sábado, 6 de janeiro de 2024

ADESTE FIDELES !

 

Vá, fiel, satisfeito e triunfante,

venha, venha para Belém.

Olhe para a criança, o Rei dos anjos.


Venha, vamos adorar, venha, vamos adorar

Venha, vamos adorar o Senhor. (REFRÃO)


Olha o rebanho saindo do berço baixo

os pastores tendo sido chamados, apresse-se

E vamos apressar o passo triunfante.


Pai Eterno, Brilho Eterno

veremos o que está coberto pela carne

Nosso Deus, bebê, embrulhado em panos.


Abraços e feno para nós

Nós apreciamos abraços piedosos

Então quem não nos amaria como nosso amante?

 

Epifania do Senhor.

 

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

A DANÇA DA NEVE




 
por ARTHUR
 
 
Sempre gostei de ouvir trilhas de filmes. Talvez porque preguiçosamente não precise trocar ou escolher faixas. Mas algumas são especiais.Neste fim de semana, resolvi catar trilhas ao acaso na Internet. E sempre que caia em Danny Elfmann, recaia em Edward Mãos de Tesoura. Mais precisamente, em Ice Dance
 

O filme é uma fábula extremamente carregada de metáforas, mas a música é linda. Por conta disso, sempre me emociono com o final. Lembra o Natal, hoje em dia uma data menos americanizada. Há menos Papais Noéis e pinheiros de Natal, simbolizando as regiões nórdicas, cujas temperaturas desconhecemos nesta época do ano. Também não se falam em presépios, como o da antiga Galileia. Está mais banalizado. Aliás,  uma das coisas interessantes do neoliberalismo é que promove a extinção das tradições, mesmo aquelas importadas do Norte. 

 
Lembrança de um filme comentado no blog, quinze anos atrás. Acerca de uma típica cidadezinha americana que havia recepcionado um estranho ser. Uma bonita alegoria de Tim Burton. Casas iguais, homens comuns, evento anual descaracterizado pela ausência de neve... Segue então a postagem original e um trecho do filme, A Dança da Neve, com uma bonita composição de Danny Elfman. Feliz Natal !


 EDWARD "MÃOS DE TESOURA"


Às vezes me pergunto se não seria mais fácil transcrever uma crítica ou escrever certinho. Também me pergunto se não seria mais cômodo contratar um revisor e eliminar todas as minhas incontáveis palavras repetitivas. Mas daí veio uma revelação divina: pra quê então um blog? Retiraria toda a personalidade do comentarista e seria um mero site formal. Copiaria do Wikipedia ou traduziria do The Internet Movie Database e pronto!


Contudo, infelizmente e teimosamente não sou assim!!!! Critico aquilo que assisti, elogio o que entendo deva ser elogiado, relembro o que merece ser reconhecido, esculacho (com relativa frequência) alguns filmes – e vou seguindo meu caminho! Quem sabe um dia domino de vez a arte de passar para o papel o que penso e escrevo um livro?


Nunca pensei em casar, casei. Nunca pensei em ter filhos, tenho. Nunca pensei em postar na Internet – incrível – mais uma façanha! Do meu amigo Thintosecco recebi um convite em participar e não sei qual força misteriosa me impeliu em aceitar. Será que pelo acaso, oportunidade, momento? Não sei, porque gostei! Há tanto a ser comentado. Tantos atores, diretores, filmes e personagens esquecidos ou até badalados. Personagens normais, comuns e os estranhos. 
 
 


Estranho... mas o que é o estranho? É o diferente, e na maioria dos casos, externamente. EDWARD MÃOS DE TESOURA (Johnny Depp) é um ser estranho, por ser diferente. É um Pinóquio que nunca mentiu, porém apresenta uma característica que o estigmatiza: suas mãos são de tesouras! 
 




O filme de Tim Burton (1990) é sobretudo uma fábula: conta a história de um ser criado por um bondoso velhinho (Vincent Price) que vai gradativamente deixando de ser um boneco e tomando feições humanas.


Em sua última etapa, a que seria justamente as mãos, morre seu mentor. Só que este Pinóquio já é humano! Vivendo recluso num casarão é descoberto por Peg (Diane West) uma vendedora de produtos da Avon. Moradora de uma típica, massificada e hipócrita sociedade, que o diretor identifica como a América, mas que serviria para muitos e muitos outros países. Levado para a residência de Peg, conhece e se apaixona por sua filha Kim (Winona Ryder) – com um porém: apesar de possuir sentimentos bons e sinceros, suas mãos afiadas ferem aqueles que ama!
 
 




É uma fábula e ela segue, na medida em que demonstra que a língua dos moradores é ainda mais afiada! De uma simpática aberração passa a ser um suposto criminoso, um Frankenstein. No fim, a obra, que carrega de uma poderosa bagagem crítica, nos oferece um Natal nevado em uma cidadezinha que nunca tinha visto neve e a resposta de sua origem. Um Edward mais que humano, imortal até, bondoso, apaixonado e fiel.


Só em fábula, porque na vida real dá-se o oposto: o homem mortal, de curta existência, desperdiçada, que não enxerga nada além de seu nariz, que fala o que não sabe, ouve o que quer, sem pensar, deixando-se levar pelo coletivo. Ainda assim, a belíssima trilha de Danny Elfmann, por breves momentos (como a dança de Kim no gelo), me faz esquecer a frase anterior. E eu ainda tenho que me preocupar com revisor?



sábado, 8 de outubro de 2022

REVISITANDO POSTAGENS: O MUITO E O MUITO POUCO

 


por ARTHUR

 
Interessante como hoje em dia há uma infinita diversidade de fontes na Internet e, ao mesmo, descaso, ignorância, lacrações e cancelamentos; a luz e as trevas interagindo. 
 
Este paradoxo lembra certo comentário de 28 de janeiro de 2014 junto ao blog oplanetaehnosso sobre o que pode significar o muito e o muito pouco:
 

Localidade, dia e hora: Porto Alegre, 19 de janeiro de 2014, 22:30 horas. Local: sala da residência do internauta. Aparelhagem da sala: televisão de LCD 40 pol, NET HD & Blue Ray player.  TV à cabo? Sim. TV de sinal aberto? Opcional. Quantidade de canais: de acordo com o pacote oferecido pela operadora. Objetivo: breve consulta de canais. Canais e filmes consultados: FOX, Homem de Ferro 2; WARNER, Gran Torino; TNT, Scott Pilgrin Contra o Mundo; MEGAPIX: Caçador de Recompensas; CINEMAX, A Fantástica Fábrica de Chocolates;  STUDIO UNIVERSAL, Cassino; MGM, Missão Impossível 3; TCM, O Rio Selvagem; TELECINE PREMIUM, O Lado Bom da Vida; TELECINE ACTION, A Hora do Espanto; TELECINE TOUCH, O Sabor de Uma Paixão; TELECINE FUN, O Céu pode Esperar; TELECINE PIPOCA, João e Maria Caçadores de Bruxas; TELECINE CULT, Veludo Azul; e paro por aí, porque há muito mais canais!

Localidade e ano: Porto Alegre, ano de 1975. Local: quarto de pré-adolescente nerd. Aparelhagem do quarto: televisão preto e branco de 14 pol. TV à cabo? Não. Sinal aberto? Sim. Quantidade de canais de sinal aberto: 01 – TV Gaúcha (filiada à Rede Globo); 02 – TV Piratini (filiada à Rede Tupy); 03 – TV Difusora (filiada à Rede Bandeirantes); 04 – TV Educativa (filiada à TV Cultura), que passou a operar a partir do 2ª semestre. Os canais possuíam estéreo? Não. Havia distorções de imagens (fantasmas)? Sim. Existia guia com programação? Pelos jornais, quando enviados pela emissora. Os filmes eram retransmitidos? A cada seis meses, pelo menos, sem prévia informação.

Filmes em exibição durante o ano: Uma Batalha no Inferno (1965; Ken Annakin, diretor; Henry Fonda e Robert Shaw, atores, *1*), A Invasão dos Discos Voadores (1956; Fred F. Sears, diretor; Ray Harryhausen, efeitos especiais, *3*), Jasão e o Vêlo de Ouro (1963, Bernard Hermann, trilha sonora; Ray Harryhausen, efeitos especiais, *2*), Pequeno Príncipe e o Dragão de Oito Cabeças (1963, Yugo Serikawa, diretor; Akira Ikufube, trilha sonora, *2*), Alakazan, o Grande (1960, Daisaku Shirakawa, diretor, *1*), Cinco Covas no Egito (1943, Billy Wilder, diretor, *3*), Vinte Milhões de Léguas da Terra (1957, Nathan Juran, diretor; Ray Harryhausen, efeitos especiais, *3*), Torpedo (1957, Joseph Pevney, diretor; Glenn Ford e Ernest Borgnine, atores, *1*), A Sétima Viagem de Simbad (1958, Nathan Juran, diretor, Bernard Hermann, trilha sonora, Ray Harryhausen, efeitos especiais, *3*), A Noite dos Generais (1966, Anatole Litvak, diretor; Peter O’Toole, ator, *1*), O Egípcio (1954, Michael Curtiz, diretor, *1*), Mar Cruel (1953, Charles Frend, diretor; Jack Hawkins e Denholm Elliott, atores, *1*), O Caso Bedford (1965, Richard Widmark e Sidnei Poitier), atores, *3*), Jack - O Matador de Gigantes (1962, Nathan Juran, diretor, Kerwin Mathews, ator, *1*), Quo Vadis (1951, Marvin LeRoy e Anthony Mann, diretores; Peter Ustinov, ator, *1*); Os Três Mundos de Gulliver (1960, Bernard Hermann, trilha sonora; Ray Harryhausen, efeitos especiais, *2*), Combate (1962-1967, seriado, Vic Morrow, ator, *2*), Terra dos Faraós (1955, Howard Hawks, diretor; Jack Hawkins, ator, *1*), A Ilha Misteriosa (1961, Cy Endfield, diretor; Bernard Hermann, trilha sonora; Ray Harryhausen, efeitos especiais, *2*), Tobruk (1967, Arthur Hiller, diretor; Rock Hudson, ator, *1*), Capitão Escarlate (1967, seriado supermarionation de Gerry Anderson; Barry Gray, trilha sonora, *2*) Uma Sepultura para a Eternidade (1967, Val Guest, diretor; Nigel Kneale, roteiro, *3*), Super Seis (1966, série de animação, DePatie & Freleng, *3*), Joe 90 (1968, seriado supermarionation de Gerry Anderson; Barry Gray, trilha sonora, *3*), As Aventuras do Dr. Doolitle (1970, série de animação, DePatie & Freleng, *3*); Speed Racer (1967, série de animação japonesa, *3*), Espaço 1999 (seriado live action de Gerry Anderson; Barry Gray, trilha sonora, *2*), Inferno nos Céus (1964, Ron Goodwin, trilha sonora, *3*), UFO (1970, seriado live action de Gerry Anderson; Barry Gray, trilha sonora, *3*), Os Miseráveis (1935, Charles Laughton, ator, *1*), Thunderbirds (seriado supermarionation de Gerry Anderson; Barry Gray, trilha sonora, *2*), George, O Rei da Floresta (série de animação, DePatie & Freleng, *3*),  Ultraman (seriado japonês, *2*), Fantomas (1966, série de animação japonesa, *1*), Os Primeiros Homens na Lua (1964, Nathan Juran, diretor; Nigel Kneale, roteiro; Ray Harryhausen, efeitos especiais *2*), O Monstro do Mar (1953, Eugene Lourie, diretor; Ray Harryhausen, efeitos especiais, *1*), O Monstro do Mar Revolto (1955, Ray Harryhausen, efeitos especiais, *1*), O Incrível Mr.Limpet (1964, Don Knotts, ator, *1*), O Único Sobrevivente (1970, telefilme, Richard Basehart e William Shatner, atores, *1*), O Rato que Ruge (1959, Jack Arnold, diretor; Peter Sellers, ator, *2*), Stingray (1964, seriado supermarionation de Gerry Anderson; Barry Gray, trilha sonora, *2*), O Mar é Nosso Túmulo (1957, Robert Wise, diretor; Clark Gable e Burt Lancaster, atores, *3*), Afundem o Bismarck (1960, *3*), Os Heróis de Telemark (1965, Anthony Mann, diretor; Kirk Douglas, ator, *3*), O Mundo em Perigo (1954, Gordon Douglas, diretor, *1*), Crepúsculo das Águias (1965, John Guillermin, diretor; Jerry Goldsmith, trilha sonora, *1*), A Pantera Cor de Rosa & O Inspetor (série de animação, DePatie & Freleng, *2*), Batalha da Grã-Bretanha (1969, Guy Hamilton, diretor; Ron Goodwin, trilha sonora, *3*), Os irmãos Karamazov (1958, Richard Brooks, diretor, *1*), Submarino X-1 (1969, James Caan, ator; Ron Goodwin, trilha sonora, *3*),  Ultimato à Terra (The 27th Day, Willliam Asher, diretor, *2*), A Ponte de Remagem (1969, John Gillermin, diretor, *1*), Dois no Céu (1943, Victor Fleming, diretor; Spencer Tracy, ator, *1*), Jornada nas Estrelas (1966-1969, seriado americano; com direito à dublagem original AIC & Astrogildo Filho e Cia, *3*). E, sem maiores cerimônias e dispensando detalhes: Os Monkees (*1*), A Flauta Mágica (*3*), desenhos da fase áurea da Hanna-Barbera (*1*, *2* & *3*), mais Terra de Gigantes (*3*), Perdidos no Espaço (*3*), Viagem ao Fundo do Mar (*3*) e O Túnel do Tempo (*3*) – todos os quatro produzidos por Irwin Allen).

Agora, uma breve pausa... para a reflexão.


As duas situações acima arroladas não servem como paradigmas. São frações de realidade diversas. No primeiro caso, os gêneros eram diversos; no segundo, claramente há ênfase em ficção cientÍfica, guerra e aventura. Se em 2014, procedi consulta em um número relativamente pequeno de canais; os filmes exibidos em 1975 são uma parte infinitesimal do todo. 



Mas o que quero provar? Que quantidade e qualidade não andam de mãos dadas. Se hoje o cinéfilo tem incontáveis opções de canais, cada qual com as própria programação, não significa que estará pagando mais por melhor. Tal como o universo possui um número maior de estrelas que grãos de areia deste planeta, até onde sabemos só existe uma Terra. Se em 1975 assistia uma reduzida infinidade de filmes, havia uma probabilidade maior de estar diante de um clássico. Mas hoje em dia o que é um clássico? Uma obra esquecida por todos? De certa maneira, sim.
 





 

Então o nobre internauta indagará: se minha busca pelo “velho” é saudosista e inglória, porque não vou direto aos DVDs? E aí, conto uma triste história: na 2ª feira passada estava atrás de um daqueles filmes preto-e-branco – O  Caso Bedford – recentemente lançado em vídeo. Liguei para minha locadora favorita, no bairro Bonfim, que também vende DVDs/Bluerays, e tive a infeliz experiência de ser atendido por duas pessoas que me fizeram soletrar o título da obra pelo menos três vezes cada, para ao final, dizer que não tinha em acervo. Também constatei que eram pessoas jovens, que amigavelmente tentavam substituir o título por um genérico qualquer. Irritado, desisti da consulta e fiz reserva na Livraria Cultura: resolvi logo o problema! Daí pensei: “x” canais à cabo, uma infinidade de programações, um público infinitamente maior que há quarenta anos e meu consolo é o infindável acervo de DVDs da Livraria Cultura.


Daqui há quarenta anos, com certeza não postarei mais nada, mas seria cômico escrever que oitenta anos antes havia uma chance em cinco de ligar uma pequena TV preto e branco e assistir uma obra inesquecível.
 
 







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