um exemplar com tradução portuguesa, extremamente fiel à obra original em grego da Ilíada, até onde me foi dito. Foi um dos melhores textos de ação que eu já li. Com uma linguagem de uma beleza de dar água na boca. Não era em versoso como o original, mas deu uma tristeza imensa quando acabou...

Gustavo E. disse...

Sofro desta mesma doença, esta inexplicável necessidade de vasculhar os sebos em busca da fruta dourada da arvore do conhecimento. Talves tu possas folgar em saber que este gosto por livros antigos e filmes em P&B ainda encontra ensejo em gerações mais novas. Tenho 26 anos, adquirí a febre do ouro desde cedo, e já vi minha pequena biblioteca crescer lenta mas satisfatoriamente desde então. Nem imagino as dimensões da tua, que deve ser uma maravilha.
Obs: também sou de Porto Alegre, então entaremos garimpando nos mesmos filões.

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