quinta-feira, 17 de outubro de 2024

AURORA

 
 
 

 
por ARTHUR
 
 
 
Interessante como tempos atrás comentava com o Taiguara acerca da Aurora, sua trajetória e a inevitável rota de colisão que levou ao contato imediato. Digo interessante porque li, não muito depois, que a livraria estava encerrando suas atividades. Triste, muito triste: outra livraria a menos na cidade. Isso que, nos anos setenta e oitenta, este geek que vos fala conheceu as extintas Sulina, Lima, Mercado Aberto, Porto, Siciliano, Província, Planeta Proibido; também o sebo do Adeli Sell no Viaduto da Borges e de seu concorrente ao lado. Sem falar nas lojinhas na Riachuelo.
 
 
  

Mas era marcante a Aurora por um motivo: o livreiro.

Tive a honra de conhecer o senhor Sétimo Luizelli. O ano era 1980, já conhecia a Aurora de ouvir falar, mas faltava a oportunidade. Então, já no terceiro ano do ensino médio, fiz cursinho no Centro e minha chance surgiu. Elaborei minha rota de fuga: saía do colégio ao meio-dia e de lá ia direto pro Centro. Descida do ônibus, e subia a Marechal Floriano até a esquina com a Duque de Caxias. Lá entrei numa loja de três pisos, lotada de livros e revistas. Meus olhos se esbugalharam! Fui direto para o canto da História, atônito. Interessante que os gêneros literários nunca mudavam de lugar: até um cego chegaria lá.
 
 
 
 

 
O seu Sétimo era diferente dos demais livreiros: participou desde a 1ª Feira do Livro de Porto Alegre, em 1955. E no ano seguinte, abriu a Aurora, no mesmo ponto. Juntamente com o Luiz, conhecia todo o acervo, bastando dizer o título ou seu autor; caso não tivesse, recomendava o "concorrente", o FDP do Martins Livreiro. Atenda sempre com educação e seriedade, mas a esclerose já estava batendo desde o início: sempre que ingressava na loja perguntava: "o que o senhor quer"? Segundos depois, dizia: "ah, o senhor é o amigo do Luiz, pode entrar". O entrar significava que podia ingressar em toda a loja, me sentar no chão, na escada, no banquinho e garimpar. E como é bom o garimpo: simplesmente porque não se sabe o que pode encontrar.
 
 

 
 
Perguntava ao cliente e o deixava a vontade para procurar: não ficava em volta, que nem mosquinha. Já o Luiz, foi diferente: quando não atendia outra pessoa, ficava em volta, dando referências e comentando livros. Cara! Era inacreditável: simplesmente assistia-se gratuitamente como bem atender o cliente e como se apaixonar pelos livros. Foi uma dupla fiel e leal até o fim. Não que não houvessem outros funcionários, mas o tempo passava e somente o dois permaneciam. 
 
 

 

Além da citada dupla, havia o filho: Eduardo. Há uns três anos atrás me indignei com uma reportagem da Zero Hora (e acho que replicada digitalmente), aclamando o Eduardo Luizelli como o maior livreiro de Porto Alegre. "Façam-me o favor!" Vou então contar uma história poucas vezes mencionada mundo afora: o fim e o ressurgimento da Livraria Aurora.


Desde 1980, o seu Sétimo tinha a intenção de expandir seu negócio, abrindo filiais. O velhinho tinha tino comercial nato. Já tinha uma papelaria na Duque, defronte o Sevigné, e pretendia abrir outra livraria nos fundos da matriz. Nunca chegou a abrir a loja da Duque, mas abriu outras duas na Marechal Floriano já em 1983 (inclusive uma loja bem perto da antiga CRT) e uma nos altos da Ruachuelo (e tinha uma cafeteria dentro).
 

Já em 1988 resolveu se aposentar e deixar os negócios para o filho. Este porém, tinha aspiração em ser corretor de imóveis, e repassou para a esposa. Esta, terceirizou para um gerente, um administrador, um sujeito barbudo, mal encarado, burro e grosso. Resultado? Começou a sumir dinheiro do caixa, estoque e por aí vai. Em 1992 a coisa degringolou de vez: fecharam todas as lojas, inclusive a matriz. Nunca vou esquecer esse período, quando visitava o Luiz num depósito alugado para guardar os livros das lojas que fecharam; hoje é um terreno que serve de estacionamento. Era pura penúria: o Luiz ganhava como aposentado, mas fazia bico na Aurora; ele e mais ninguém, pois mal pagavam o almoço.
 
 
 



Mas, na virada dos anos 1994/1995, um milagre aconteceu:  o seu Sétimo volta da aposentadoria e reabre a loja da Marechal Floriano (o único imóvel particular). Daí que, voltando, voltou a velha freguesia: e o velho quitou as dívidas contraídas pela parentada. 

Como estava indo tudo bem, voltou também o Eduardo, uma vez que sua corretora faliu! Uma observação: o fato de ser parente, filho, ou o que for não significa que seus dons e aptidões migrem automaticamente para o descendente. Realmente, o Eduardo tinha problemas de comunicação com o publico! Conhecia livros e editoras, mas não gostava do que fazia: podiam ser beterrabas, roupas velhas e trastes, seria tudo igual. O "ex-corretor" livreiro que não gostava de livros. Aos poucos, fui migrando para o Beco dos Livros, duas lojas dirigidas por pai e filho, mas neste caso, há sintonia. Porra! Nesse ramo, tem que gostar da coisa! O mesmo com quadrinhos, discos... 


Mas o tempo chegou ao fim para o Sétimo Luizelli: em 1999 ele falece, e o Luiz sai da Aurora e vai para o Beco. Fiquei feliz com a mudança: outro sebo legal e um senhor de setenta e poucos anos com espírito de 15. Já se passaram mais de quarenta anos desde a primeira vez que pus os pés num sebo e sinto o peso dos tempos.
 

Outra coisa que aprendi com a vida: só notamos o passar do tempo quando nossas referências desaparecem. E assim está acontecendo: o Eduardo morreu de leucemia em 2021; o Luiz, afastado há cinco anos do Beco, por problemas ortopédicos, veio à falecer por causas naturais no interior; e agora a notícia do encerramento das atividades da Livraria Aurora. 
 
 
Mais uma página que se encerra na vida de um nerd, mas tive o privilégio de conhecer o maior livreiro de POA, talvez do Brasil.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

ERRADO PRA CACHORRO (1963)


 

 

POR ARTHUR

 

Antes de vir com os "causos" de minha juventude, passo a postar, na minha opinião, sobre um dos melhores filmes de Jerry Lewis: ERRADO PRA CACHORRO, de 1963. Curiosamente, na fase imediatamente anterior ao ostracismo que se seguiria. 


Acho que muito do talento de JL deve-se também ao diretor. Não me refiro a ele próprio, já que está longe de ser um Chaplin, mas ao discreto Frank Tashlin. 

 


 

Nunca soube bem a razão, mas nos filmes de FT, Jerry Lewis interpretava seu personagem favorito, o ingênuo, de maneira mais natural e menos forçada; era mais divertido, leve, e menos dramático.

 

Talvez, por querer igualar à Chaplin, os filmes de Jerry Lewis tenham caído numa espiral decrescente após. Só que Chaplin não é Lewis, nunca precisou forçar a barra.

 

Num dos melhores momentos do filme e de sua carreira, a cena da máquina de escrever. É, na minha opinião o ápice da dupla Lewis e Tashlin. 

 





Mais que a saída de Dean Martin, a teimosia de Lewis em seguir dirigindo talvez fosse a causa de seu declínio. 


Este filme faz parte da minha quadrilogia favorita, juntamente com Artista e Modelos (1955), O Rei dos Mágicos (1958) e Bancando a Ama-Seca (1958).

 

Mas vamos curtir um pouco de seu talento. É um filme para quem ainda quer acreditar que existe inocência e pureza.

 

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

O CLONE

 
 
por ARTHUR
 
 
Se me perguntassem se gosto de novelas da Globo, responderia: uma meia dúzia. Nem vou entrar no campo ideológico para espinafrar a tal rede de televisão. Mas algumas foram realmente boas. 
 
Sempre tive uma queda por aquelas que apresentavam o aspecto interiorano e pitoresco: O Bem Amado (1973), Saramandaia (1976), Roque Santeiro (1985/86), Tieta (1989/1990). Eram baseados em livros de Dias Gomes e Jorge Amado, de inquestionável valor.
 
Mas ainda havia uma que se distinguia das demais: O Clone (2001), de Glória Perez. Essa escritora nunca havia me fascinado: tenho ela como o Oliver Stone da dramaturgia, ou seja, buscava chamar a atenção para "questionamentos" duvidosos, e gerar polêmica pela polêmica. Mas essa novela em especial tinha uma produção esmerada, ótimos atores, e uma história pra lá de estranha.
 
 

 
 
 
Mas, como nos filmes e séries, também me atraiu o fato de possuir uma belíssima trilha sonora composta por Marcus Viana. Assistam e ouçam um pouco esses vídeos abaixo e concluam se não tenho razão.
 
 

A MÚSICA DE "O CLONE" - PARTE II

 

 A JORNADA DA ALMA

A MÚSICA DE "O CLONE" - PARTE I

 SOB O SOL

 

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

REI ARTHUR (2004), revisitado.


 

 por ARTHUR


Curioso o período entre os anos 2000 e 2005. Foram lançados alguns dos melhores filmes épicos (e suas inevitáveis sequências) da história do cinema. Gladiador (2000), Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra (2003), Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001), O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel (2001), e King Kong (2005), dentre outros. Gêneros diferentes, mas com algo em comum: produção primorosa, bons roteiros, direção, elenco, trilha sonora, muito dinheiro bem empregado, e com tempo de exibição um tanto quanto longo para os padrões da época.

 

Quando assisto os remakes dos dias atuais, às vezes penso haver existido um alinhamento de planetas ou algo assim. E, como tudo na vida, foi uma fase, que não irá se repetir tão cedo. Mas também haviam alguns filmes subestimados pela crítica e público, que contam com uma legião de fiéis admiradores. 

 

 

 

Um desses, nos apresenta a versão sem glamour de uma lenda inglesa; contextualizada de acordo com recentes descobertas arqueológicas; mais precisamente, um anti Excalibur (1981). Já adianto que Excalibur é o suprassumo de tudo o que se escreveu sobre o Rei Arthur e seus cavaleiros. 

 

Mas o filme com meu nome, de 2004, traz elementos atuais, ainda que - justamente por isso -, seu roteiro resvale ao tentar adequar os personagens da lenda para o mundo real: um Merlin que não tem nada de mago; uma Guinevere que não trai ninguém; um Lancelot reprimido (tímido até); e sem Excalibur. Imagina a pauleira que esse filme tomou na Inglaterra! 

 


 

 


 

Na verdade, foca o lado excessivamente humanista de Artórius, o último comandante romano, que defendia a Muralha de Adriano contra os pictos, mas que se vê diante de uma ameaça muito maior, vinda dos saxões. Aí já é outra história: o brutal Rei Cerdic (Stellan Skarsgard) e seu filho roubam todas as cenas!

 


 

Outra figura que atrai atenção, mesmo que muito discreto é Tristan (Mads Mikkelsen, um ator que admiro desde Cassino Royale e a série Hannibal), cuja pontaria - somada aos delírios narrativos - faz com que voem suas flechas mais longe e com mais potência que mísseis supersônicos.

 

E isso que nem tinha mencionado a trilha sonora, composta por Hans Zimmer. Gosta da trilha de Interestelar? A de Rei Arthur (2004) é melhor!!!

 

domingo, 7 de janeiro de 2024

PARA LEMBRAR: A BATALHA NO GELO, em REI ARTHUR (2004)

 

sábado, 6 de janeiro de 2024

ADESTE FIDELES !

 

Vá, fiel, satisfeito e triunfante,

venha, venha para Belém.

Olhe para a criança, o Rei dos anjos.


Venha, vamos adorar, venha, vamos adorar

Venha, vamos adorar o Senhor. (REFRÃO)


Olha o rebanho saindo do berço baixo

os pastores tendo sido chamados, apresse-se

E vamos apressar o passo triunfante.


Pai Eterno, Brilho Eterno

veremos o que está coberto pela carne

Nosso Deus, bebê, embrulhado em panos.


Abraços e feno para nós

Nós apreciamos abraços piedosos

Então quem não nos amaria como nosso amante?

 

Epifania do Senhor.

 

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

A DANÇA DA NEVE




 
por ARTHUR
 
 
Sempre gostei de ouvir trilhas de filmes. Talvez porque preguiçosamente não precise trocar ou escolher faixas. Mas algumas são especiais.Neste fim de semana, resolvi catar trilhas ao acaso na Internet. E sempre que caia em Danny Elfmann, recaia em Edward Mãos de Tesoura. Mais precisamente, em Ice Dance. 
 

O filme é uma fábula extremamente carregada de metáforas, mas a música é linda. Por conta disso, sempre me emociono com o final. Lembra o Natal, hoje em dia uma data menos americanizada. Há menos Papais Noéis e pinheiros de Natal, simbolizando as regiões nórdicas, cujas temperaturas desconhecemos nesta época do ano. Também não se falam em presépios, como o da antiga Galileia. Está mais banalizado. Aliás,  uma das coisas interessantes do neoliberalismo é que promove a extinção das tradições, mesmo aquelas importadas do Norte. 

 
Lembrança de um filme comentado no blog, quinze anos atrás. Acerca de uma típica cidadezinha americana que havia recepcionado um estranho ser. Uma bonita alegoria de Tim Burton. Casas iguais, homens comuns, evento anual descaracterizado pela ausência de neve... Segue então a postagem original e um trecho do filme, A Dança da Neve, com uma bonita composição de Danny Elfman. Feliz Natal !


 EDWARD "MÃOS DE TESOURA"


Às vezes me pergunto se não seria mais fácil transcrever uma crítica ou escrever certinho. Também me pergunto se não seria mais cômodo contratar um revisor e eliminar todas as minhas incontáveis palavras repetitivas. Mas daí veio uma revelação divina: pra quê então um blog? Retiraria toda a personalidade do comentarista e seria um mero site formal. Copiaria do Wikipedia ou traduziria do The Internet Movie Database e pronto!


Contudo, infelizmente e teimosamente não sou assim!!!! Critico aquilo que assisti, elogio o que entendo deva ser elogiado, relembro o que merece ser reconhecido, esculacho (com relativa frequência) alguns filmes – e vou seguindo meu caminho! Quem sabe um dia domino de vez a arte de passar para o papel o que penso e escrevo um livro?


Nunca pensei em casar, casei. Nunca pensei em ter filhos, tenho. Nunca pensei em postar na Internet – incrível – mais uma façanha! Do meu amigo Thintosecco recebi um convite em participar e não sei qual força misteriosa me impeliu em aceitar. Será que pelo acaso, oportunidade, momento? Não sei, porque gostei! Há tanto a ser comentado. Tantos atores, diretores, filmes e personagens esquecidos ou até badalados. Personagens normais, comuns e os estranhos. 
 
 


Estranho... mas o que é o estranho? É o diferente, e na maioria dos casos, externamente. EDWARD MÃOS DE TESOURA (Johnny Depp) é um ser estranho, por ser diferente. É um Pinóquio que nunca mentiu, porém apresenta uma característica que o estigmatiza: suas mãos são de tesouras! 
 




O filme de Tim Burton (1990) é sobretudo uma fábula: conta a história de um ser criado por um bondoso velhinho (Vincent Price) que vai gradativamente deixando de ser um boneco e tomando feições humanas.


Em sua última etapa, a que seria justamente as mãos, morre seu mentor. Só que este Pinóquio já é humano! Vivendo recluso num casarão é descoberto por Peg (Diane West) uma vendedora de produtos da Avon. Moradora de uma típica, massificada e hipócrita sociedade, que o diretor identifica como a América, mas que serviria para muitos e muitos outros países. Levado para a residência de Peg, conhece e se apaixona por sua filha Kim (Winona Ryder) – com um porém: apesar de possuir sentimentos bons e sinceros, suas mãos afiadas ferem aqueles que ama!
 
 




É uma fábula e ela segue, na medida em que demonstra que a língua dos moradores é ainda mais afiada! De uma simpática aberração passa a ser um suposto criminoso, um Frankenstein. No fim, a obra, que carrega de uma poderosa bagagem crítica, nos oferece um Natal nevado em uma cidadezinha que nunca tinha visto neve e a resposta de sua origem. Um Edward mais que humano, imortal até, bondoso, apaixonado e fiel.


Só em fábula, porque na vida real dá-se o oposto: o homem mortal, de curta existência, desperdiçada, que não enxerga nada além de seu nariz, que fala o que não sabe, ouve o que quer, sem pensar, deixando-se levar pelo coletivo. Ainda assim, a belíssima trilha de Danny Elfmann, por breves momentos (como a dança de Kim no gelo), me faz esquecer a frase anterior. E eu ainda tenho que me preocupar com revisor?



sábado, 8 de outubro de 2022

REVISITANDO POSTAGENS: O MUITO E O MUITO POUCO

 


por ARTHUR

 
Interessante como hoje em dia há uma infinita diversidade de fontes na Internet e, ao mesmo, descaso, ignorância, lacrações e cancelamentos; a luz e as trevas interagindo. 
 
Este paradoxo lembra certo comentário de 28 de janeiro de 2014 junto ao blog oplanetaehnosso sobre o que pode significar o muito e o muito pouco:
 

Localidade, dia e hora: Porto Alegre, 19 de janeiro de 2014, 22:30 horas. Local: sala da residência do internauta. Aparelhagem da sala: televisão de LCD 40 pol, NET HD & Blue Ray player.  TV à cabo? Sim. TV de sinal aberto? Opcional. Quantidade de canais: de acordo com o pacote oferecido pela operadora. Objetivo: breve consulta de canais. Canais e filmes consultados: FOX, Homem de Ferro 2; WARNER, Gran Torino; TNT, Scott Pilgrin Contra o Mundo; MEGAPIX: Caçador de Recompensas; CINEMAX, A Fantástica Fábrica de Chocolates;  STUDIO UNIVERSAL, Cassino; MGM, Missão Impossível 3; TCM, O Rio Selvagem; TELECINE PREMIUM, O Lado Bom da Vida; TELECINE ACTION, A Hora do Espanto; TELECINE TOUCH, O Sabor de Uma Paixão; TELECINE FUN, O Céu pode Esperar; TELECINE PIPOCA, João e Maria Caçadores de Bruxas; TELECINE CULT, Veludo Azul; e paro por aí, porque há muito mais canais!

Localidade e ano: Porto Alegre, ano de 1975. Local: quarto de pré-adolescente nerd. Aparelhagem do quarto: televisão preto e branco de 14 pol. TV à cabo? Não. Sinal aberto? Sim. Quantidade de canais de sinal aberto: 01 – TV Gaúcha (filiada à Rede Globo); 02 – TV Piratini (filiada à Rede Tupy); 03 – TV Difusora (filiada à Rede Bandeirantes); 04 – TV Educativa (filiada à TV Cultura), que passou a operar a partir do 2ª semestre. Os canais possuíam estéreo? Não. Havia distorções de imagens (fantasmas)? Sim. Existia guia com programação? Pelos jornais, quando enviados pela emissora. Os filmes eram retransmitidos? A cada seis meses, pelo menos, sem prévia informação.

Filmes em exibição durante o ano: Uma Batalha no Inferno (1965; Ken Annakin, diretor; Henry Fonda e Robert Shaw, atores, *1*), A Invasão dos Discos Voadores (1956; Fred F. Sears, diretor; Ray Harryhausen, efeitos especiais, *3*), Jasão e o Vêlo de Ouro (1963, Bernard Hermann, trilha sonora; Ray Harryhausen, efeitos especiais, *2*), Pequeno Príncipe e o Dragão de Oito Cabeças (1963, Yugo Serikawa, diretor; Akira Ikufube, trilha sonora, *2*), Alakazan, o Grande (1960, Daisaku Shirakawa, diretor, *1*), Cinco Covas no Egito (1943, Billy Wilder, diretor, *3*), Vinte Milhões de Léguas da Terra (1957, Nathan Juran, diretor; Ray Harryhausen, efeitos especiais, *3*), Torpedo (1957, Joseph Pevney, diretor; Glenn Ford e Ernest Borgnine, atores, *1*), A Sétima Viagem de Simbad (1958, Nathan Juran, diretor, Bernard Hermann, trilha sonora, Ray Harryhausen, efeitos especiais, *3*), A Noite dos Generais (1966, Anatole Litvak, diretor; Peter O’Toole, ator, *1*), O Egípcio (1954, Michael Curtiz, diretor, *1*), Mar Cruel (1953, Charles Frend, diretor; Jack Hawkins e Denholm Elliott, atores, *1*), O Caso Bedford (1965, Richard Widmark e Sidnei Poitier), atores, *3*), Jack - O Matador de Gigantes (1962, Nathan Juran, diretor, Kerwin Mathews, ator, *1*), Quo Vadis (1951, Marvin LeRoy e Anthony Mann, diretores; Peter Ustinov, ator, *1*); Os Três Mundos de Gulliver (1960, Bernard Hermann, trilha sonora; Ray Harryhausen, efeitos especiais, *2*), Combate (1962-1967, seriado, Vic Morrow, ator, *2*), Terra dos Faraós (1955, Howard Hawks, diretor; Jack Hawkins, ator, *1*), A Ilha Misteriosa (1961, Cy Endfield, diretor; Bernard Hermann, trilha sonora; Ray Harryhausen, efeitos especiais, *2*), Tobruk (1967, Arthur Hiller, diretor; Rock Hudson, ator, *1*), Capitão Escarlate (1967, seriado supermarionation de Gerry Anderson; Barry Gray, trilha sonora, *2*) Uma Sepultura para a Eternidade (1967, Val Guest, diretor; Nigel Kneale, roteiro, *3*), Super Seis (1966, série de animação, DePatie & Freleng, *3*), Joe 90 (1968, seriado supermarionation de Gerry Anderson; Barry Gray, trilha sonora, *3*), As Aventuras do Dr. Doolitle (1970, série de animação, DePatie & Freleng, *3*); Speed Racer (1967, série de animação japonesa, *3*), Espaço 1999 (seriado live action de Gerry Anderson; Barry Gray, trilha sonora, *2*), Inferno nos Céus (1964, Ron Goodwin, trilha sonora, *3*), UFO (1970, seriado live action de Gerry Anderson; Barry Gray, trilha sonora, *3*), Os Miseráveis (1935, Charles Laughton, ator, *1*), Thunderbirds (seriado supermarionation de Gerry Anderson; Barry Gray, trilha sonora, *2*), George, O Rei da Floresta (série de animação, DePatie & Freleng, *3*),  Ultraman (seriado japonês, *2*), Fantomas (1966, série de animação japonesa, *1*), Os Primeiros Homens na Lua (1964, Nathan Juran, diretor; Nigel Kneale, roteiro; Ray Harryhausen, efeitos especiais *2*), O Monstro do Mar (1953, Eugene Lourie, diretor; Ray Harryhausen, efeitos especiais, *1*), O Monstro do Mar Revolto (1955, Ray Harryhausen, efeitos especiais, *1*), O Incrível Mr.Limpet (1964, Don Knotts, ator, *1*), O Único Sobrevivente (1970, telefilme, Richard Basehart e William Shatner, atores, *1*), O Rato que Ruge (1959, Jack Arnold, diretor; Peter Sellers, ator, *2*), Stingray (1964, seriado supermarionation de Gerry Anderson; Barry Gray, trilha sonora, *2*), O Mar é Nosso Túmulo (1957, Robert Wise, diretor; Clark Gable e Burt Lancaster, atores, *3*), Afundem o Bismarck (1960, *3*), Os Heróis de Telemark (1965, Anthony Mann, diretor; Kirk Douglas, ator, *3*), O Mundo em Perigo (1954, Gordon Douglas, diretor, *1*), Crepúsculo das Águias (1965, John Guillermin, diretor; Jerry Goldsmith, trilha sonora, *1*), A Pantera Cor de Rosa & O Inspetor (série de animação, DePatie & Freleng, *2*), Batalha da Grã-Bretanha (1969, Guy Hamilton, diretor; Ron Goodwin, trilha sonora, *3*), Os irmãos Karamazov (1958, Richard Brooks, diretor, *1*), Submarino X-1 (1969, James Caan, ator; Ron Goodwin, trilha sonora, *3*),  Ultimato à Terra (The 27th Day, Willliam Asher, diretor, *2*), A Ponte de Remagem (1969, John Gillermin, diretor, *1*), Dois no Céu (1943, Victor Fleming, diretor; Spencer Tracy, ator, *1*), Jornada nas Estrelas (1966-1969, seriado americano; com direito à dublagem original AIC & Astrogildo Filho e Cia, *3*). E, sem maiores cerimônias e dispensando detalhes: Os Monkees (*1*), A Flauta Mágica (*3*), desenhos da fase áurea da Hanna-Barbera (*1*, *2* & *3*), mais Terra de Gigantes (*3*), Perdidos no Espaço (*3*), Viagem ao Fundo do Mar (*3*) e O Túnel do Tempo (*3*) – todos os quatro produzidos por Irwin Allen).

Agora, uma breve pausa... para a reflexão.


As duas situações acima arroladas não servem como paradigmas. São frações de realidade diversas. No primeiro caso, os gêneros eram diversos; no segundo, claramente há ênfase em ficção cientÍfica, guerra e aventura. Se em 2014, procedi consulta em um número relativamente pequeno de canais; os filmes exibidos em 1975 são uma parte infinitesimal do todo. 



Mas o que quero provar? Que quantidade e qualidade não andam de mãos dadas. Se hoje o cinéfilo tem incontáveis opções de canais, cada qual com as própria programação, não significa que estará pagando mais por melhor. Tal como o universo possui um número maior de estrelas que grãos de areia deste planeta, até onde sabemos só existe uma Terra. Se em 1975 assistia uma reduzida infinidade de filmes, havia uma probabilidade maior de estar diante de um clássico. Mas hoje em dia o que é um clássico? Uma obra esquecida por todos? De certa maneira, sim.
 





 

Então o nobre internauta indagará: se minha busca pelo “velho” é saudosista e inglória, porque não vou direto aos DVDs? E aí, conto uma triste história: na 2ª feira passada estava atrás de um daqueles filmes preto-e-branco – O  Caso Bedford – recentemente lançado em vídeo. Liguei para minha locadora favorita, no bairro Bonfim, que também vende DVDs/Bluerays, e tive a infeliz experiência de ser atendido por duas pessoas que me fizeram soletrar o título da obra pelo menos três vezes cada, para ao final, dizer que não tinha em acervo. Também constatei que eram pessoas jovens, que amigavelmente tentavam substituir o título por um genérico qualquer. Irritado, desisti da consulta e fiz reserva na Livraria Cultura: resolvi logo o problema! Daí pensei: “x” canais à cabo, uma infinidade de programações, um público infinitamente maior que há quarenta anos e meu consolo é o infindável acervo de DVDs da Livraria Cultura.


Daqui há quarenta anos, com certeza não postarei mais nada, mas seria cômico escrever que oitenta anos antes havia uma chance em cinco de ligar uma pequena TV preto e branco e assistir uma obra inesquecível.
 
 







domingo, 27 de junho de 2021

TIME OF THE SEASON


  


QUAL É A MELHOR FASE DA VIDA ? RECORDAR É VIVER ? OU SERÁ QUE VIVER É ALIMENTAR SONHOS ? A "FLOR DA IDADE", ATÉ ONDE VAI ? OS BONS TEMPOS PASSARAM, AINDA NÃO CHEGARAM OU, QUEM SABE, ESTÃO PASSANDO AGORA ?

 

Esse não é um post para falar sobre a "melhor idade", embora creia que muitas vezes a velhice assim seja. É para dizer que acho que DEPENDE. E depende do quê ? Depende do modo como vivemos o presente e, se formos sábios o bastante, qualquer idade é a "melhor idade".

 

"Ensinai-nos a bem contar os nossos dias, para alcançarmos o saber do coração." (Salmos 89:12 ou 90:12, em algumas edições).

 

Sendo contemporânea dos Beatles, a banda britânica THE ZOMBIES nunca chegou perto do mesmo sucesso de público, porém tinham o reconhecimento dos críticos, pela complexidade dos arranjos e das harmonias vocais.

 

Em 1964 começaram a ficar mais conhecidos, com o hit She's Not There, música com uma batida diferente que, aliás, despertou a atenção do guitarrista Carlos Santana, dando-lhe o insight de que era possível misturar o rock com ritmos latinos.

 

Mas o maior sucesso da banda foi mesmo Time Of The Season, de 1967. O tema caiu muito bem para aquela época do alvorecer da geração  "Paz e Amor" (É o tempo da estação / Em que o amor corre solto...) e certamente quando a cantam em 2019 esses veteranos já contemplam o amor sob outra perspectiva (É o tempo da estação para amar), diz no final.

 

Acho especial vê-los interpretar essa música mais de cinquenta anos depois, ainda com brilho nos olhos !

 

Mais um pensamento. Uma outra coisa boa de se viver bastante e com saúde, é o fato de dar mais tempo de lembrarem de você. Imagine, uma banda que viveu seu age nos anos 60, ser lembrada para ingressar no Rock and Roll Hall of Fame em 2019 ! 


sábado, 5 de setembro de 2020

VELOZES E DIVERTIDOS.


  
 
#oplanetaehnosso12anos
 
Publicado originalmente em 12.04.2008.

 
O retorno de uma postagem repleta de saudosismo de maravilhosos desenhos animados que muito nos alegraram nos anos 70 e 80 !
 
 
 
por Quatermass
 
 
"Nestes dias, Thintosecco andou postando “a pedido”, Brasinhas do Espaço e Os Impossíveis. Não lembram nada ao caro internauta? Os saudosos tempos em que a Hanna-Barbera produzia desenhos de qualidade e nossos dubladores acompanhavam o padrão.
 
 
Empresas como AIC (Arte Industrial Cinematográfica São Paulo) e Cinecastro já desapareceram, mas seu legado ficou. Ouça de novo aqueles desenhos e irá perceber que não eram apenas dublados e sim interpretados. Não só estes como também Corrida Maluca, Os Apuros de Penélope, Máquinas Voadoras e outros tantos. 
 
 
 

 
 
 

 
 
 

 
 
 
Adrenalina em tempo integral: iam, batiam, capotavam e continuavam correndo. Que saudades do Dick Vigarista ! E que trauma também!
 
Há algum tempo retirei Corrida Maluca da locadora. Recém lançada a série em DVD, mostrei a minha filha como eram os desenhos de antigamente. Para quem gosta de Pokemon, A Mansão Foster para Amigos Imaginários e outros, sentiu a diferença e concordou com a qualidade daquelas vozes. Depois a Warner lançou as séries Máquinas Voadoras e Os Apuros de Penélope. Novamente retirei e veio o choque: redublaram os desenhos! 
 
 
Sempre que o assunto é dublagem e redublagem as respostas são as mais nebulosas, enigmáticas e misteriosas possíveis. Por quê? Qual a razão? Um conselho: nunca, mas nunca tente entender o motivo! Não que a resposta possa ser falsa, e sim, frustrante. 
 
 
Mas às vezes pode dar a sorte de nos depararmos com o antigo de novo. Em certos canais, desses menos badalados, seja a cabo ou de sinal aberto, passam velhos filmes e seriados com velhas dublagens só vistas recentemente com legendas nos Telecines e Cartoon Network.
 
 
Assim sendo, espero um dia voltar a ouvir a antiga dublagem dos anos sessenta de Jornada nas Estrelas, com Emerson Camargo, Dênis Carvalho e Astrogildo Filho dublando o Capitão Kirk , pois até hoje não acreditei nas versões apresentadas para terem redublado as três temporadas de novo – verdadeira lenda urbana!"
 
 
 
Para saber mais sobre a Corrida Maluca:
 
http://infantv.com.br/infantv/?p=1585
 
 
E aqui, a listagem dos dubladores brasileiros originais dos desenhos da Hanna-Barbera produzidos entre 1967 e 1971:
 
https://web.archive.org/web/20090220204633/http://retrotv.uol.com.br/dublagem/hannabarbera/index3.html
 
 
 

quinta-feira, 30 de julho de 2020

CONEXÕES CÓSMICAS





Postei, não faz muito tempo, sobre A MÁQUINA DO TEMPO, me referindo ao romance clássico do escritor H. G. Wells.

A ideia era (e ainda é) dar início a uma série sobre o fenômeno do tempo, trazendo diversas abordagens, começando com ideias vindas da ficção e passando, quem sabe, pela ciência e pela filosofia.

Oportunamente, teremos aqui a segunda parte daquela matéria.

Antes, porém, constato o lançamento, no canal do You Tube do prof. Marcelo Gleiser, da série Conexões Cósmicas. São aulas em que o físico abordará (adivinha ?) a questão das viagens no tempo !

Tendo tudo a ver, compartilharei esses vídeos aqui.

Conexões Cósmicas, aula 1 :


terça-feira, 5 de maio de 2020

. A TURMA DO BARULHO !




#oplanetaehnosso12anos



Trazendo de volta uma postagem bem antiga do blog, que relembra um programa  de tevê dos mais esquecidos, mas que marca um período importante de nossa infância, pelo menos da minha !


Publicado originalmente em 17.05.2008.

Revisto e ampliado.


por Thintosecco


Noutro dia, a dupla de nerds que comanda esse blog chegou à uma conclusão: fizemos parte ainda da primeira geração que cresceu na companhia da televisão. E fomos telespectadores privilegiados. 


Como assim - poderão questionar alguns – se na infância viam tevê em preto e branco, haviam poucos canais e os recursos técnicos eram paupérrimos comparados com os de hoje? Uma pergunta interessante.  


Acredito que não se trata de mero saudosismo nosso, mas sim, que os programas de antigamente – principalmente os dos anos 60 e início dos 70 - tanto os nacionais como os estrangeiros, eram feitos com muito mais capricho, trabalho e dedicação, mesmo que fossem destinados ao público infantil.


Já falamos aqui de alguns seriados e desenhos, alguns clássicos enquanto outros mais ou menos esquecidos. Mas hoje vou puxar pela memória pra valer, já que lembro de um programa que, muito injustamente, está quase relegando ao ostracismo, Here Come The Double Deckers (1970). A Turma do Barulho!









Trata-se de mais um seriado britânico que foi exibido no Brasil no início dos anos 70 e depois, nunca mais. Pelo menos, não nas grandes redes de tevê. 


Não sei dizer pra vocês por qual emissora era transmitido esse programa, mas passava no turno da manhã. Afirmo isso porque nessa época o pequeno Thintosecco ia para a escola à tarde. O menino tinha um fascínio por esse seriado, talvez porque nessa época, em casa, só tinha como companheira de brincadeiras a irmã, que então era pouco mais que um bebê. 









A galerinha aprontava “mil e umas”. Fico devendo os nomes e as características de todas as personagens, mas lembro bem do Bolo (acho que era chamado assim), que era o gordinho da turma. Sempre tem um gordo, não é? :) O Bolo era um dos principais causadores das confusões.


Tinha também a Tigrinho, uma “pentelhinha”, sempre com um tigre de pelúcia no braço – que eu identificava direto com a minha irmã, muitas vezes “invocadinha”. 

















E havia ainda uma figura especial: o Crânio, que era o carinha que eu gostaria de ser. Na verdade, talvez o Crânio tenha sido o primeiro nerd que conheci, com seu laboratório e experiências malucas. Só Deus pode saber a influência que isto teve em minha vida. Será que se eu não tivesse conhecido o Crânio, assistindo à Turma do Barulho, esse blog existiria? Vai saber...


E voltando à questão da qualidade dos velhos seriados, o que acham do arranjo produzido para o tema desse “seriadinho” infantil? 


Na verdade não me acho um sujeito tão saudosista assim, mas penso que o que é bom é para ser lembrado. E mais ainda quando faz parte da nossa história!


*   *   * 


Revisitando essa postagem, vejo que faltou mencionar que o tal Double Decker, mencionado no título original, é um velho ônibus vermelho de dois andares, daqueles tradicionais em Londres, que serve de quartel general para a turma.  


E consultando a Wikipedia, verifico que, dentre essa garotada, somente o Peter Firth - que fazia o personagem Scooper - teve algum sucesso na carreira de ator e esteve presente, entre outros, em um filme dos anos 80 que gosto bastante: A Caçada ao Outubro Vermelho.


Revirando o baú, em tempos de quarentena.


Fica a abertura do seriado. Algo mais, colocarei nos comentários.



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