domingo, 9 de dezembro de 2007

DOZE HOMENS EM CONFLITO

 





por Quatermass




Não há filme com tal título, é criação minha. No entanto sintetiza a obra de Sidney Lumet, Doze Homens e uma Sentença (Twelve Angry Men - 1957)





É um filme de tribunal sem tribunal. É um filme de tribunal sem advogados, promotores, juízes, réus e testemunhas. Estes aparecem muito brevemente no início. Quando termina a instrução, o promotor de justiça é cumprimentado, o advogado de defesa mal aparece, mas a figura do Juiz é a mais importante: é a que orienta os jurados a seguirem suas convicções, porém, o veredito deve ser unânime e para condenação não pode existir uma dúvida razoável. Presença singela e sucinta. Mais singela ainda, a expressão de desesperança do jovem acusado. Os doze jurados então são encaminhados a uma sala da qual só sairão com a decisão final. 


Os fatos: discussão de pai e filho, ameaças, um grito, o pai morto e o jovem em fuga. O dia do julgamento está muito quente, prenuncia-se um temporal; e um jogo importante acontecerá. Nada mais justo que se decida logo e cada jurado volte para seus afazeres normais. Nenhum destes homens se conhece (é a própria essência do júri), sequer sabem seus nomes, estão ali eventualmente. Inicia-se então a contagem dos votos: um por um julgam o jovem culpado, exceto um voto! Absurdo! Os fatos são óbvios, as testemunhas foram precisas! Mas este jurado possui uma dúvida razoável e quer reexaminar os fatos, para desgosto dos demais.


Começa então um trabalho de desconstrução de todo o caso, a análise dos depoimentos e o conflito sempre permanente. De um lado, Henry Fonda, que aos poucos, descobre que apesar dos fatos, não há certeza absoluta quanto à autoria do crime e os demais jurados começam a reconsiderar. Do outro, Lee J. Cobb, intransigente, irascível, porém, extremamente convicto e coerente. 


É um filme sem advogados bonitões e crimes mirabolantes, mas quem precisa? É uma das obras mais inteligentes e humanistas que Hollywood já produziu! Não defendo a tese de que bandido é bonzinho; mas sim que nem todos os bonzinhos são como tal.

 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

WAR GAMES (1983)



por Thintosecco




Existem filmes que marcam uma época ou mesmo uma geração e War Games (1983) é um desses.



Lançado em 1983, retrata muito bem um tempo em que o mundo ainda vivia a paranóia da Guerra Fria entre EUA e URSS (que naquela época poderia “esquentar” com o simples apertar de um botão, como se dizia), mas surgiam novidades que iriam influenciar, e muito, o futuro dos garotos da época: os computadores pessoais e a internet.

Não posso afirmar com certeza, mas possivelmente War Games tenha sido o primeiro filme a mostrar o uso da internet e a ação de um hacker, muito embora alguns de seus elementos - comunicação entre computadores e seu uso militar - já tivessem sido mostrados em Colossus 1980 (Colossus: The Forbin Project - 1970) .


Aqui, no Brasil do início dos anos 80 tudo isto ainda parecia sci-fi, mas as novidades estavam chegando: os video-games Atari e Odissey entravam no mercado, assim os primeiros microcomputadores pessoais (mas nada de Pcs, falo de micros MSX , TK, Apple II e cia.) Na época houve também um grande boom dos fliperamas, também retratado no filme.




Em War Games o personagem de Matthew Broderick invade o computador do sistema de defesa dos Estados Unidos (chamado de JOSHUA), onde encontra uma lista de jogos. Sem noção do perigo, resolve “jogar” um deles: GLOBAL THERMONUCLEAR WAR. Neste momento os militares recebem um alerta DEFCON 3, indicando a iminência de um ataque de mísseis soviéticos.

Não vou contar o filme todo, mas tenho que registrar as últimas palavras de JOSHUA, algo mais ou menos assim: “JOGO ESTRANHO. A ÚNICA MANEIRA DE VENCER É NÃO JOGAR. VOCÊS NÃO PREFEREM JOGAR XADREZ?”


Como diz o Quatermass, inverossímil. Mas muito legal. Fecho esta postagem deixando um abraço especial ao MrOx, companheiro de muita diversão “a bordo” de video-games e computadores, desde o tempo dos cartuchos e fitinhas cassete!


Segue o trailer de War Games. Como sou um pouco exagerado, emendo nesta postagem um clipe que apresenta o micro ZX Spectrum (no Brasil, TK-90X), que rodava com apenas 48 Kb de memória RAM, e mostra bem os games da época. Valeu.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

TRÊS HOMENS EM CONFLITO



por Quatermass



Três Homens em Conflito (The Good, the Bad and the Ugly/Il buono, il brutto, il cattivo – 1966) não é um spaghetti western, é um western opera.



Foi o terceiro filme da trilogia iniciada por Um Punhado de Dólares (1964), seguido Por Uns Dólares a Mais (1965). Provavelmente, o ponto alto da carreira do diretor italiano Sergio Leone – tudo neste filme funciona!


Se em minha critica ao Egípcio dizia não existirem filmes perfeitos, este western está próximo de sê-lo. A direção de Leone é segura; o roteiro é ágil e criativo, os atores estão ótimos: Clint Eastwood (o bom), Lee Van Cleef (o Mau) e Eli Wallach (o feio) – todos são carismáticos; a reconstrução suja do oeste e da guerra civil americana é a mais realista e, principalmente, a trilha sonora de Enio Morricone está entre as melhores já concebidas (praticamente criando uma composição nova para cada grande cena - que não são poucas).


Uma observação: apesar do título original, todos os três protagonistas são canalhas! A versão européia possuía 3 horas de duração (lançada recentemente em DVD), tempo demais para os padrões americanos, que tiraram 20 minutos sem consentimento do diretor (versão esta exibida pela TV Globo) e a primeira lançada em DVD. O filme possui vários momentos memoráveis, com Eli Wallach (como Tuco) em todas.


Ah! Ia esquecendo, a sinopse: durante a guerra civil americana, dinheiro confederado foi roubado por um oficial sulista, que antes de morrer conta, por partes, o local para dois dos protagonistas. Daí começa a corrida pela grana!


Novamente digo: está longe de ser um “Deu a Louca no Mundo”, muito pelo contrário, Leone costura com presteza várias tramas paralelas entre personagens e cenários épicos, que, ao final desemborcarão no local procurado. Este italiano é um daqueles bons contadores de histórias, que sem pressa, dão seu recado, como Robert Wise, David Lean, Anthony Mann e outros bambas da direção.



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