sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O BAURU DAS AMERICANAS


Quatermass



Um de meus sonhos de consumo quando criança.


Incrível como os desejos infantis são tão singelos quando comparados às ambições adultas. Acredito que o homem durante sua passagem na Terra, passa por um processo inverso de sanidade: diminui à medida em cresce, embrutece, perde a sensibilidade, substitui o bom senso pelo “agora”, e faz do “agora” sua meta de cada dia até alcançar a decrepitude. Geralmente os gostos mais simples são os mais duradouros, verossímeis e memoráveis.



Hoje, trinta e seis anos mais velho, invejo uma de minhas manias de guri: o de ir com meus pais às Lojas Americanas, na Rua dos Andradas (que na época eram duas no Centro, no mesmo quarteirão, quase frente-a-frente), de preferência à loja da esquerda (para quem se dirigia a Praça da Alfândega), e lá subir pelas escadas rolantes, que terminavam diante de uma prateleira entupida de kits Revell (fabricados e distribuídos no Brasil pela Arno Kikoler – que encerrou suas atividades em 1990); e, escolhido o kit, seguir à lanchonete para pedir o mais saboroso bauru de POA. Se o bauru do Trianon até hoje tem a fama, que continue com ela, pois nunca foi digno de qualquer lembrança!





Muitas vezes a saudade não se resume somente a um fato/coisa/pessoa em si, mas também o circundava aquele fato/coisa/pessoa. São momentos que se eternizam, independente do que – seja ou não verdade – o bauru de um ou de outro fosse o melhor. Mas não se preocupe nobre internauta, ainda não me recolhi ao asilo! Somente lembrei-me do bauru das Americanas e dos kits num lapso, um descuido meu, onde, por segundos, voltou-me aquelas imagens. Imagens de pessoas que não existem mais, de lojas demolidas, de kits que deixaram de ser fabricados, uma outra era, um outro momento.




Voltemos então para o presente, para a estréia nos cinemas de O Dia em que a Terra Parou! Pois é... a vida muda... as pessoas passam... os velhos filmes voltam recauchutados com atores diferentes nos contando a mesma coisa! Mas não adianta desdenhar, porque também somos atores e fazemos parte de uma permanente refilmagem!



1 comentários:

Vitroncio disse...

Era bom, mas nada comparado ao cachorro quente com milk shake do RIB'S, na esquina da rua da Praia com a General Câmara (aquela mostarda que era de um amarelo diferente de tudo o que já vi até hoje...) e a cremosidade do milk shake continuam imbatíveis até hoje.

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