domingo, 1 de fevereiro de 2009

VILAS, ILHAS, ROBÔS... parte 1




Thintosecco






Uma coisa que evito fazer aqui no blog é fazer postagens alusivas ao falecimento de pessoas, mesmo que sejam celebridades. Do contrário, o blog iria se tornar um espécie de "obituário", até porque tem muita gente boa por aí (atores, músicos, etc.), que já vai pela casa dos 70, 80 ou mais anos. Gente que produziu coisas interessantes em décadas passadas.

Não postei, mas não esqueci, de algumas personalidades que se foram em 2008. Os quadrinhos nacionais perderam algumas de suas referências (Gedeone Malagola, Eugênio Colonnese, Cláudio Seto); na MPB, partiram até aqueles que pareciam eternos (Jamelão, Caymmi). No rock, se foi o Rick Wright, o homem dos teclados do Pink Floyd.
E neste mês de janeiro que termina, morreram os atores que fizeram o Número Seis, de O Prisioneiro, o Sr. Roarke, de A Ilha da Fantasia, e o Robot, dos Perdidos no Espaço. São seriados que lembro com carinho e estão relacionados a diferentes épocas da minha própria história. E, por isso, a exceção deste post.



Hoje, com a internet e a TV por assinatura, existe uma grande liberdade de escolha dos programas a assistir, coisa que até a segunda metade dos anos 80 nem se imaginava. Naquele tempo os programas simplesmente vinham (ou não) até nós, dependendo da boa vontade dos canais de TV aberta. Nem adiantava ficar sonhando em ver um seriado que foi produzido lá fora anos atrás e que não passou aqui na época. Mas eu, teimoso, tinha um sonho desse tipo lá pelo meio dos anos 80: assistir um seriado inglês dos anos 60 chamado The Prisoner.



De onde tirei a idéia? Do disco The Number Of The Beast, do Iron Maiden, que tinha uma faixa de mesmo nome em homenagem ao velho seriado, e de uma daquelas revistas-pôster da Editora Três que explicava a origem da música. Depois fiquei sabendo que foi o próprio Patrick MacGoohan, protagonista da série e detentor dos direitos, quem autorizou o Maiden a usar aquela famosa vinheta que terminava com a frase "I'm not a number, i'm a free man!", seguida da gargalhada do Número Dois. Isso foi ainda na gestão da Primeira Ministra britânica Margareth Tatcher, conhecida como a Dama de Ferro (se o governo dela inspirou o Alan Moore a escrever "V de Vingança" dá para imaginar o "estilo" da senhora...). Pois assisti a um documentário do Iron (graças à minha mana), em que o empresário da banda contou que o MacGoohan, antes de autorizar o trecho do seriado perguntou: Como é o mesmo o nome da banda? Iron Maiden. Pensou por apenas um segundo e respondeu: Faça!

Apesar dessas informações, nada do seriado. Nos anos 80, fiquei só no sonho de ver o tal programa. Apareceu uma mini-série em quadrinhos, lá pelo final dos 80, com uma outra personagem, que não disse a que veio. Mas, uma década depois, ou mais um pouco, acontece um milagre! Consegui assistir a um episódio que minha irmã gravou em VHS da TV a cabo, já que passava no Multishow em algum horário ingrato. Então, finalmente, em tempo mais recente, já com internet banda larga, tive a oportunidade fantástica de ver com calma alguns episódios desse seriado (os outros estão guardados para depois, como se guarda o bom vinho) . Mas valeu a espera! Não vou fazer maiores comentários sobre O Prisioneiro em si, que já foi comentado pelo Quatermass aqui no blog, neste post. Mas recomendo!



A propósito, The Prisoner é uma daquela obras que cada um pode interpretar de maneira diferente. Pessoalmente, tenho uma opinião sobre o motivo pelo qual o N° 6 nunca conseguia sair da Vila. A grande prisão está na mente, não em muros, grades ou o que seja. É como o Pedro Bial disse outro dia (putz, estou confessando que às vezes vejo o BBB...) sobre a Alemanha dividida: anos após a queda do muro de Berlim, ele ainda existia na mente de muitas pessoas. Mas esta é apenas uma das muitas leituras possível d'O Prisioneiro. Uma lenda pessoal no passado. Hoje é algo que posso discutir com os amigos.

Outra hora volto para falar dos outros seriados. Para saber mais sobre o ator/produtor Patrick McGoohan, sugiro conferir essa postagem no blog Vintage69. Fui!

sábado, 24 de janeiro de 2009

NEM PRECISAVAM DIZER NADA...

Da série "Grandes Filmes que Dispensavam Maiores Explicações":

O logo da Columbia, na abertura de "O Rato Que Ruge".



sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O BAURU DAS AMERICANAS


Quatermass



Um de meus sonhos de consumo quando criança.


Incrível como os desejos infantis são tão singelos quando comparados às ambições adultas. Acredito que o homem durante sua passagem na Terra, passa por um processo inverso de sanidade: diminui à medida em cresce, embrutece, perde a sensibilidade, substitui o bom senso pelo “agora”, e faz do “agora” sua meta de cada dia até alcançar a decrepitude. Geralmente os gostos mais simples são os mais duradouros, verossímeis e memoráveis.



Hoje, trinta e seis anos mais velho, invejo uma de minhas manias de guri: o de ir com meus pais às Lojas Americanas, na Rua dos Andradas (que na época eram duas no Centro, no mesmo quarteirão, quase frente-a-frente), de preferência à loja da esquerda (para quem se dirigia a Praça da Alfândega), e lá subir pelas escadas rolantes, que terminavam diante de uma prateleira entupida de kits Revell (fabricados e distribuídos no Brasil pela Arno Kikoler – que encerrou suas atividades em 1990); e, escolhido o kit, seguir à lanchonete para pedir o mais saboroso bauru de POA. Se o bauru do Trianon até hoje tem a fama, que continue com ela, pois nunca foi digno de qualquer lembrança!





Muitas vezes a saudade não se resume somente a um fato/coisa/pessoa em si, mas também o circundava aquele fato/coisa/pessoa. São momentos que se eternizam, independente do que – seja ou não verdade – o bauru de um ou de outro fosse o melhor. Mas não se preocupe nobre internauta, ainda não me recolhi ao asilo! Somente lembrei-me do bauru das Americanas e dos kits num lapso, um descuido meu, onde, por segundos, voltou-me aquelas imagens. Imagens de pessoas que não existem mais, de lojas demolidas, de kits que deixaram de ser fabricados, uma outra era, um outro momento.




Voltemos então para o presente, para a estréia nos cinemas de O Dia em que a Terra Parou! Pois é... a vida muda... as pessoas passam... os velhos filmes voltam recauchutados com atores diferentes nos contando a mesma coisa! Mas não adianta desdenhar, porque também somos atores e fazemos parte de uma permanente refilmagem!



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