domingo, 1 de março de 2020

A MÁQUINA DO TEMPO




 por Thintosecco



Chegamos então ao ano de 2020. 

Que bom ! Estamos vivendo. 

Esta pretende ser a primeira postagem de uma série para refletir um pouco sobre o tempo. De passagem, comentarei sobre o filme The Time Machine (1960) - do qual foi extraída a imagem acima - e, mais especialmente, sobre o romance que lhe deu origem.

Na verdade, há anos penso em escrever algo sobre o livro A Máquina do Tempo, de H. G. Wells (UK, 1866-1946) e, quem sabe, sobre suas versões para o cinema e influência sobre outras obras. Emperrei, como em outras ocasiões, por querer fazer demais. Vamos de novo, agora com mais simplicidade. Para começar, preciso dizer que The Time Machine (1895) é considerado por muitos o primeiro romance de ficção científica.


Claro que há polêmica aí. Alguém lembrará de Jules Verne (1828-1905), já que obras como Da Terra à Lua e Vinte Mil Léguas Submarinas são anteriores ao livro de Wells em, pelo menos, um quarto de século. Acho interessante o argumento de que, em Verne, a ficção científica está inserida no contexto das obras, que são essencialmente romances de aventuras. 


Porém, alguém perguntará sobre Frankenstein, de Mary Shelley (1818). Então, é melhor fazer o seguinte: deixar para lá a questão da primeira ficção científica e tratar do autor e de sua obra. 







Herbert George Wells foi professor, jornalista e escritor. É mais famoso por suas obras de ficção, que os especialistas classificam como romances utópicos. A expressão pode passar uma ideia equivocada: a de o autor retratar futuros idílicos, cenários paradisíacos, coisas assim. Nada disso. 


Pensem em Guerra dos Mundos (The War of the Worlds, 1898), quando uma invasão marciana arrasa a Inglaterra. Nessa história, todos os recursos humanos mostram-se inúteis para enfrentar uma tecnologia superior, porém no final, quanto tudo parece perdido, um elemento da natureza, absolutamente alheio à ação humana, intervém para salvar a civilização impotente. Onde estaria a utopia ?


É que transparece nas obras de Wells que o autor deseja um mundo melhor. Mas esse desejo se manifesta nas entrelinhas das narrativas. O leitor não encontrará discursos políticos em A Máquina do Tempo, mas o enredo o levará a pensar, entre outras, sobre questões sociais


Na obra, H. G. Wells nos leva a acompanhar o protagonista, simplesmente chamado Viajante do Tempo, até um futuro distante - mais precisamente, ano 802.701 - onde encontra descendentes da espécie humana, denominados Eloi - vivendo no que parece ser, a princípio, uma realidade paradisíaca. Gradativamente, vai descobrindo que algo "não fecha" no aparente paraíso.







Os Elói comunicam-se de forma rudimentar, abrigam-se em prédios em ruínas - presumivelmente o que restou de nossa civilização - e não trabalham. Vivem sem preocupações, quase como crianças. O Viajante pergunta-se: por que não existem velhos ? De onde vem a comida ? E as roupas ? E por que esses seres tem pavor da noite ?


Vem então a terrível revelação: existem outros humanoides vivendo no mundo futuro. Também descendentes da espécie humana, mas de aspecto monstruoso. São os Morlocks, que vivem na escuridão subterrânea e, portanto, não suportam a luz do dia. Ainda dominam um pouco da tecnologia de seus antepassados e, o pior: são predadores dos Eloi..  



Trata-se de uma obra de ficção e aventura, na qual transparece a preocupação de Wells com as diferenças sociais, mais claramente no momento em que o  Viajante do Tempo cogita que Elois e Morlocks podem ter origem em diferentes classes de nossa sociedade.  



Quanto à especulação científica, é preciso dizer que o mecanismo da máquina não é explicado em momento algum. O que importa é o que ela faz. Isso é o bastante, tanto para contar a história como para mexer com a imaginação do leitor. A exposição sobre a "quarta dimensão", no início da obra, até é interessante, mas baseada em entendimento há muito superado, valendo lembrar que A Máquina do Tempo é anterior aos trabalhos de Albert Einstein.
 


O genial físico alemão afirmou que o espaço e o tempo estão entrelaçados. "Tudo no Universo se move a uma velocidade distribuída entre as dimensões de tempo e espaço."  Assim, uma hipotética viagem no tempo ocorreria simultaneamente no tempo e no espaço. Na obra de H. G. Wells, diversamente, o Viajante move-se apenas no tempo, podendo até assistir o efeito da passagem dos dias sobre o ambiente a sua volta. 






O livro de Wells estimula o leitor a pensar, imaginar, questionar e quem sabe até pesquisar e tirar suas próprias conclusões. Parece que convida o leitor a pensar com ele, mesmo que chegue a conclusões diversas. EA Máquina do Tempo,  mostrou num futuro distante uma condição selvagem e sinistra para a espécie humana, mas cabe ressaltar que o viajante do tempo retorna para sua época para contar o que viu. O amanhã apavorante que presenciou, além de distante, é apenas uma possibilidade.


CONTINUARÁ.


domingo, 16 de fevereiro de 2020

. O QUE É SER HOMEM ?






#oplanetaehnosso12anos

postado originalmente em 11.07.2008.





por Quatermass



Já falei sobre Charlton Heston, Sean Connery, Gregory Peck e alguns outros atores. Mas sempre tive uma certa admiração quanto a outro, cercado de mitos, verdades/inverdades e escracho. Este ator é ROCK HUDSON.







Em seus filmes transmitia virilidade, determinação, sensibilidade, caráter, senso de humor e ironia. Confesso que vi mais de seus filmes com Doris Day quando criança e me fixo mais nos de aventura, do tipo ESTAÇÃO POLAR ZEBRA (Ice Station Zebra - 1968).



Nele faz papel do comandante de um submarino nuclear encarregado de enviar um agente de sua Majestade ao pólo norte (ironicamente Patrick McGoohan, o mesmo de O Prisioneiro). O filme tem traições, escaramuças, reviravoltas, aventura, etc, bem ao estilo dos romances de Alistair MacLean (que além deste filme, também foi fonte inspiradora de Os Canhões de Navarone e O Desafio das Águias).
















Mas não é nisto que quero me basear e, sim, no ator-homem. Ao contrário de suas comédias / amenidades / besteiróis, como capitão James Ferraday demonstrava ali todas as qualidades do homem Rock Hudson: comedido, perseverante, sério, em busca da verdade e explanando com clareza a situação. Em troca, o respeito de aliados e inimigos.



Na vida real todo mundo achava que era um exemplo a ser seguido. Até 1985, quando pouco antes de sua morte anunciou ser gay e portador do vírus HIV. Foi o bastante para sua imagem ficar maculada para sempre. O castelo de cartas desabou !


Desabou ? Como também já disse antes, nunca é o ator, diretor, técnico, público ou até mesmo o crítico quem dá a palavra final. É a memória coletiva, é a soma de tudo o que um ser fez em sua vida, mesmo que fosse um único ato de bondade. Mesmo este vale pelo resto.


No caso de Rock Hudson se dá diferente: ostracismo, que às vezes é quebrado com uma dupla de cowboys de desenho animado – mau gosto, diga-se de passagem! 


Ainda assim, lembro-me quando seu anúncio foi apresentado num dos Jornais Nacionais dos anos 80, quando já debilitado. Puxa ! Nos anos 80 ! Quando, apesar de tudo que se diz, AIDS ainda era tabu ! Isto é coragem !






Poderia morrer misteriosamente, anonimamente, e posteriormente ser divulgada a verdadeira causa. Mas não Rock Hudson. Teve coragem em afirmar que era gay e coragem para divulgar sua doença. Morreu faz mais de vinte anos, mas ainda me lembro de seus simpáticos personagens ao lado de sua amiga e mais ainda daquele capitão de submarino. 


Pode parecer bobagem, mas sempre penso como uma inversão de valores: o capitão James Ferraday interpretando o ator Rock Hudson. Admiro a coragem.



sexta-feira, 15 de novembro de 2019

O ALUMÍNIO TRANSPARENTE






Todo fã de Star Trek das antigas lembra da cena, vista no filme Jornada nas Estrelas IV - A Volta Para Casa, de 1986, quando o sr. Scott tenta usar um computador da década de 1980 e tem alguma dificuldade (Computador ? Alô, computador ?). É um dos vários momentos cômicos daquele ótimo filme.


Mas o que o engenheiro-chefe da nave Enterprise queria fazer?  Recriar a fórmula de um material leve, transparente e muito resistente, com o qual faria um grande tanque d'água para transportar duas baleias da espécie jubarte. Elas seriam levadas do século XX para o XXIII, para ajudar a salvar a especie humana da extinção diante de uma ameça que só respeitaria, veja só, as tais baleias. Scott chamou o material em questão de ALUMÍNIO TRANSPARENTE.


Assim foi feito na ficção. E permaneceu o alumínio transparente como ficção durante quase 25 anos. Mas só por aí. Por volta de 2010 foi anunciado o surgimento do ALON, que é o nome comercial do oxinitrato policristalino de alumínio, tratando-se do material transparente mais resistente disponível no mercado hoje em dia.





Essa substância é dotada de características impressionantes, como o fato de ser quatro vezes mais resistente que o vidro blindado, correspondendo ainda a 85% da resistência da safira. Para conhecer mais, recomendo uma visita à Wikipédia sobre o assunto.



Mas, afinal, sobre o que é este post ? É sobre a tela do nosso próximo smartphone ? Não, é sobre transformar sonhos em realidade. Vale a pena pensar sobre isso, não ?


Alíás, em outra sequência do mesmo filme, é mostrado outro avanço científico que, caso concretizado, faria felizes muitas pessoas. É quanto o Dr. McCoy encontra uma velhinha que está a caminho de uma sessão de hemodiálise. Ele se apavora e exclama: "Ainda estão na era das trevas!". Então dá um comprimido para a senhora que, minutos depois, aparenta estar curada e feliz da vida !


Bendita sfi-ci, aquela dá esperança ao ser humano !


Fica aí a cena em que o sr. Scott ensina um engenheiro do século XX a fazer o alumínio transparente. Agora não precisaria mais, já existe.


Importante registrar que a referência mais antiga sobre o alumínio transparente que encontrei foi no site AUMANACK (www.aumanack.etc.br), que, em parte, inspirou este post.


E especiais agradecimentos ao amigão Luciano (MxOx) pela sugestão. Abraço !



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