sexta-feira, 9 de maio de 2008

BATTLESTAR GALACTICA




por Quatermass



Que barbaridade! Quanta diferença! Do que estou falando? Dos dois seriados baseados na nave do Comandante Adama! O primeiro, criado por Glenn A. Larson nos fins dos anos setenta (1978), era resultado do sucesso de Star Wars: voltado mais para o público infanto-juvenil; o segundo (2004), uma ótima e interessante releitura, visando um público mais adulto. E como em Star Wars, aconteceu há muitos e muitos anos atrás, numa galáxia muito, muito distante.






Após um longo período de guerras entre homens e máquinas (os Cilônios) é negociada a paz. Na celebração, todas as naves de combate das colônias humanas estão reunidas, quando um ataque surpresa destrói todas menos uma, a Galactica. Mas não só as demais naves como todas as cidades nos planetas contendo vida humana. Os sobreviventes são então reunidos em uma frota de naves escoltadas pela Galactica e partem em um busca de uma colônia de humanos que havia se fixado num longínquo planeta chamado Terra. Sua jornada é recheada de intrigas humanas e ataques das máquinas traiçoeiras. Esta é a sinopse básica de ambas as séries, mas há grandes diferenças.






A primeira diferença: a mensagem. A mensagem do primeiro seriado é mais otimista, infantil, descompromissada, surreal, com personagens caricatos, principalmente, as máquinas e o traidor Baltar. O seriado novo faz uma releitura bastante fria e pessimista, o ambiente é mais dark e os personagens são de carne e osso, denotando-se ambigüidade presente desde os mocinhos até o citado vilão.


Segunda diferença: os personagens. No seriado anos setenta, Adama (Lorne Greene) era mais paizão, tolerando tudo e a todos; tanto Starbuck (Dirk Benedict) quanto Boomer (Herb Jefferson Jr.) eram homens, pilotos formidáveis, jogadores e extremamente simpáticos; Apollo (Richard Hatch) era o filho certinho de Adama; e o Coronel Tigh (Terry Carter) era o oficial incorruptível.


Na nova versão, Adama (Edward James Olmos) é às vezes teimoso, em outras insensível e com tendências antidemocráticas; Starbuck (Katee Sackhoff) é uma piloto notável, beberrona, insubordinada, que rola com todo mundo e que no fundo ama Apollo (vá entender); Boomer (Grace Park) é uma bela oriental, exímia piloto, mas que não passa de uma máquina cilônia, que entre outras coisas tem um filho com Karl “Helo” Aghaton (novo personagem) e ora está de um lado ora está de outro; Apollo (Jamie Bamber) continua sendo o filho certinho, mas que vive respondendo ao pai; e o Coronel Tigh (Michael Hogan) é uma coleção de vícios travestido de oficial.



Terceira diferença: os Cilônios. Esta sim é a diferença que se faz sentir. Antes as máquinas eram caricatas, que de cada dez tiros erravam onze, e que não serviam para outra coisa senão serem explodidas e passadas para trás. Agora não: assustam. A abertura do filme piloto já diz a que vieram: extermínio. E o fazem sem clemência. São também mais complexos: fazem clones humanos, misto de homem e máquina; seus raiders agora não são tripulados, são máquinas vivas que sangram; questionam a existência de Deus e se a entidade divina não teria lhes dado um papel essencial na substituição da raça humana.



Quarta diferença: Gaius Baltar. Em ambos os seriados sempre foi uma figura complexa. No primeiro, interpretado por John Cólicos, estava mais para Dr. Smith, de Perdidos no Espaço. Era simpático, traiçoeiro, mentiroso, dele não poderia se esperar outra coisa senão covardia. Fazia par perfeito com Lúcifer, seu intermediador com o Líder Imperioso.


No novo seriado, na pele de James Callis, está ainda mais complexo, mais moço, extremamente charmoso, irresistível, dúbio e simpático, menos covarde e mais prolixo, em suma, um ótimo vilão. Ora sofre em mãos dos humanos traídos por ele, ora com as máquinas que também não confiam. Mas é de sua relação apaixonada com a cilônia Número Seis (Tricia Helfer) um dos pontos altos do filme. Destruída ao salvá-lo de uma explosão nuclear em Cáprica, ela aparece somente para ele, nem as máquinas a visualizam. Seu solitário diálogo é um verdadeiro achado.





Através dele é que são explanadas as concepções de mundo das máquinas e a tortuosa interpretação da criação divina e Deus.


Não é ridículo, é até interessante: seria como um ateu ou agnóstigo tentar interpretar cientificamente a manifestação divina do zero e dar sentido a uma existência vazia. Só que, às vezes, perigosamente ultrapassa o senso espiritual, dotando o discurso de conotação filosófica. Porém, religião não é filosofia.


RECOMENDO. Até é interessante assistir a um seriado baseado em outro, que por vezes, parecem totalmente desvinculados. Não fossem os nomes e a sinopse, diria que o primeiro seria plágio do segundo.







4 comentários:

thintosecco disse...

Existem aqueles que crêem que vida aqui começou lá no alto, entre as estrelas... Era com essas palavras que entrava no ar a série clássica, pela qual tenho um carinho especial. Em alguns pontos a velha Galáctica era muito infantil, mas tinha um argumento curioso, inspirado na tese dos Deuses Astronautas, do Von Däniken (nada científica, mas um interessante exercício de imaginação), com influência desde o nomes das personagens até o design das roupas e aparelhos. A Terra não era então o ponto de partida das aventuras, mas sim o destino mítico. E a música do Stu Phillips? Um show. Não foi à toa que deixou uma legião de fãs e deu origem, tantos anos depois, ao atual (e ótimo) seriado.

Dr. Phibes disse...

Grande matéria thintosecco eu não tinha visto ela quando fiz o post lá no bizarro. Eu fiz um link provisório para cá ok. O engraçado e que eu pensei em escrever no diagnóstico algo parecido com o que vc fez aqui que coincidência, comparando a série clássica com a moderna eu só não escrevi por falta de tempo acabei postando só os gif dos personagens. Agora nem vou escrever mais vou sugerir a sua matéria.

Parabéns cara

Dr. Phibes disse...

Foi mal Quatermass agora que eu vi que foi vc que escreveu.

parabens cara

Dinho01 disse...

Alguém sabe dizer por que eles mudaram o sexo dos personagens citados no post?E por que eles trocaram armas de raios por arma a bala?

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