quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

SINAIS

por Quatermass

Certa vez, o meu então cunhado, grande fã de ficção científica e aventura, me disse que assistiu Sinais no cinema e se decepcionara. Não foi muito mais explícito, mas até entendo o porquê. Sinais (Signs – 2002) do diretor indiano M. Night Shyamalan está mais para o suspense que para ficção científica. O próprio Shyamalan se identifica com Hitchcock e demonstra inegáveis talentos na condução de seus filmes. Apesar de abordar a invasão e presença alienígena, está anos-luz de ser um Guerra dos Mundos. Gosto muito deste diretor, afinal ET também dá bom suspense e este filme é um exemplo. A história se passa numa fazenda de uma típica, porém desestruturada família americana. Mel Gibson interpreta um duplo papel: o de um pastor viúvo, que perdeu a fé (o Revendo Grahan Hess) e o de Mel Gibson. Sim porque certos atores sempre dão a convicção que de estão do lado certo na hora certa: estes são os chamados heróis.

Mas o filme também poderia se chamar “Tem um Alien no meu Sótão”. Taí o talento do diretor indiano: ele identifica o isolamento dos protagonistas - no meio rural, seu único refúgio é a casa e transforma os diferentes aposentos ora em abrigo, ora em armadilha, e dentro deste ambiente claustrofóbico trabalha com os nervos do expectador. Aquela coisa de desenhos no milharal, caçadas noturnas, etc, em nada se comparam com os contatos imediatos dentro das casas. Um exemplo: na ponta em que aparece meu estimado diretor como um vizinho que está prestes a se mandar, laconicamente informa o herói de que uma das criaturas está presa na despensa da casa. Por que Mel Gibson tem que ir lá? Por causa do suspense. É manjado? É. Mas como dá resultado! Assista Sinais sozinho na sala à noite. O final não deixa de ser coerente, uma vez que, como seu mestre, o indiano também gosta de deixar dicas durante o filme. Agora, para finalizar: aquela coisa que aparece de súbito na televisão e consta ter sido filmada em Passo Fundo/RS é verdadeira? Se for vou me trancar dentro de casa, mas não na despensa!

Seguem o tradicional trailer e a cena do E.T. de Passo Fundo, que, ao que dizem, só o Shyamalan viu!




sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

YOU GOT IT - Roy Orbison




por Quatermass



Ironias da vida. É a expressão perfeita para este post. No início dos anos noventa, costumava ouvir uma música executada nas rádios que me chamava a atenção pelo excesso de qualidades, mas nunca me interessei em saber quem a cantava. Às vezes prestava atenção numa determinada entonação de voz que se distinguia das demais, sem ir muito a fundo. Sempre reconhecia o desconhecido cantor por suas baladas e continuava indiferente. Santa preguiça! Este marasmo todo perdurou até assistir um documentário no canal GNT há uns cinco anos atrás. E, para variar, assisti a metade final, visto que mudei o canal por acaso, sequer sabia de sua transmissão. Mas foi o suficiente. Que coisa, pensei, um documentário de um sujeito que mais parecia Chico Xavier. Só que o saudoso Chico não tinha aquela inflexão de voz e não era compositor. Roy Orbison sim. Por um lapso, quase deixei de conhecer a história de um homem que fez história. Estaria agora falando sobre qualquer coisa menos dele.


 
A vida é curiosa: de lapsos em lapsos, acabamos descobrindo novidades. Eis aí um sujeito que, entre altos e baixos sempre soube estar num outro plano. Adorado por uma legião de fãs e respeitado pelos artistas, nunca seguiu modismos, sempre foi ele mesmo. Despontou nos anos cinqüenta, conheceu Jerry Lee Lewis, Johnny Cash e era amigo de Elvis. Tinha uma voz poderosa, com entonação puxando para o agudo. Era tímido e usava óculos escuros de fundo de garrafa para esconder seu astigmatismo. Conheceu o sucesso nos anos sessenta, mas caiu no ostracismo do grande público nos anos setenta até metade dos oitenta, quando ao final foi redescoberto com seus hits estourando em filmes como Veludo Azul (“In Dreams”), Uma Linda Mulher (“Oh, Pretty Woman”) e Proposta Indecente (“A Love So Beautiful”). Independente dos percalços, sempre foi estimado no meio artístico, em reconhecimento também a sua simplicidade e humildade. A verdadeira tragédia também o alcançou: perdeu sua primeira esposa em 1966 em acidente de moto e dois filhos num incêndio em sua casa no ano de 1968. Soube seguir a vida adiante, soube ser Roy Orbison.


 

 
Morreu em dezembro de 1988 de ataque cardíaco. Em 1991, recebeu um Grammy póstumo por “Oh, Pretty Woman”, do álbum A Black and White Night Live. Seu mais bem sucedido album foi Mystery Girl, finalizado postumamente em 1989. Casualmente, nesta obra está a canção que me cativou por tanto tempo sem saber seu dono: “You Got It”. Se a fama perdura, onde está Roy Orbison? Está enterrado no Westwood Memorial Park, em Los Angeles, num túmulo sem identificação, na seção D, número 97. Morreu como viveu: com reconhecimento, homenagens e discrição.

ASSOMBRAÇÃO


por Quatermass






Apesar de já haver comentado O Pequeno Príncipe e o Dragão de Oito Cabeças e Kagemusha, duas jóias japonesas, desde logo já digo: exige muito cuidado a análise uma obra culturalmente diversa, mais precisamente, diversa dos padrões hollywoodianos.


Acostumamos a ver os filmes do Tio Sam, que seguem os mesmos estereótipos, até quando tentam fugir destes. Preguiçosamente, nossas críticas também seguem um padrão. A percepção não vai além dos valores e méritos que já estamos acostumados a ver ou torcer o nariz.


Nossa cultura é baseada na pressa, na valorização do aspecto visual sobre a percepção, o gosto pelas ações diferentes dos discursos, a ambigüidade da própria visão de povo/nação (sofrido, pobre, alegre e hospitaleiro); e o lado inverso - o questionamento forçado, onde obras e autores supostamente críticos avolumam o amontoado de cultura acadêmica, gerando teses que levam a lugar algum, pelo simples fato de inexistir vontade política.


A paciência, a observação, o senso do coletivo, a tradição e a honra são relegados ao segundo plano. Seria fácil traçar paralelo cultura com cultura e arrogantemente diminuí-la ou deturpá-la enquanto obra – prefiro compreender.





Assombração (Gwai wik/Re-cycle - 2006), produção de Taiwan, passou discretamente nas locadoras aqui em POA. Casualmente encontrei este pequeno e interessante thriller não nas prateleiras do gênero terror, mas no de suspense.



Só que também não é suspense: seria um subgênero fantasia. Um filme oriental segue padrões próprios, trabalha muito com as sensações de quem assiste, é a condução da história que gera a expectativa, via de conseqüência o medo (e não o susto), um recurso muito usado por Hitchcock.




Assombração é muito mais light que O Chamado e O Grito, é mais comercial e menos conceitual que estes últimos, mas também é quase um colírio para os olhos.



A história: uma escritora, Tsui Ting-Yin (a bela Angelica Lee) reencontra seu antigo amante após oito anos. Magoada, põe fim definitivamente à relação, inclusive em razão de um aborto ocorrido na época. Daí a história muda.


Ao adentrar num elevador, este a leva para uma outra dimensão, um limbo, um lugar onde coisas e pessoas são descartadas. Aí o internauta pergunta: não seria dos personagens e cenários descartados pela escritora em suas obras? Resposta: também!


O visual é deslumbrante. Não possui as cores de Herói nem do Clã das Adagas Voadoras, mas é como se estivéssemos num pesadelo. É extremante criativo e assustador. Esqueça Spielberg. Assusta mesmo.


As figuras fantasmagóricas são tétricas e a cena dos enforcados é a melhor já vista. O único senão são os mortos vivos: parecem saídos de um filme de George Romero. Mas nossa bela turista não está só: uma menina (Yaqi Zeng) ajuda a escapulir das enrascadas e um senhor (Siu-Ming Lau) as orienta para onde devem se dirigir. Ambos serão reconhecidos ao final por Tsui Ting-Yin. Mas antes, ela também criará fortes vínculos com a menina sem nome, numa pausa incrivelmente terna.


O final depende do internauta assistir, mas, repito, é diferente de finais felizes ou infelizes, é um final oriental, complexo até.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

OS CICLOS DE CINEMA DO BRISTOL



por Quatermass



Ahhhh, Porto Alegre, quantas saudades tenho de seus cinemas de bairro! A quase totalidade já fechou. Mas havia um especial, uma pequenina sala de exibição anexa ao Cine Baltimore: o Bristol.


O acesso era estreito, a sala de exibição incrivelmente escura, mas havia um charme. Sentia-me um cliente VIP em um local muito especial. De meados dos anos setenta até os oitenta este pequeno cinema possuía uma programação distinta. Não apresentava os lançamentos de circuito nacional. A sua especialidade eram os ciclos. A cada semana um determinado tema era escolhido e a cada dia um filme era exibido dentro do contexto.


Por exemplo: ciclo de diretores, atores, gêneros. Confesso que foi por este último que me atraiu: mais precisamente, os de ficção científica. Só fui ver Alien - o Oitavo Passageiro (1979) dois anos depois, no Bristol. Uma pena, pois quando a obra de Ridley Scott estreou foi muito badalada, inclusive, me apaixonei por uma ótima crítica publicada no jornal Correio do Povo. Mas, contudo, todavia, entretanto... não encontrei companhia para ver o filme (problema solucionado no ano seguinte, quando fui ver sozinho Jornada nas Estrelas).


Daí por diante, não deixei mais de ver o que queira por ignorância alheia. Nunca vou me esquecer. O ano era 1981. Almocei e saí da PUC disposto a ver o filme de qualquer jeito. Cheguei na Av. Osvaldo Aranha, às 13h30min, e adentrei no cinema e desagradavelmente constatei que o filme havia começado 15 minutos antes.


Que pena pensei! Bom! Vou ver o resto! Terminada a sessão, para minha surpresa, vi que a maioria do pessoal não foi embora; ao contrário, mais gente chegou para a sessão seguinte e todo mundo ficou (que bons tempos aqueles). Assisti os 15 minutos perdidos mais o restante da obra de novo. Mas não fiquei com remorso, pois a maioria da platéia fez o mesmo!


Conclusão: o Bristol não era um cinema para público comum, era para aficionados. Mais, havia um respeito por este seleto grupo de fiéis admiradores da sétima arte, pois quando saí da segunda sessão fui um dos poucos a fazê-lo; a maioria novamente ficou! De sua parte, os freqüentadores respondiam com silêncio, sem badernas e baixarias.


Senti-me um cinéfilo, mais um que ingressou no seleto grupo e tudo isto devo a uma pequena sala de exibição que agora existe somente em minhas lembranças.








quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

UM DOCUMENTÁRIO IMPERDÍVEL!


"Simplesmente incrível. Até o momento esse é o mais completo e rico registro em vídeo (dvd) que se tem notícia sobre o nosso tão amado rock n roll. São ao todo 578 minutos de depoimentos e pequenos trechos de shows e acervos particular de diversos artistas que foram importantes para o rock e seus subgêneros. A divisão dos temas pelos cinco discos foi muito inteligente e faz com que o telespectador siga uma cronologia interessante. Dos temas apresentados, “Os Britânicos Invadem, os Americanos Resistem” é muito bom e começa falando do desembarque dos Beatles em fevereiro de 1964 na cidade de Nova York, e exibe trechos de shows dos Rolling Stones.



Alguns músicos fala
m da importância da guitarra no rock no capítulo “Heróis da Guitarra” com depoimentos cruciais de Eddie Van Halen, Jimmi Page, Pete Townshend, entre outros. E depoimento de gente importante é o que não falta nesse dvd, tem o Bono do U2, James Hetfield do Metallica, Ozzy, Jimi Page, Alice Cooper, David Gilmor (Pink Floyd), David Bowie, Aerosmith, entre outros medalhões. Surgimentos importantes ligados de certa forma ao rock como o nascimento do punk, a criação da MTV, a invasão do hip-hop e a chegada do Nirvana no início da década de 90, também estão presentes. Este dvd é uma enciclopédia para se ter guardado e assistir com os amigos, com os filhos que você tem ou virão, com os netos, enfim... Uma festa. Muito Recomendado."







Aproveitei o comentário acima, que é de autoria do Felipe Souza e consta do site Metal Zone (
www.metalzone.com.br). Dá uma boa noção da qualidade desse megadocumentário, que é muito, muito bom! Agora vamos à parte mais interessante. Através de uma dica da Fê fiquei sabendo da disponibilidade desses vídeos na rede, através de uma pasta no 4shared. Trata-se de uma ripagem diferente e melhor do que uma outra que vi em vários outros blogs por aí (com hospedagem no Gigashare), tratando-se de arquivos .avi já com a legenda embu
tida. E o mais legal da história: fomos autorizados pelo titular da mencionada conta no 4shared a linkar os arquivos aqui no Planeta. Fica um grande abraço para o Marcos, lá de Natal/RN!

Um registro importante. Este não é um blog de downloads. Às vezes indicamos algum link ou damos alguma dica para que o pessoal possa baixar filmes, discos ou livros que são antigos e/ou raros. No caso de "A História do Rock'n'Roll" - que é um produto que está no mercado - estamos fazendo uma exceção, considerando a importância e qualidade do material. Afinal, o rock'n'roll é uma das mais importantes manifestações artísticas do século XX! Não duvide antes de assistir este documentário. De qualquer modo, recomendo a quem tiver a possibilidade que adquira os DVDs originais.

Dado o recado, aqui vai o link: A HISTÓRIA DO ROCK'N'ROLL .

Divisão dos volumes:

Volume 1
"O Rock'n'Roll Explode"
"Rock da Pesada Esta Noite"

Volume 2
"Os Britânicos Invadem, os Americanos Resistem"
"O Som do Soul"

Volume 3
"Minha Geração"
"Ligando-se na tomada"

Volume 4
"Heróis da Guitarra"
"Os anos 70"

Volume 5
"Punk"
"Do Underground à Fama" .

Pra finalizar, deixo um "sonzinho". Na verdade, um primeiros clipes que assisti:
Rolling Stones - "It's Only Rock N Roll But I Like It"!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

JACK, O MATADOR DE GIGANTES




por Quatermass




Incrível a capacidade de certos diretores. Melhor dizendo, é incrível a capacidade de certos diretores incríveis! A repetição é proposital (a propósito, comentarei isto num futuro post). Refiro-me a Nathan Juran.








De origem romena, faz parte de um seleto grupo de profissionais que extrai arte em tudo que toca. Dirigiu longas e seriados como Viagem ao Fundo do Mar, Túnel do Tempo, Perdidos no Espaço e Daniel Boone.




É um diretor que procura tirar o máximo proveito dos recursos oferecidos, mesmo quando parcos. Por exemplo, em The Deadly Mantis (1957), um Louva-a-Deus gigante atormenta o Ártico e posteriormente a América.








Tanto a sinopse quanto a maquete do bicho em si eram toscos, mas a maneira como contou a trama acabou por torná-lo um thriller, pois dosou suspense e efeitos sonoros para compensar. - Confira o trailer deste filme AQUI, ou ainda a matéria no blog SPACE MONSTER.







Neste post, analiso um filme de aventuras cuja história é tão singela, contada também da mesma maneira, que não deixa de ser um dos melhores filmes de aventuras de todos os tempos. Exagero meu? Vá bisbilhotar lá fora e tente me desmentir!



Jack, O Matador de Gigantes (Jack the Giant Killer – 1962) é protagonizado por dois velhos conhecidos dos fãs por filmes de aventuras: Kerwin Mathews (Jack) e Torin Thatcher (Pendragon), que também foram protagonistas em um outro clássico do mesmo diretor, Simbad e a Princesa (The Seventh Voyage of Simbad – 1958).





A história: expulso do reino de Cornwall, o bruxo Pendragon jura vingança ao rei. No dia da festa de aniversário da princesa Elaine, faz uma visita, incógnito, e oferece de presente uma caixa de música.




Nada mais é senão mais um de seus feitiços e a filha do rei é seqüestrada por um gigante, que topa com nosso herói, um camponês, e este o mata.


Recebe o título de cavaleiro (casualmente o mesmo do filme). Posteriormente, o vilão novamente rapta a princesa levando-a para seu castelo em uma ilha e Jack irá salvá-la.





Simples né? É. Os efeitos são bons, mas a direção e o elenco são melhores ainda. Na verdade, este filme nada mais é senão a própria caixinha de música presente da princesa: bela por fora e surpreendente por dentro.


sábado, 19 de janeiro de 2008

BLADE RUNNER parte 2



Um clássico como Blade Runner merece uma atenção a mais. Então damos seqüência à postagem anterior, acrescentando algumas informações.





Sinopse:

O filme descreve um futuro em que a humanidade inicia a colonização espacial, para o que cria seres geneticamente alterados - replicantes - utilizados em tarefas pesadas, perigosas ou degradantes nas novas colônias. Fabricados pela Tyrell Corporation como sendo "mais humanos que os humanos", os modelos Nexus-6 são fisicamente idênticos aos humanos, mas são mais fortes e ágeis. Devido a problemas de instabilidade emocional e reduzida empatia, os replicantes são sujeitos a um desenvolvimento agressivo, pelo que o seu período de vida é limitado a quatro anos.


Após um motim, a presença dos replicantes na Terra é proibida, sendo criada uma força policial especial - blade runners — para os caçar e "aposentar" (matar). No filme conta-se como um ex-blade runner - Deckard - é levado a voltar à ativa para caçar um grupo de replicantes que se rebelou e veio para a Terra à procura do seu criador, para tentar aumentar o seu período de vida e escapar da morte que se aproxima. (texto extraído da wikipedia)



Trilha sonora:

Assim como o filme (mas ainda em maior número) a excelente trilha sonora composta por Vangelis teve várias versões lançadas com o passar dos anos. Encontrei inclusive um blog dedicado inteiramente às trilhas de Blade Runner. Para quem quiser conhecer, é o bladerunnersoundtracks.blogspot.com, com links para download.

Outros links:

Uma versão do filme em quadrinhos (mas em inglês), pode ser encontrada no blog Zombisagem. Essa mesma versão pode ser encontrada no F.A.R.R.A. E por falar no Fórum do Rapadura Açucarada, lá também pode ser econtrado o Blade Runner, versão do diretor, neste link.

E, se por acaso alguém ainda não viu esse filme, por favor não espere até 2019! Valeu!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

BLADE RUNNER




por Quatermass



Blade Runner é um filme claustrofóbico? É. Um misto de ficção com film noir? Também. Possui uma visão pessimista do futuro? Possui. A trilha sonora de Vangelis é maravilhosa? Com certeza. É baseado numa história de Philip K. Dick? 100% certo. Então por que tantas versões definitivas?


A Warner agora está lançando quatro versões do mesmo filme: a primeira, modificada pelos produtores, com narrativa de Harrison Ford e cenas excluídas; a segunda, modificada pelos produtores, com narrativa Harrison Ford e com as cenas excluídas incluídas (repito de propósito); a terceira, a versão de 1992, modificada pelo diretor Ridley Scott, sem narrativa de Harrison Ford, do jeito como queria; a quarta, a versão de 2007, modificada pelo diretor Ridley Scott, sem narrativa de Harrison Ford, do jeito como queria e com algumas correções técnicas.


Mais uma pergunta: até que ponto um filme é propriedade intelectual exclusiva do diretor? A matriz, como já disse, foi de Philip K. Dick, que sofreu releitura por dois roteiristas, primeiro por Hampton Fancher, depois por David Peoples; Syd Mead acrescentou o visual futurista; Vangelis, criou um sonho etéreo em forma de música, e Ridley Scott chamou para si o trabalho desta turma e dirigiu a obra.



E daí? Será em que 2020 sairá a 15ª versão definitiva de Blade Runner? Pessoalmente e polemicamente falando gostei muita da versão de 1982, gostei do final feliz, gostei da edição feita pelos produtores a contragosto do diretor (que sua edição de 1992 demonstrou ser uma releitura besta).


Se houve cenas planejadas e não filmadas, será que a culpa também não é a do diretor? Sonho com unicórnio, fala sério! Afinal será só Rick Deckard replicante? No roteiro constam outros... Se houve estouro no orçamento e demora nas filmagens, a responsabilidade também não é dele?


Lembro-me de um documentário em VHS de Apocalypse Now (Apocalipse de um Cineasta), em que mostra as filmagens da cena da fazenda francesa. Concluída, seu diretor a excluiu na montagem de 1979. Quando a vi lastimei sua ausência. Posteriormente, em Apolcalypse Now Redux, foi incluída. Ela não é essencial, mas contextual: mostra a presença da França na Indochina (depois Vietnan) enquanto potencia colonial. O filme é uma releitura de O Coração das Trevas, obra de Joseph Konrad, mas é um trabalho conceitual: Coppola bancou, roteirizou e dirigiu.


Agora, e em Blade Runner? O que acrescenta tantas versões definitivas do diretor? Philip K. Dick estará satisfeito? Será que sua obra não foi suficientemente alterada, a ponto de servir de meros caça-níqueis? Volto a repetir (de novo) fui ao cinema em 1982, gostei; vi em VHS a mesma versão, gostei; mas com o DVD da versão de 1992, faltou alguma coisa. O que será? A ausência do novo, algo que deveria ter sido filmado e não foi, algo que tinha no livro e que foi relegado, o(s) roteiro(s) que não foi(ram) seguido(s) à risca.


Então penso eu: será que não está faltando alguma historia mais interessante para o ocioso Ridley Scott filmar?




Uma perda para os quadrinhos nacionais

Oscar Kern (1935-2008)



Quem me alertou para esta notícia foi o amigo Leandro (da antiga revistaria Planeta Proibido), a qual trascrevo conforme consta no site Universo HQ:


Um dos maiores conhecedores, defensores e reconhecidamente batalhadores dos quadrinhos brasileiros encerrou sua longa história. Na tarde do último dia 12 de janeiro, faleceu em Porto Alegre/RS o quadrinhista gaúcho Oscar Kern. Nascido em setembro de 1935, na cidade de Taquara/RS, Kern foi roteirista dos gibis Disney da Editora Abril, nos primeiros anos da década de 1970. O período curto foi suficiente para marcar seu nome entre os fãs da turma de Patópolis, escrevendo histórias (algumas delas publicadas em outros países) do Zé Carioca, Tio Patinhas, Pateta, Morcego Vermelho, Peninha e outros, além de criar personagens como o Senhor X e seus asseclas e o astronauta do planeta Tucânia. Em 1972, lançou o fanzine Historieta, um dos mais conhecidos e importantes da história dos quadrinhos nacionais e cuja última edição foi lançada em 2003. Nessa publicação, pela qual passaram nomes hoje consagrados no mercado nacional, como Mozart Couto, Emir Ribeiro, Mike Deodato e Renato Canini, ele também escreveu diversas aventuras. (...) Para a seqüência da matéria, siga este link.




Apesar de conterrâneo, não o conheci pessoalmente. Tive um dos números da Historieta, que foi o único lançado em bancas, em parceria com a Press Editorial, por intermédio do Franco de Rosa (também uma grande figura), e é a capa daquela edição que ilustra
esta postagem. O Oscar, com certeza, segue sua jornada em outro plano. Ficam aqui os nossos sentimentos e o registro do profundo respeito por seu trabalho, que será lembrado.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

ORGULHO E PAIXÃO



por Quatermass



Orgulho e Paixão (The Pride and the Passion – 1957) é um de meus filmes inesquecíveis. Assisti quando criança, já saiu em DVD e acho a história o máximo: durante a ocupação napoleônica na Espanha, um oficial inglês (Cary Grant) é enviado para resgatar e conduzir um gigantesco canhão até Santander, para o uso de Sua Majestade.


A localização da arma é de conhecimento somente dos guerrilheiros espanhóis e seu líder, Miguel (Frank Sinatra), impõe uma condição: antes de disponibilizar o leviatã, o mesmo deverá ser usado contra a fortaleza de Ávila, sob supervisão inglesa. Relutantemente o oficial aceita as condições e começa a epopéia de transportar o gigante sob as barbas do exército francês.


O título da obra diz tudo: sintetiza o sentimento fatalista do povo espanhol; mais ainda, perseverança e teimosia. A principio, o oficial despreza estes sentimentos, necessita somente da arma, mas passa a compreender que ela representa mais do que um artefato: tem o poder de unificar um povo contra o invasor.



As cenas são impressionantes e filmadas fora do estúdio. Em todo lugar por onde passa o canhão um novo drama surge e somente através do ideal de sacrifício pela liberdade dos espanhóis é que são superados os obstáculos.


Um filme surpreendente, também, pelos três principais protagonistas: Cary Grant, fora de seu padrão cômico-vítima, mas sem ser caricato; Frank Sinatra, canastrão como sempre, mas fascinante como espanhol; e Sophia Loren, como Joana. Bem, esta última dispensa comentários, pois é a italiana imitando espanhola mais linda que Hollywood já apresentou.


segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O CASO BEDFORD




por Quatermass





O meu gosto por filmes antigos acarreta o mesmo drama ao caro internauta: como conhecer ou onde obter o filme? O oráculo responde: na locadora, pela Internet ou com uma reza forte.


No meu caso também é pela memória. Enquanto meu winchester de 44 anos funcionar tudo bem, senão tô f... Este filme é típico.


Assisti O Caso Bedford (The Bedford Incident – 1965) pela última vez em 1987. Não chutei o ano, porque lembro de também ter assistido um programa de televisão na Bandeirantes que antecedia o filme. Era um programa anárquico, inteligente, improvisado e bem humorado – Perdidos na Noite, apresentado pelo Fausto Silva, antes de ingressar na Rede Globo no ano seguinte com o Domingão do Faustão, exatamente oposto do anterior.


Pois bem, O Caso Bedford é um filme da Guerra Fria: aquela guerra que não houve entre Estados Unidos e União Soviética, mas que durou mais de quarenta anos (1945-1990).
Inicia-se de maneira corriqueira, com a visita de um repórter (Sidney Poitier) a um dos mais modernos navios de guerra da marinha americana, o USS Bedford. Aí vocês vão pensar: o filme é mera exibição do poderio militar. Errado. O que era pra ser exatamente isto muda com o decorrer da história.





O super-hiper-ultra navio de combate deixa de ser o foco. A atenção passa a ser um contato no sonar. Um submarino não identificado que invade águas territoriais americanas. Seu capitão Eric Finlander (Richard Widmark), antes o comandante arrogante, parte para o obstinado. Inicia uma perseguição de gato e rato no círculo polar ártico.





O roteiro deste filme é o mais genial da obra: como num “crescendo” (musicalmente falando), o ambiente a bordo fica mais e mais tenso. A obsessão do capitão lembra a de Ahab em Moby Dick; seu barco, o Pequod; e o destino dos tripulantes, o mesmo.





Sidnei Poitier é o seu contraponto: representa a sanidade e humanidade diante do mais irracional dos sentimentos. Mesmo quando fora das águas territoriais invadidas a perseguição continua até o trágico desenlace final. É um filme como a guerra fria: o conflito não oficial, a guerra na paz.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O HOMEM ILUSTRADO


"Na dualidade que se pode atribuir ao significado secreto do título desta obra, oculta-se todo o seu profundo signi­ficado — O Homem Ilustrado — ilustrado por­que contém no microcosmos do seu corpo toda a sabedoria do Universo, o segredo dessas fontes perdidas, desses mares azuis, dos terríveis sois rubros, dos cometas e das constelações, das galáxias, que se alongam até ao Infi­nito, dos homens perante o futuro è as incógnitas traçadas pela cibernética. Ilustrado, porque numa tinta mágica, indelével, o seu corpo foi marcado por sortílega operação. As dezoito histórias que se interligam nesta obra são condicionadas pelo espaço material dum livro; tal como o Universo, pode­riam expandir-se pelo Infinito, desen­volverem-se sobre si próprias... mas, deixemos isso ao cuidado da imagina­ção do leitor, depois de ler..." (do prefácio da obra)


Ray Bradbury é um dos mais famosos autores de ficção científica. Curiosamente, muitos críticos não consideram sua obra propriamente sci-fi. Aliás, o próprio Bradbury considera que escreveu um único livro de sci-fi - Fahrenheit 451 - sendo o restante mera fantasia. Mas que fantasia interessante esse The Illustrated Man! Trata-se de uma coletânea de contos, que encontram-se unidos pela estória de um homem coberto de estranhas tatuagens. Lançado em 1951, o Homem Ilustrado contém alguns contos datados - mas ainda assim muito bons - enquanto outros são impressionantemente atuais.

Encontrei esta preciosidade no Fórum PDL (Projeto Democratização da Leitura), que é um site que recomendo muito. Me desculpem os que não gostam, mas leitura é fundamental! A edição em português que está aqui é a da Coleção Argonauta, de Portugal. Inclusive a Coleção Argonauta mereceria uma (ou várias) postagens à parte. Registro que O Homem Ilustrado foi adaptado para o cinema, em 1969, mas dizem que o filme não está à altura do livro - esse eu confesso que não vi, então fico devendo. Outro detalhe curioso para quem acompanha O Planeta é nosso!: o Ray Bradbury é amigão de infância do grande mestre dos efeitos especiais, Ray Harryhausen. Fico por aqui, para não entrar numa área mais afeita ao nosso querido prof. Quatermass. Para quem quiser conhecer a obra, aqui fica o link para o arquivo no 4shared. Ah, como peguei um costume de relacionar os livros comentados no Planeta com algum amigo, este fica dedicado ao meu colega de blog! Abraço a todos!


quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

SILENT RUNNING


por Quatermass



Corrida Silenciosa (Silent Running - 1972) é um filme ecologicamente correto. Do início dos anos setenta, é precursor da causa verde e utiliza a ficção científica como pretexto. Mas ainda assim consegue ser melancólico e poético.



Num futuro não muito distante, os únicos resquícios da natureza estarão concentrados em gigantescas estufas de enormes naves espaciais, resultado da devastação estúpida das florestas e de sua vida animal. Seus tripulantes recebem uma ordem igualmente estúpida: destruir os módulos que contém estas últimas lembranças da Terra.



Ao impedir o cumprimento da ordem, Freeman Lowell (Bruce Dern) elimina seus companheiros, restando-lhe apenas dois pequenos robôs, um deles lembra vagamente o conhecido R2D2. O solitário tripulante renegado procura afastar a nave do sistema solar e começa passar por conflitos morais: questiona a ética, a loucura humana e sua própria sanidade.


Não é uma obra complexa como 2001 ou Solaris, mas fixa e questiona limites éticos e morais de maneira desagradavelmente franca. Não há alegorias, nem simbolismos. É de fácil compreensão e engajamento.


Não existe lado bom ou ruim, mas expõe o ato extremo pela sobrevivência da natureza. Este conflito persegue Freeman Lowell durante todo o filme até o inesperado final. Não se preocupem, não o contarei o fim, somente digo que a natureza prevalecerá, mas de um modo desconcertantemente belo.


Como disse, este filme do diretor Douglas Trumbull é melancólico e poético: em sua cena final, com a canção de Joan Baez ao fundo, é difícil se mostrar indiferente.




OS ENLATADOS

por Quatermass

A maioria dos internautas de hoje não se lembra, mas um dos ranços existentes no tempo da ditadura militar no Brasil (1964-1985) era rotular filmes e seriados americanos como enlatados. Hoje em dia caiu em desuso, mas dos anos setenta até fins dos anos oitenta essa expressão era comum. Por que enlatado? Porque é uma expressão pejorativa. Significa o invólucro metálico do rolo contendo o filme, produto de uma cultura importada, alheia a nossa realidade. Essa interpretação é minha, mas que refletia bem o pensamento dos estudantes nos tempos de colégio e faculdade. Era uma maneira de desprestigiar a obra. Assistir Glauber Rocha e ler Marx eram os objetivos de qualquer estudante mais progressista. Repito, eram os objetivos, pois até hoje duvido que alguém tenha interpretado corretamente o pensamento dos dois. Um fato é curioso: antes, se criticava a intervenção cultural de um país sobre o outro; hoje, é moda criticar a globalização. Globalização cultural, econômica ou, na verdade, ambas? Por que? Porque agora o processo de dominação dá-se em escala mundial, o alcance do agente dominador é maior. No entanto, mui humildemente, sempre achei que quanto mais pessoas tiverem acesso e conhecerem determinada cultura/mensagem, mais podem criticar. Será que nossas vanguardas intelectuais tem medo exatamente disto? De perder o controle e a voz para outros segmentos nunca antes ouvidos? Alguém sabia que a Al Qaeda foi fundada em 20.08.1988? Mas que só passou a ser levada a sério em 11.09.2001! Ela também é um produto da globalização, pois se não foi criada por ela deve à Internet, a mídia, a manutenção de sua existência, seja por sites, seja pelas notícias. Além desta, muitas outras organizações não oficiais, passaram a dispor de um espaço antes inexistente. É uma das contradições da cultura americana: quando difundida sempre deixa lacunas. E uma das contradições da nossa intelectualidade é a de que nunca procurou conhecer ou compreender o Tio Sam seriamente, enquanto que outros segmentos minoritários já o estão fazendo.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

GRANDES MOMENTOS MARVEL


Nomeei esta postagem com o mesmo título que a Editora Abril usava nos anos 80 para classificar certas histórias publicadas nas sua revistas da linha Marvel. Tratavam-se de histórias antigas, fora da cronologia dos heróis, mas clássicas, muitas vezes relacionadas à origem das personagens. Mas este post não é tão relacionado aos gibis, mas sim aos antigos desenhos animados da Marvel, lançados nos anos 60. Tratam-se dos famosos desenhos “paradões”, motivo inclusive de certo deboche por muita gente, mas que traziam muitas das histórias clássicas do Stan Lee. Pessoalmente considero cult esses cartoons, principalmente por serem baseados no traço do Jack Kirby.

Recentemente descobri que no site GUBA (mais uma dica da Fê do Vintage69) existem muitos cartoons e seriados antigos. E o que também tem por lá? Alguns daqueles antigos desenhos da Marvel, verdadeiros Grandes Momentos. E com opção de download em formato mpeg. Claro que estão em inglês, mas já está valendo. Então aí vai, sem mais papo, uma aventura dos Vingadores da velha guarda: O RETORNO DO CAPITÃO AMÉRICA (1966)!



EL CID

por Quatermass

Um épico, mas não é um épico a mais. É um filme que merece análise. A obra de Anthony Mann é um deleite para os olhos e ouvidos, principalmente quando entram em cena os mouros. El Cid, aliás, Rodrigo Diaz de Bivar, aliás, Charlton Heston, é um herói, um mito espanhol. Cavaleiro castelhano que viveu no século 11, foi admirado pelos árabes (que lhe atribuíram a alcunha “al-sid”, um título respeitoso, nobre, que em dialeto árabe-andaluz significa “senhor”), porém perseguido e invejado pelo príncipe e futuro rei, Alfonso VI. Ao expor em público o novo rei de Castela, é castigado com exílio. Peregrina pelo reino, mas continua fiel ao soberano, pois acima de tudo é um homem de honra. Possui muitas semelhanças com Judah Ben Hur, principalmente por seu caráter íntegro - em um determinado momento do filme, durante seu exílio, mata a sede de um leproso e este lhe diz: “somente El Cid compartilharia seu cantil, oferecendo água para um leproso”. Integridade, humildade, submissão e crença inquebrantável, são estes elementos que imortalizaram os personagens de Charlton Heston.

A obra possui três horas de duração e, óbvio, a parte final é o clímax: quando enfrenta as forças do emir africano Ben Yussuf na defesa de Valencia – grandioso – o mínimo que se pode qualificar. Mortalmente ferido, recebe a visita do agora ex-fraco, ex-covarde e ex-invejoso Alfonso (aparentando arrependimento), e lhe suplica em seu último pedido: cavalgar ao lado de seu rei. É atendido. No entanto, a cena seguinte não só imortalizou a figura do herói espanhol, como a do próprio ator e filme. Nunca haverá outro Ben Hur, nem Moisés, nem El Cid, senão por Charlton Heston.

Link F.A.R.R.A.!


KAGEMUSHA




por Quatermass




Sei que
Akira Kurosawa fez obras-primas (Os Sete Samurais e Rashomon, por exemplo), mas por Kagemusha (1980) eu tenho um carinho especial.




Vi pela primeira vez logo quando inaugurada a TV Manchete, em 1983. Não só foi o primeiro contato com a obra deste genial
diretor japonês e também minha impressão foi inesquecível: fiquei pasmo!

Posteriorme
nte, foi a vez de conhecer Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven - 1960) e achei o western interessante.


Mas quando assisti os Sete Samurais (Shichinin no Samurai - 1954), o filme que originou o faroeste, em
preto-e-branco, de cara se nota que é muito superior à versão colorida americana, é um épico.







Agora imagine um filme a cores sobre o Japão medieval dirigido pelo mestre japonês. Este diretor não só gosta de cenas de ação e conflitos pessoais, como sabe filmá-los. Dá uma verdadeira aula de história militar quando apresenta as grandiosas cenas de batalha.







Discriminado no Japão, acusado de fazer filmes muito ocidentalizados, na verdade, estilo europeu, foi um americano quem deu suporte financeiro para continuar seus trabalhos.

George Lucas bancou Kagemusha, e apesar de pessoalmente não apreciar muito sua segunda trilogia de Star Wars, serei eternamente grato por ter apoiado o bom velhinho.






A história: durante uma das intermináveis batalhas entre clãs no Japão medieval, um Shogun, Shingen Takeda é mortalmente ferido. Seus generais então procuram um sósia e encontram como substituto um ladrão, Kagemusha. Sua missão é dissimular o antigo senhor da guerra.

Sob ameaça, aceita o encargo, mas o filme mostra situações em que ele tenta ser o que não é (coisa aparentemente fácil); às vezes tentando ser ele mesmo (bem mais difícil); em outras, se safando (as grandes cenas).

Uma cena memorável dá-se quando as concubinas exigem a presença do esposo para fazer “aquilo”? E agora? Veja o filme.



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