domingo, 22 de fevereiro de 2015

OS DIAMANTES DO DIABO






 por Quatermass



Os Diamantes do Diabo (A Twist of Sand - 1968) é um filme de aventuras B reprisado várias pela Rede Tupy nos anos setenta. Mas como cheguei até este filme? Através de exercício de memória, perseverança e uma surpresa final. Passados mais de trinta anos, algumas imagens ainda permanecem: a Costa do Esqueleto, um tesouro no deserto e um submarino alemão. 


Desde que conheci Thintosecco compartilhamos diversos filmes raros. Das acaloradas discussões sempre fui reticente a este filme inglês em especial, pois já cometi diversas confusões a respeito. 


Pra começar a Costa do Esqueleto: região litorânea da Namíbia, que coleciona mais de duzentas carcaças de navios encalhados. Se de um lado realmente existe um local com este nome, por outro, ao pesquisar na Internet, sempre acabava no filme alemão A Costa do Esqueleto (The Skeleton Coast – 1964), um filme policial fraquinho. E aí? Daí que seguia adiante e voltava para o alemão.


Mas eram tantas as discrepâncias, que não podia ser o mesmo filme. Cansado do IMDb, parti para o Wikipedia para saber mais sobre a Costa do Esqueleto. Neste momento, num lampejo de inteligência, desci a página até as sempre presentes referências no rodapé.


E voilá !  Lá está a menção de A Twist of Sand com uma mini sinopse.  E o nobre internauta perguntará: que diabos este cara vai atrás de um filme de 1968, se agora estão passando no cinema joias como O Jogo da Imitação e Birdman ? Quem sabe se daqui a 46 anos estes dois filmes não ficarão na lembrança de algum cinquentão, que estará fazendo o mesmo garimpo?  







 


Os Diamantes do Diabo tem um nome pomposo de um filme mediano. Talvez em razão de seu irregular diretor, Don Chaffey: em seu histórico dirigiu o ótimo Jasão e o Vêlo de Ouro (1963), o mediano Mil Séculos Antes de Cristo (1966) e a goiaba Criaturas que o Mundo Esqueceu (1971).







A história: sabedor da existência de diamantes escondidos em meio aos destroços de um galeão na Costa do Esqueleto um ex-oficial da marinha britânica arregimenta uma tripulação suspeita e sai atrás das pedras. Será necessária habilidade para adentrar pela costa sem naufragar. E ainda há um tripulante de submarino alemão que agora está sob o comando de seu algoz inglês. 






A história é melhor que o filme, que não faz feio. O  valor sentimental é muito maior que a obra em si. E a surpresa: aonde encontrar? Não saia por aí procurando DVD ou Blue Ray que não vai achar. Também não consta em catálogo de qualquer grande livraria ou locadora de vídeo. Não irás encontrar em sites ou blogs de downloads duvidosos, que pedem número de celular, seu endereço eletrônico ou uma conta no Google. Não acharás nos camelôs em meio a DVDs pirateados. 





Então, a revelação: está em domínio público ! Um filme de 1968 ! É só entrar no archive.org ou YouTube e baixar com um clique ! Apesar de tudo que falei antes, recomendo e muito. Aliás, recomendo as duas coisas: o garimpo e o filme. Por uma única razão: também vi Birdman e O Jogo da Imitação, e os achei ótimos, mas são novos e ainda não sabem como envelhecer.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

SOB A PELE






 por Quatermass



Sob a Pele (Under the Skin – 2014) é único dentro do gênero ficção científica.  Até então nunca havia visto um filme tão discreto. Sem grandes badalações, diz a que veio. Melhor falando, não diz nada, não é autoexplicativo.


Após 46 anos, surge um filme contundente. Gosto muito de usar paradigmas, tais como 2001 (1968) e Solaris (1972), e diante destas duas obras, no entanto, Sob a Pele não possui divagações complexas. Pela maneira como a história se desenrola, é que o diretor Jonathan Glazer se aproxima de Kubrick e Tarkovski


Do primeiro ao último minuto não há uma grama sequer de pena do pobre cinéfilo. Por isto fiquei de boca aberta. É como se o filme fosse uma carreta correndo a 150 km/h, e o expectador fosse o motorista de um fusca 1200 correndo atrás. 


A história começa quando uma alien utiliza-se das vestes de uma mulher morta. Daí começa a peregrinação em busca de homens solitários e sem família. Até que seu contato físico excessivo leva a anti-heroína a desenvolver novos sentidos, perturbando-a. 











Por não conter explicações fáceis não significa que esteja ludibriando; pelo contrário, o filme é uma feliz releitura de obras de sessenta anos atrás, associada com paisagens pouco usuais da Escócia e uma lindíssima atriz (Scarlett Johansson). Sobre esta última, até nua em pelo ela aparece, mas tão sinistra e perturbadora são as cenas, que sua nudez torna-se secundária. 


A comparação mais próxima seria da policial ciborg de Ghost in the Shell (1995). A pele é uma casca que tem uma única função: caçar, atrair a vítima. Neste caso, Scarlett Johansson é a predadora que, em parceria com seu colega ET, atrai suas vítimas masculinas e depois as mata. Não existe sensualidade, apenas o propósito. 












Está em permanente modo de caça. Num primeiro momento a predadora atrai, posteriormente utiliza-se inteligentemente da solidão humana e da fragilidade emocional para consolidar a conquista.


A fêmea e seu comparsa não possuem nomes (assim como todo o elenco), a trilha sonora generosamente substitui conversações supérfluas, a ponto de inexistir diálogos entre os dois. No filme não há explicações dos motivos, da maneira pelas quais mata, somente narra friamente o ‘modus operandi’






Finalmente, digo que não há discos voadores, raios laser, ets gosmentos e mocinhos bodosos; ao contrário, há somente uma fera voraz que de repente, deixa de ser a caçadora para ser a caça.



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

QUATERMASS RISES AGAIN !



Este não é o título de um filme.

Refiro-me ao retorno do crítico dos críticos dos filmes de ficção.

NESTE BLOG.


EM BREVE.

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