sexta-feira, 11 de abril de 2008

VELOZES E DIVERTIDOS

por Quatermass

Nestes dias, Thintosecco andou postando “a pedido” Brasinhas do Espaço e Os Impossíveis. Não lembram nada ao caro internauta? Os saudosos tempos em que a Hanna-Barbera produzia desenhos de qualidade e nossos dubladores acompanhavam o padrão. Empresas como AIC (Arte Industrial Cinematográfica São Paulo) e Cinecastro já desapareceram, mas seu legado ficou. Ouça de novo aqueles desenhos e irá perceber que não eram apenas dublados e sim interpretados.


Não só estes como também Corrida Maluca, Os Apuros de Penélope, Máquinas Voadoras e outros tantos. Adrenalina em tempo integral: caiam, batiam, capotavam e continuavam correndo. Que saudades do Dick Vigarista! E que trauma também! Há algum tempo retirei Corrida Maluca da locadora. Recém lançada a série em DVD, mostrei a minha filha como eram os desenhos de antigamente. Para quem gosta de Pokemon, A Mansão Foster para Amigos Imaginários e outros, sentiu a diferença e concordou com a qualidade daquelas vozes. Depois a Warner lançou as séries Máquinas Voadores e Os Apuros de Penélope. Novamente retirei e veio o choque: redublaram os desenhos!


Sempre que o assunto é dublagem e redublagem as respostas são as mais nebulosas, enigmáticas e misteriosas possíveis. Por que? Qual a razão? Um conselho: nunca, mas nunca tente entender o motivo! Não que a resposta possa ser falsa e sim frustrante. Mas às vezes pode dar a sorte de nos depararmos com o antigo de novo. Em certos canais, desses menos badalados, seja a cabo ou de sinal aberto, passam velhos filmes e seriados com velhas dublagens só vistas recentemente com legendas nos Telecines e Cartoon Network. Assim sendo, espero um dia voltar a ouvir a antiga dublagem dos anos sessenta de Jornada nas Estrelas, com Emerson Camargo, Dênis Carvalho e Astrogildo Filho dublando o Capitão Kirk (www.retrotv.uol.com.br/dublagem/jornada.html), pois até hoje não acreditei nas versões apresentadas para terem redublado as três temporadas de novo – verdadeira lenda urbana!







AMIT GOSWAMI



Amit Goswami é um dos mais importantes físicos da atualidade e um dos poucos que penetrou fundo na espiritualidade humana. No seu livro "O Universo Auto-Consciente" - demonstra como a consciência cria o mundo material. Cientificamente, através da física quântica, ele prova que o universo é um conjunto superior - Deus. Isto torna sólida a sua afirmação de que á a consciência que cria a matéria e não o contrário, como até hoje "crê" o Realismo Materialístico implantado na ciência por Isaac Newton e Rennè Descartes. Amit Goswami é professor titular de física quântica no Instituto de Física Teórica da Universidade do Oregon e autor de numerosos textos científicos.


Trecho de biografia que consta no site Jornal Infinito. Esta postagem pertence àquela categoria "não peça para explicar...". Mas o fato é que acho que vale a pena ouvir o que esse cara tem a dizer. Abaixo fica a primeira parte do Programa Roda Viva com o prof. Goswami, exibido pela TV Cultura no ano passado. Para mais, siga por aqui.






Pra fechar, uma sugestão: dar uma olhada na postagem que fizemos há algum tempo aqui no blog sobre o filme Quem Somos Nós?

quarta-feira, 9 de abril de 2008

OS SETE SAMURAIS


por Quatermass


No ano de 1954 os Estados Unidos continuavam seus testes nucleares no Pacífico. Os americanos desconsideravam a situação dos nativos: simplesmente os removiam para locai
s “civilizados”. Nos atóis e ilhotas evacuados, construíram todo um aparato para testar e avaliar seus brinquedos nucleares. Foi assim em atóis como Bikini e Eniwetok, nas Ilhas Marshall. Porém, um teste se sobressaiu: a Operation Castle (Operação Castelo). Um costume militar tipicamente americano era o de identificar suas bombas por codinomes, neste caso, a Bravo. Era um artefato dotado de mecanismos, conceitos e idéias novas, mas não testadas.


Em tempos de Guerra Fria, era a resposta ao teste nuclear soviético de 1949. A Castle Bravo foi documentada, filmada e estudada. Ao explodir, a surpresa: a magnitude de seu poder destrutivo foi muito maior do que havida sido calculado. Destruiu parte das instalações onde estavam técnicos e cientistas a muitos quilômetros de distância. E ainda, nativos, soldados e a tripulação de um pesqueiro japonês foram vitimados pela radiação. Porque sua distinção? Porque foi a mais poderosa bomba de hidrogênio (Bomba H) produzida e testada na atmosfera até então. Coisa medonha! Mas não tão medonha do que feito pelos próprios americanos nove anos antes. Em julho de 1945 detonaram a Trinity numa região do Deserto do Novo México conhecida como Alamogordo. Foi a primeira bomba atômica. Mas logo encontraram uma utilidade para este conceito: jogaram mais duas em Hiroshima e Nagasaki que, como a cidade alemã de Dresden, não possuíam importância militar. Serviram para provar conceitos e, no caso japonês, tecnologia. Sim, pois se a Little Boy (jogada em Hiroshima) tinha a mesma origem da Trinity (que utilizava urânio), a Fat Man (em Nagasaki) era mais evoluída (empregava plutônio) e, portanto, deveria ser testada! Pobres japoneses! Será? Não digo pelo que é o Japão hoje. Digo pelo que já era o Japão em 1954!

Digo pelo que “O Pais do Sol Nascente” produzia cinematograficamente. Akira Kurosawa é meu ídolo. Aprendi a apreciar seus filmes em todos os detalhes. Seus textos fugiam do padrão americano e europeu (incluindo aí os soviéticos): eram tão ricos e complexos quanto os de Shakespiere. Além disso, quando as situações não eram criativas, eram inusitadas. Os Sete Samurais
foi, é e sempre será referência do mestre japonês.


A história: acuados por um bando de ladrões, camponeses de uma pobre e pequena aldeia procuram samurais para defendê-los. Arduamente, iniciam sua busca, mas não há guerreiro interessado pelo preço oferecido: três refeições completas por dia. Até encontrarem Kambei Shimada (Takashi Shimura), um velho e experiente ronin (samurai sem mestre). Quando fazem seu pedido, recusa. Mas quando terceiros debochadamente lhe dizem que os “miseráveis camponeses comem millet para pouparem o arroz que é oferecido”, o sábio guerreiro segura respeitosamente o prato ofertado e singelamente aceita o encargo. Só nesta cena há mais sensibilidade do que em obras de muitos diretores por aí! Recruta então mais seis samurais, dentre este Kikuchiyo (Toshiro Mifune), figura cômica e atrapalhada. Mas mesmo este último, vislumbra-se a esperteza que complementa o grupo. Durante as duas primeiras horas, Kurosawa trabalha com a busca e os preparativos da defesa. Na hora e meia seguinte final dá–se o conflito, com cenas épicas de ação.

Agora, por que falei antes dos testes nucleares? Porque o Japão foi vítima deles. Arruinado, se reergueu, também por ajuda americana. Mas a aparente simplicidade do povo japonês se confunde com sua complexa cultura. Os Sete Samurais reflete isso. A idéia é simples, mas o desenrolar da história é grandioso. É um povo de pequenos e singelos gestos. E é preciso atenção e sagacidade para interpretá-los. Enquanto uns explodiam bombas, outros criavam maravilhas. O velho e sábio ronin tem muito a nos ensinar. Quanto a mim, fui tocado pela magia oriental!


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