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domingo, 19 de junho de 2011

MARANHÃO 66


Curta de Glauber Rocha, que originalmente fora encomendada por José Sarney em sua posse pelo governo do Estado do Maranhão em 1966, que não foi utilizado para esse mesmo fim, por motivos óbvios... (conforme a sinopse do You Tube) E aí um comentário disse tudo: Grande Glauber... na maciota...

Uma boa dica do colega Rodrigo. Valeu!



sábado, 4 de outubro de 2008

O PAGADOR DE PROMESSAS





por Quatermass





Um dos filmes brasileiros que mais prezo. O Pagador de Promessas (1962) supera O Cangaceiro e O Assalto ao Trem Pagador em sua aparente simplicidade.



Na verdade, a história é simples, porém com uma rara carga de aspectos extremamente complexos e dispostos num universo de pessoas aparentemente comuns. Nunca foi anunciado como obra crítica, subversiva, contra o sistema e toda aquela ladainha que a esquerda brasileira adota quando quer promover alguma porcaria cinematográfica. Ao invés, prima pelo singelo – e, por incrível que possa parecer, é exatamente inteligente e toca fundo na ferida.


Leonardo Villar está esplêndido como o inocente e determinado Zé do Burro. Seu objetivo: pagar uma promessa à Santa Bárbara, carregando uma cruz, acompanhado de sua impaciente e incompreensiva esposa (Glória Menezes) até a igreja da santa em Salvador. Sujeito simples e humilde, mas digo novamente, determinado a deixar a cruz dentro da igreja. Em seu caminho está o vigário (Dionísio Azevedo) que além de desdenhar da promessa, impede também acesso a cultos afro, dispersando as baianas do candomblé.


Além da postura excludente e elitista da Igreja, há também os que procuram capitalizar o incidente criando outro: o repórter que induz nosso pagador a responder o que não quer e escrevendo somente o que interessa ao jornal. Agora, Zé do Burro, que além de representante do capeta pela Igreja, também é o Novo Cristo, comunista, à favor da reforma agrária, contra a exploração do homem pelo homem e tantas outras coisas que nunca pensou em ser ou dizer.


O dono do boteco fica feliz com o fato, pois seus negócios melhoraram. O boato vai se agigantando até o triste clímax.


É uma obra rara e que dificilmente o espectador não deixa de manter empatia com Zé do Burro. De burro não tem nada. Burros somos nós, que passados quarenta e seis anos, continuamos vivenciando e sofrendo: carregando uma cruz e sendo manipulados pelos outros!






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